Estudo publicado em renomada revista científica afirma que gestão Bolsonaro agravou pandemia no Brasil e transformou crise em tragédia
De autoria de pesquisadores brasileiros e norte-americanos, o texto cita como principais causas do atual momento vivido pelo país o incentivo a remédios que não possuem comprovação de eficácia e a falta de um comando nacional
( Publicada originalmente às 19h40 do dia 14/04/2021)
(Brasília-DF, 15/04/2021) Um estudo publicado nesta quarta-feira, 14, numa das mais renomadas revistas científicas do mundo, “Science”, afirma que a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agravou a pandemia do novo coronavírus (covid-19) no Brasil e transformou o que seria uma das mais sérias crises sanitárias da história em tragédia humanitária.
De autoria de pesquisadores brasileiros e norte-americanos, o texto cita como principais causas do atual momento vivido pelo país o incentivo a remédios que não possuem comprovação de eficácia contra a doença respiratória, como azitromicina, ivermectina e hidroxicloroquina e a falta de um comando nacional, que proporcionou a morte de mais 361mil brasileiros – desde o início do surto pandêmico em março de 2.020 até o mais recente registro de monitoramento divulgado pelo Conselho Nacional dos Secretários estaduais de Saúde (Conass).
O artigo publicado na “Science” aponta também que a troca constante de ministro da Saúde também contribuiu com o atual estágio de evolução do covid-19 no país. Entre abril de 2.020 e março de 2.021 passaram pelo cargo os ex-ministros Henrique Mandetta, Nelson Treich, general Eduardo Pazzuelo e, agora, o atual, o médico paraíbano Marcelo Queiroga – que se licenciou da Sociedade Brasileira de Cardiologia para assumir o comando da pasta ministerial.
“No Brasil, a resposta federal tem sido uma combinação perigosa de inação e irregularidades, incluindo a promoção da cloroquina como tratamento, apesar da falta de evidências. (…) Sem uma estratégia nacional coordenada, as respostas locais variaram em forma, intensidade, duração e horários de início e fim, até certo ponto associadas a alinhamentos políticos. O país tem visto taxas de ataque muito altas e carga desproporcionalmente maior entre os mais vulneráveis”, diz alguns trechos do estudo.
“Uma nova variante de preocupação que é estimada em 1,4-2,2 vezes mais transmissível e capaz de escapar da imunidade de infecção anterior. Essa variante está se espalhando por todo o país. Tornou-se o mais prevalente em circulação em seis dos oito estados onde as investigações foram realizadas. O fracasso em evitar essa nova rodada de propagação facilitará o surgimento de novos VOCs [variantes de preocupação], isolará o Brasil como uma ameaça à segurança da saúde global e levará a uma crise humanitária completamente evitável”, complementa outra parte do estudo.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)