DESTAQUES DO DIA: Mercados globais em negativo e no Brasil atenção para o início da Transição
Veja os números
(Brasília-DF, 02/11/2022) A Política Real teve acesso ao relatório “Moorning Call” da XP Investimentos apontando que os mercados globais estão em negativo e o mercado nacional com olhos na transição de governo.
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Mercados globais amanhecem negativos (EUA -0,5% e Europa -0,9%) enquanto investidores digerem o discurso de Jerome Powell e reprecificam suas apostas sobre o futuro da taxa de juros americana. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve anunciou mais uma alta de 75 pontos-base na taxa básica de juros e sinalizou que ainda é cedo para uma discussão sobre o fim dos aumentos. Na Europa, o foco ficará por conta da decisão de política monetária do Bank of England. O consenso aponta para uma alta de 75 pontos-base, elevando a taxa de juros local para 3,0%, o seu maior valor desde 2008. Na China, o índice de Hang Seng (-3,1%) encerra em forte queda, acompanhando o sentimento negativo das bolsas globais. Em Hong Kong, a autoridade monetária também elevou a taxa básica de juros em 75 pontos-base para 4,25%, ultrapassando os valores vistos durante a crise de 2008.
Economia Mundo
O comunicado pós-decisão destacou que as elevações de juros em curso são apropriadas para atingir um nível de política monetária restritiva o suficiente de modo a trazer a inflação de volta para a meta de 2%. Em relação ao ritmo de aumento para as próximas reuniões, o comitê frisou que avaliará o efeito defasado e cumulativo do aperto monetário sobre a atividade econômica, a inflação e o mercado financeiro do país. Acreditamos que esta decisão foi movida pela necessidade de o Fed manter um posicionamento duro para proteger sua credibilidade, e reflete a avaliação do comitê de que o risco de apertos insuficientes supera o risco de apertos excessivos. O ritmo de alta de 0,75pp representa um aumento agressivo dado o histórico da condução de política monetária nos EUA, e o atual ciclo de aperto tem sido muito mais acelerado comparado com ciclos anteriores. Para a reunião de dezembro, acreditamos que o Fed irá desacelerar o ritmo de elevação para 0,50pp. Olhando adiante, a necessidade de aumentos adicionais dependerá dos dados de inflação e do mercado de trabalho. Se os números de outubro e novembro mostrarem arrefecimento, o Fed poderá fazer uma pausa após a decisão de dezembro. Por outro lado, se as pressões inflacionárias persistirem e o mercado de trabalho continuar apertado, podemos ver altas sequenciais de 0,25pp nas primeiras reuniões de 2023. Por fim, prevemos que o Fed encontrará espaço para começar a cortar a taxa de juros de referência no 4º trimestre de 2023, tendo em vista um cenário de recessão moderada e de avanços no processo de desinflação.
A criação de empregos no setor privado dos Estados Unidos superou as expectativas em outubro, reforçando o cenário de resiliência do mercado de trabalho. Conforme publicado ontem no relatório ADP, houve geração líquida de 239 mil vagas no mês passado, enquanto o consenso de mercado apontava para incremento de 195 mil. O mercado voltará as atenções para a publicação do principal relatório de emprego dos Estados Unidos (Nonfarm Payroll) na manhã de sexta-feira (04).
Na China, o PMI (Índice de Gerentes de Compras) de serviços recuou de 49,3 em setembro para 48,4 em outubro, chegando ao menor patamar desde maio. A marca de 50 pontos separa contração de expansão na base mensal. Após crescimento mais forte que o esperado no 3º trimestre, a economia chinesa volta a mostrar sinais de enfraquecimento em meio a persistentes restrições relacionadas à pandemia (política de tolerância zero à Covid-19) e problemas no setor imobiliário.
IBOVESPA +0,77% | 116.928 Pontos. CÂMBIO -0,9% | 5,11/USD
Conforme amplamente esperado, o comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou ontem sua taxa de juros de referência em 0,75pp pela quarta vez consecutiva. Com isso, a Fed Funds rate chegou ao intervalo entre 3,75% e 4,00%, avançando em território contracionista. Na agenda econômica desta quinta-feira (03), destaque para a decisão de política monetária do BoE (Bank of England). O mercado prevê que o banco central do Reino Unido elevará sua taxa de juros de referência em 0,75pp (oitavo movimento consecutivo de alta), de 2,25% para 3,00%, o maior patamar desde 2008.
Brasil
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão da terça-feira (01) pré-feriado com uma alta de 0,77%, aos 116.928 pontos. Enquanto o dólar caiu 0,92% frente ao real, encerrando o pregão aos R$ 5,11. As taxas futuras de juros fecharam em queda, dando sequência ao movimento positivo para os ativos locais que é observado desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo. Segundo participantes do mercado, as taxas recuaram na expectativa de que Jair Bolsonaro reconheça a derrota imposta pelas urnas antes do feriado, o que traz certo alívio aos agentes. Além disso, por ora, a avaliação é a de que as obstruções em rodovias promovidas por apoiadores do presidente não devem trazer maiores impactos econômicos, diferente do que ocorreu na greve dos caminhoneiros de 2018. DI jan/23 fechou em 13,672%; DI jan/24 foi para 12,95%; DI jan/25 encerrou em 11,73%; DI jan/27 fechou em 11,51%; e DI jan/29 foi para 11,61%.
