DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em postivo e no Brasil atenção para os juros
Veja os números
(Brasília-DF, 02/01/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em positivo e no Brasil atenção para os juros.
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Bolsas internacionais amanhecem positivas (EUA +0,5% e Europa +0,7%), impulsionadas pelo bom resultado da Meta, assim como pelo pronunciamento de Jerome Powell, que foi lido como mais acomodativo pelo mercado. Nesta quarta-feira, a controladora do Facebook superou as estimativas de faturamento, anunciou um robusto programa de recompras, relatou cortes de despesas e projeções otimistas para o futuro, levando a um salto de 20,2% no pós-mercado. Na China, o índice de Hang Seng (-0,5%) encerra sem movimentos expressivos, à medida que o rali de reabertura segue perdendo fôlego.
Juros EUA
Conforme esperado, o comitê de política monetária do Federal Reserve (FOMC, na sigla em inglês) elevou sua taxa básica de juros – Fed Funds Rate – em 0,25pp, desacelerando o ritmo de aperto monetário pela segunda vez consecutiva. Com isso, a taxa de juros de referência subiu para o intervalo entre 4,50% e 4,75%, em território ainda mais contracionista. O comunicado que acompanhou a decisão manteve uma sinalização dura (hawkish), e não sugeriu qualquer intenção do banco central de interromper o ciclo de aperto monetário em breve. No entanto, a coletiva de imprensa após a decisão trouxe elementos muito mais suaves (dovish). Por exemplo, o Presidente do Fed, Jerome Powell, pontuou que o banco central tomou “ações enérgicas” e que os efeitos dessas medidas ainda não apareceram na economia dos EUA. Além disso, a autoridade reconheceu a tendência desinflacionária recente. Prevemos que o atual ciclo de aperto monetário terminará com os juros de referência no intervalo entre 4,75% e 5,00% (logo, com uma elevação derradeira de 0,25pp), e que o Fed encontrará espaço para começar a cortar a taxa de juros no 4º trimestre deste ano, em linha com a continuidade da desinflação e uma recessão moderada nos EUA.
IBOVESPA -1,2% | 112.074 Pontos. CÂMBIO -0,4% | 5,06/USD
Na agenda desta quinta-feira, destaque para as decisões de juros na zona do euro e no Reino Unido. Os agentes de mercado acreditam que tanto o Banco Central Europeu quanto o Banco da Inglaterra elevarão suas taxas de juros de referência em 0,50pp. As atenções também estarão voltadas para os comunicados que acompanham os anúncios. Além disso, dados de atividade econômica nos EUA serão monitorados: custo unitário e produtividade do trabalho referentes ao 4º trimestre de 2022; pedidos de auxílio-desemprego na semana passada; e encomendas à indústria em dezembro.
Brasil
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão da quarta-feira (01) com uma queda de 1,20%, aos 112.074 pontos. Enquanto o dólar recuou 0,4% frente ao real, encerrando o pregão aos R$ 5,06. As taxas futuras de juros fecharam perto da estabilidade, com viés de queda, refletindo a decisão monetária norte-americana. O movimento se deu em meio à leitura do mercado de uma comunicação mais branda (“dovish”) do Federal Reserve (Fed), o que acabou levando a uma forte queda nos rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e provocando reflexos no mercado doméstico de juros. DI jan/24 oscilou de 13,525% para 13,535%; DI jan/25 recuou de 12,80% para 12,785%; DI jan/26 passou de 12,725% para 12,715%; e DI jan/27 subiu de 12,77% para 12,775%.
Juros Brasil
No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% pela quarta reunião consecutiva, em linha com as projeções. Porém, o comunicado pós-decisão trouxe um tom mais duro (hawkish) do que o esperado, sinalizando que a taxa Selic pode permanecer no nível atual por mais tempo. O Copom adicionou um cenário alternativo em que a taxa básica de juros fica estável ao longo de todo o horizonte relevante. Além disso, o Copom incluiu um parágrafo destacando as incertezas fiscais e expectativas de inflação se distanciando da meta em períodos mais longos, o que demanda maior atenção na condução da política monetária e eleva o custo da desinflação necessária para atingir as metas estabelecidas. O comunicado reforça nosso cenário base de taxa Selic estável em 13,75% até o início de 2024 (projeção desde dezembro).
Estudo taxa de câmbio
A equipe econômica da XP publicou um estudo especial sobre a dinâmica da taxa de câmbio brasileira. Análises e projeções são apresentadas tanto para o câmbio nominal quanto para o câmbio real de equilíbrio, que reflete os fundamentos econômicos. Para acessar o relatório completo, clique aqui (link).
Mercado em Gráfico
Em dia de “super quarta” na economia, o Copom anunciou sua decisão de manter a taxa de juros brasileira em 13,75%. Já o Federal Reserve anunciou o aumento de 0,25 p.p., deixando as taxas de juros americanas em 4,5% a 4,75%. Ambas as mudanças já eram esperadas pelo mercado, porém os bancos centrais brasileiro e americano pontuaram que continuarão monitorando com atenção a inflação, que será determinante para os passos das próximas reuniões. Quando comparamos o ciclo de alta dos juros do Brasil com mercados emergentes e países desenvolvidos, podemos perceber que ele foi o país que mais aumentou sua taxa de juros desde a última baixa (de 2% para 13,75%), atraindo investidores estrangeiros. O alto nível das taxas de juros no Brasil atraem não apenas investidores de renda fixa, mas também investidores de renda variável, pois há uma visão de que a moeda não deve desvalorizar substancialmente devido ao alto carry trade. Para saber mais, acesse nosso relatório Copom segue com a Selic em 13,75%: Por que os investidores locais estão cautelosos com a Bolsa, mas os investidores estrangeiros seguem comprando Brasil?
(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)