DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em alta, mas no Brasil pressão por conta do cenário local, agora acrescido do fator Previdência
Veja os números
(Brasília-DF, 04/01/2023) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP investimentos apontando os mercados globais em positivo e no Brasil dia começa com muita pressão por conta das declarações de ontem, agora acrescidas de Calos Lupi, da Previdência.
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Mercados globais amanhecem positivos (EUA +0,5% e Europa +1,0%) enquanto investidores aguardam a divulgação de novos dados econômicos e a ata do Federal Reserve, que poderá dar pistas sobre o rumo da política monetária americana. O documento deve trazer uma sinalização dura (hawkish), em linha com o comunicado e a coletiva de imprensa que acompanharam a última decisão de juros do banco central americano.
Na China, o índice de Hang Seng (+3,2%) encerra em forte alta, com expectativas de novos estímulos econômicos. Especula-se que os credores chineses darão mais apoio financeiro a desenvolvedores “sistematicamente importantes” para conter a crise do setor e que a China usará políticas fiscais moderadas para estimular o crescimento em 2023.
PMI nos Estados Unidos
O Índice de Gerentes de Compras Industrial (PMI) dos Estados Unidos recuou de 47,7 em novembro para 46,2 em dezembro, deixando cada vez mais claro o impacto da política monetária contracionista do Federal Reserve. Números abaixo de 50 indicam contração da atividade econômica.
Indicadores Europeus com algum alívio na inflação
Na Europa, a atividade econômica contraiu menos que o esperado, à medida que o PMI composto da Zona do Euro registrou 49,3 pontos vs. 48,8 das projeções, sugerindo que a recessão na região pode ser menos pronunciada do que inicialmente projetado. Números abaixo de 50 indicam contração da atividade econômica.
O índice de preços ao consumidor da Alemanha encerrou 2022 com alta de 9,6%, segundo dados divulgados ontem. O resultado veio abaixo do consenso de mercado, que apontava para elevação de 10,7%. Em relação a novembro, a medida de inflação registrou queda de 1,2%. A estimativa para a inflação da zona do euro no fechamento do ano será publicada na próxima sexta-feira. A despeito de sinais de alívio na dinâmica de preços, acreditamos que o Banco Central Europeu (BCE) precisará observar alguns meses de desinflação para então considerar o fim do ciclo de aperto monetário em curso.
Queda do Petróleo com a desaceleração da China
O petróleo recuou 4,1% no mercado internacional, com o barril do Brent cotado a US$ 82,43. O principal fator foi o anúncio da contração na atividade industrial chinesa, segunda maior importadora global da commodity. Novos surtos da Covid-19 estão afetando a economia do país, mesmo com as medidas de flexibilização da política de Covid Zero. Outro fator pode ser atribuído à expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos e à recessão global, o que prejudicaria o consumo de combustível.
IBOVESPA -2,08% | 104.165 Pontos. CÂMBIO +1,72% | 5,45/USD
Os mercados globais aguardam a ata da última reunião do Fomc, o comitê de política monetária, em busca de mais informações acerca do ritmo contracionista do país.
No Brasil, o noticiário político segue adicionando pressão no cenário doméstico – com dúvidas na dinâmica da dívida pública nos próximos anos e temores sobre eventual revogação de leis e reformas – agora com a possibilidade de nova reforma na Previdência. Ontem, em seu discurso de posse, o ministro Carlos Lupi criticou a reforma do último governo, tendo classificado como “antirreforma”.
Em meio a um sentimento de aversão a riscos pelos agentes financeiros, o mercado seguiu tendência similar à véspera, com queda do Ibovespa, que já acumulou queda de 5% nos dois pregões do ano, e aumento do dólar e dos juros futuros.
Na agenda do dia, nos EUA, hoje teremos a publicação das pesquisas de atividade, ISM, e do mercado de trabalho, JOLTS. No Brasil, serão divulgados o Índice de Preços ao Produtor (PPI) e o Índice de Gerente de Compras (PMI) de serviços.
Mercado brasileiro segue com aversão a risco
No segundo pregão do ano, o Ibovespa registrou mais um dia amargo, com queda de 2% a 104 mil pontos. Na mesma linha, o dólar comercial fechou em alta de 1,72%, a R$ 5,45, e os os juros futuros seguiram a pressão de alta da véspera, diante das incertezas da política fiscal a ser adotada pelo novo governo. DI jan/24 subiu de 13,53% para 13,79%; a do DI jan/25 avançou de 12,915% para 13,30%; DI jan/26 foi de 12,87% para 13,255% e o DI jan/27 passou de 12,915% para 13,28%.
Ainda que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, permaneça com discurso mais equilibrado sobre a importância das arrecadações, a declaração do ministro da Previdência, Carlos Lupi, acerca da Previdência não ser deficitária, corroborou para o sentimento de aversão a risco. Em seu discurso de posse, o ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT) fez críticas à reforma previdenciária aprovada no último governo, a qual classificou de “antirreforma”, além de ter se comprometido a provar que a Previdência não é deficitária, o que gerou discórdia entre especialistas. Lupi declarou que pretende rediscutir as mudanças do sistema previdenciário e defendeu que as regras sejam “regionalizadas”, dadas as diferenças de expectativa de vida entre os Estados do Brasil.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)