No Brasil, o Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central – publicou na terça-feira (01) a ata de sua última reunião. O documento trouxe a mesma mensagem do comunicado pós-reunião: o ajuste monetário já implementado parece suficiente para levar a inflação à trajetória de metas, porém, se a convergência não ocorrer conforme o esperado, o Copom não descarta aperto adicional à frente. Os principais fatores para avaliação da convergência da inflação são a ociosidade na economia (hiato do produto) e a dinâmica da inflação de serviços. Em relação ao primeiro, a ata indicou que houve redução no período recente, o que poderia ser visto como risco à desinflação. Todavia, o banco central prevê ampliação da ociosidade nos próximos trimestres, em linha com os efeitos defasados (cada vez mais perceptíveis) da política monetária contracionista sobre a atividade doméstica. Ao mesmo tempo, a ata reforça que a inflação de serviços, mais sensível ao ciclo econômico e com maior inércia, permanece acima da meta, e que sua dinâmica ficará mais clara ao longo do tempo. Em nossa opinião, o documento sugere que o Copom planeja manter a taxa Selic em 13,75% nos próximos trimestres, com início de uma flexibilização da política monetária apenas (e se) a convergência da inflação ficar visível. Com a hipótese de existência de uma nova âncora fiscal crível, mantemos o cenário de que a taxa básica de juros ficará em 13,75% até meados do ano que vem, recuando para 10,00% até dezembro.
Agenda do dia
Na agenda econômica desta quinta-feira (03), destaque para a decisão de política monetária do BoE (Bank of England). A maioria dos agentes de mercado prevê que o banco central do Reino Unido elevará sua taxa de juros de referência em 0,75pp (oitavo movimento consecutivo de alta), de 2,25% para 3,00%, atingindo o maior patamar desde 2008. Além disso, haverá divulgação de vários indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos: ISM Serviços de outubro; produtividade/custo unitário de mão de obra no 3º trimestre; encomendas de bens duráveis/bens de capital de setembro; pedidos iniciais de seguro-desemprego na semana encerrada em 29/10.
Mercado em Gráfico
Apesar de 2022 ser um ano de eleições presidenciais, os principais fatores que afetaram a Bolsa brasileira são relacionados ao cenário macro: inflação persistente, bancos centrais globais subindo os juros, os choques de oferta causados pela guerra na Ucrânia, lockdowns na China, e temores de recessão. Porém, no último mês, riscos domésticos relacionados ao cenário político voltaram ao radar dos investidores. Conforme mostramos no gráfico, após vários meses com a volatilidade em patamares historicamente baixos, ela voltou a crescer depois dos resultados do 1o turno das eleições, em linha o comportamento de anos eleitorais desde 2002. Nesse ano especificamente, o resultado mostrou uma eleição muito mais apertada do que historicamente e o pleito segue ainda em aberto, aumentando as incertezas quanto ao que esperar depois desse final de semana. Apesar das incertezas políticas e das taxas de juros em patamares ainda altos, continuamos vendo a Bolsa brasileira como atrativa. A expectativa é que o fim das eleições, nesse domingo (30/10), pode trazer uma descompressão de riscos no mercado. Com um caminho mais claro após as eleições, o apetite a risco pode voltar, e isso deve sustentar ainda mais o desempenho superior do Ibovespa em relação aos demais mercados.
Apesar de 2022 ser um ano de eleições presidenciais, os principais fatores que afetaram a Bolsa brasileira são relacionados ao cenário macro: inflação persistente, bancos centrais globais subindo os juros, os choques de oferta causados pela guerra na Ucrânia, lockdowns na China, e temores de recessão. Porém, no último mês, riscos domésticos relacionados ao cenário político voltaram ao radar dos investidores. Conforme mostramos no gráfico, após vários meses com a volatilidade em patamares historicamente baixos, ela voltou a crescer depois dos resultados do 1o turno das eleições, em linha o comportamento de anos eleitorais desde 2002. Nesse ano especificamente, o resultado mostrou uma eleição muito mais apertada do que historicamente e o pleito segue ainda em aberto, aumentando as incertezas quanto ao que esperar depois desse final de semana. Apesar das incertezas políticas e das taxas de juros em patamares ainda altos, continuamos vendo a Bolsa brasileira como atrativa. A expectativa é que o fim das eleições, nesse domingo (30/10), pode trazer uma descompressão de riscos no mercado. Com um caminho mais claro após as eleições, o apetite a risco pode voltar, e isso deve sustentar ainda mais o desempenho superior do Ibovespa em relação aos demais mercados.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)