Governadores articulam envio de carta a John Biden para aprimorar agenda socioambiental e “pelo clima” entre Brasil e EUA
Até o momento, 22 gestores estaduais assinaram a missiva; apenas os governadores do Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Roraima e Santa Catarina não assinaram o documento que pede mais agilidade a “descarbonização do planeta”
( Publicada originalmente às 17h 49 do dia 13/04/2021)
(Brasília-DF, 14/04/2021) O Fórum Nacional dos Governadores começou articular nessa última segunda-feira, 12, uma carta a ser enviada ao presidente dos Estados Unidos da América (EUA), John Biden, com intuito de aprimorar a agenda socioambiental e “pelo clima” entre Brasil e àquela nação.
A ideia, inédita, ganhou força entre 22 dos 27 gestores estaduais e passou a ter o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), como principal articulador do movimento visando uma reaproximação entre os dois países com vistas a “impulsionar a regeneração ambiental, o equilíbrio climático, a redução de desigualdades, o desenvolvimento de cadeias econômicas verdes nas Américas e a criação de um novo modelo civilizatório saudável e resiliente a pandemias”.
Apenas os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); do Paraná, Ratinho Jr. (PSC); de Rondônia, Marcos Rocha (PSL); de Roraima, Antônio Denarium (PSL); e de Santa Catarina, Daniela Reinher (sem partido), não assinaram o documento que pede mais agilidade a “descarbonização do planeta”.
Num documento de três páginas, os 22 gestores estaduais do Brasil começam a carta cumprimentando a eleição dos novos dirigentes ocorrida em novembro de 2.020. Na sequência, destacam que o grupo envolve mais de 80% de todo o território brasileiro sendo formada por uma “coalizão [de] governadores ‘pelo clima’, ampla e diversa, envolvendo progressistas, moderados e conservadores, de situação e de oposição, dos mais diversos partidos” que “sinaliza o desejo do Brasil por união e construção colaborativa de soluções em defesa da humanidade e de todas as espécies de vida que estão ameaçadas pela degradação de ecossistemas”.
“Conscientes da emergência climática global, os governos subnacionais brasileiros estão comprometidos com a redução dos gases de efeito estufa; a promoção de energias renováveis; o combate ao desmatamento; o cumprimento do Código Florestal para a conservação das florestas e da vegetação nativa; a melhoria da eficiência na agropecuária; a proteção e o bem-estar dos povos indígenas e a busca de formas consorciadas de viabilizar massivos reflorestamentos. Ações que, além da remoção de carbono e da proteção da biodiversidade, podem evitar futuras pandemias”, iniciaram os governadores.
“Celebrando a decisão do seu governo em fortalecer a agenda ambiental internacional e o Acordo de Paris, expressamos nossa intenção de implementar ações conjuntas, propondo a cooperação entre os Estados Unidos e os governos estaduais brasileiros, responsáveis pela maior parte da Floresta Amazônica, a mais extensa floresta tropical do mundo, e de outros biomas que, somados, abrigam a mais ampla biodiversidade já registrada, e que são capazes de regular ciclos hídricos e de carbono em escala planetária. (…) Nossa parceria pode somar rapidamente capacidade técnica, grandes áreasregeneráveis de terra e governançaslocais, com a imensa capacidade de investimentos da economia americana, conectando políticas públicas, conhecimentos científicos, instrumentos inovadores e iniciativas empresariais”, complementaram os gestores na carta a ser enviada.
Descentralização
Na oportunidade, os 22 governadores que assinaram o documento a ser remetido ao presidente norte-americano, John Biden, apontam que seus estados já possuem iniciativas que visam atender a emergência ambiental e que as ações implementadas conjuntamente com o governo dos EUA poderão acontecer de maneira descentralizada e independente das posturas e posições tomadas pelo governo federal do Brasil.
“Nossos estados possuem fundos e mecanismos criados especialmente para responder à emergência climática, disponíveis para aplicação segura e transparente de recursos internacionais, garantindo resultados rápidos e verificáveis. Assim, é possível viabilizar ações descentralizadas, em múltiplos pontos do território brasileiro, possibilitando a proteção de biomas nativos; a restauração de áreas degradadas; a inclusão de comunidades locais com capacitação planejada e geração de muitos empregos; e a incorporação de empresas, em diversas cadeias econômicas verdes, integrando as economias do Brasil e dos EUA, nos eixos de bioenergia, agricultura de baixo carbono, energias renováveis e bioeconomia de floresta em pé, com uso de modernas tecnologias para agregação de valor aos produtos da floresta, promovendo práticas sustentáveis de comércio internacional”, apontaram os 22 governadores.
“Juntos, podemos constituir com agilidade a maior economia de descarbonização do planeta, criando referências para impulsionar a transição da economia mundial para um modelo carbono neutro, orientando uma retomada verde pós-pandemia. Os Estados brasileiros têm enormes capacidades de contribuir com a captura de emissões globais, aumentando a ambição daNDC nacional, reduzindo a pobreza, desenvolvendo novos arranjos econômicos e fortalecendo comunidades indígenas. Certos do alto nível de convergência de interesses e desejando tempos saudáveis para nossos povos, ficamos abertos para estabelecer um canal de interação com o seu governo para avançarmos em passos práticos. A terrível pandemia atual, somada à urgência climática, exigem ações imediatas para evitar novas doenças planetárias, tendo como princípio a união de nações, conhecimentos, capacidades e, sobretudo, solidariedades e sonhos que nos elevem a um novo patamar de sabedoria coletiva. Unir esforços imediatamente para vacinação é a maior prioridade”, completaram os gestores.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)