31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CPI DA PANDEMIA: Tasso Jereissati diz que Renan Calheiros será o relator da CPI da pandemia, apesar das "pressões do Planalto"; "esse acordo está fechado", frisa

Tucano falou ainda que CPI será "extremamente séria", sem "nenhum interesse eleitoral" e que a "cloroquina" será investigada "até o fim"; descartou a possibilidade de concorrer à presidência em 22 e a busca dos partidos de centro por um nome

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( Publicada originalmente às 10h 49 do dia 20/04/2021) 

(Brasília-DF, 21/04/2021) O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou nesta terça-feira, 20, que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) será o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará os supostos crimes e omissões do governo federal durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19), apesar das "pressões do Planalto". Segundo ele, "esse acordo está fechado".

A declaração do tucano cearense aconteceu em entrevista ao canal de notícias da TV Globo, "GloboNews". Na oportunidade, Jereissati falou ainda que a CPI será "extremamente séria", sem "nenhum interesse eleitoral" e que a "cloroquina", como outros pontos, serão investigados "até o fim". A adoção do remédio hidroxicloroquina pelo governo brasileiro como forma de tratamento a doença respiratória – que já matou mais 374 mil brasileiros, é criticada por médicos e sanitaristas, que afirmam que o medicamento é ineficaz, além de causar sérios problemas adversos.

"Eu tenho a expectativa que nós vamos terça-feira [27] realmente iniciar. Havia uma expectativa, um acordo feito entre os membros da CPI e o presidente da CPI, que fossem na quinta [22]. Mas o presidente do Senado determinou na terça-feira e é ele quem cabe decidir o início da CPI. O plano de trabalho é o seguinte: existe uma coordenação feita pelo provável relator, que é o senador Renan Calheiros, com um grupo de senadores e de assessores para montar um plano de trabalho, que não está pronto e que será submetido aos 11 membros da CPI para que seja aprovado logo após a instalação. Não existe nenhum plano pronto e muito menos definido a convocação, ou convite para ninguém. Por que isso só será definido após o plano de trabalho ser aprovado pela comissão", iniciou o senador.

"Não acredito. O espírito que existe hoje na CPI é de fazer um trabalho de alta qualidade, extremamente sério, apolítico do ponto de vista eleitoral, que não seja contaminado por nenhum interesse eleitoral e, principalmente, eu tenho a consciência muito grande que nós pudemos estar vivendo e trabalhando na CPI mais importante da história do Congresso. Nós não estamos falando apenas de corrupção. Nós estamos falando de vidas e de centenas de milhares de vidas que já foram perdidas neste país e que esta CPI será a responsável para investigar as causas, omissões, as ações que ocorreram e que chegaram ao ponto em que nós estamos vivendo. Qualquer coisa que venha desviar disso vai ser de uma irresponsabilidade muito grande e a sociedade brasileira vai cobrar de nós essa falta de responsabilidade. Isso não acontecerá", complementou.

"Esse acordo está fechado. Nós vamos ter uma eleição, lembrando que isso é um acordo. Mas quem designa o relator é o presidente eleito da CPI. O presidente será eleito e em seguida indicará o relator. Só para ficar bem claro: não haverá mudança na minha opinião. Independente das pressões do Palácio do Planalto. Claro. Todos os aspectos serão levantados e evidentemente a questão da cloroquina, ela é um deles. Principalmente quando nós entrarmos no foco da questão principal do Amazonas, Manaus. E o desdobramento dirá quem, por que, quais as razões se levou. Se tem empresas envolvidas, se não existem empresas envolvidas, se tem intermediários. Todos esses desdobramentos vão ter consequência e vão ser levadas até o fim", completou

Eleições de 22

Na sequência, questionado sobre a possibilidade de ser ele o candidato do PSDB à Presidência da República em 2.022, Tasso Jereissati descartou essa possibilidade e afirmou que os partidos de centro, não só o seu PSDB, precisam encontrar por um nome que seja uma alternativa viável para tentar evitar a reeleição do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como também impedir que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorne ao Palácio do Planalto a partir de 2.023.

"Eu nunca me coloquei como candidato. Não estou pleiteando, não é projeto de vida meu chegar à presidência da República. Existem, eu sei alguns movimentos, alguns companheiros, que lançaram o meu nome. O próprio presidente do partido [me lançou] como uma alternativa e dentro deste cenário, nós temos dois candidatos que estão bem mais a frente disso, que é o próprio governador João Dória, de São Paulo, e o governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Mas eu faço parte do partido e se me apresentarem como alternativa, é uma coisa que a gente tem que amadurecer. Mas eu não me sinto hoje como candidato a frente partidariamente das preferências do partido", informou.

"O ideal seria que nós tivéssemos o menor número de candidatos possíveis. Por quê? Nós temos de um lado a extrema-direita, que tem no Bolsonaro o seu maior representante e, talvez, único representante mais à direita daquela ala mais radical, que aparentemente tem cerca de 20% a 25%, até 30% dos votos independentes de pesquisa. O outro lado, o Lula. O Lula, até ele pessoalmente não me parece ser uma pessoa, um homem de extrema-esquerda, mas ele representa grupos que estão na extrema-esquerda também. Eu acho, minha opinião, a gente tem uma larga avenida pelo centro para o candidato do centro. No entanto, esses dois extremos tem no mínimo garantido entre 20% a 25%, até 30%. Portanto, nós precisamos ter poucos candidatos pelo centro para a gente conseguir chegar no segundo turno", observou.

"E o ideal e nós estávamos falando sobre candidatos do PSDB, é que não só do PSDB, que não só do PSDB, mas todos partidos de centro venham a conversar ainda este ano, até o fim do ano, com o objetivo de encontrar uma só candidatura de e eu sei que isso não vai ser possível, mas ter isso como objetivo, meta. Ter uma candidatura só que possa representar esse centro. Não acredito que nós vamos ter muitos candidatos como nós tivemos nas eleições passadas, até por que existe hoje, nós estamos diante de duas experiências do final dos governos do PT e, agora, do governo do Bolsonaro e que essas experiências tem sido desastrosas para o país. E nós temos neste momento pensar no futuro do nosso país. Projetos pessoais, vaidades, ambições, vão ter em determinados momentos ser colocados de lado em função que nós de que nós não venhamos a repetir esses governos", finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)