VACINAS: Barra Torres, da Anvisa, não descarta quebra de patentes de vacinas, mas diz que isso tem que ser usado com objetivo e sem razão política; ele diz que inicialmente vê “pouca utilidade” neste expediente
Responsável pelo órgão sanitário, o almirante elogiou a atuação da Anvisa no enfrentamento à pandemia, que já matou mais de 345 mil brasileiros, e que não sabe o que se poderia fazer mais nos próximos 90 dias para melhorar a situação do país
( Publicada originalmente às 17h 30 do dia 08/04/2021)
(Brasília-DF, 09/04/2021) O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), almirante Barra Torres, não descartou nesta quinta-feira, 8, que a quebra de patentes das vacinas contra o coronavírus (covid-19) poderia ser adotada pelo país como forma de ampliar a cobertura vacinal a população, mas diz que isso tem que ser usado com muito critério e objetivo e não possuir alguma razão política para esse fim. Inicialmente, ele vê esse mecanismo com “pouca utilidade” para ampliar a oferta de vacinas.
Responsável pelo órgão sanitário, o almirante elogiou a atuação da Anvisa no enfrentamento à pandemia, que já matou mais de 345 mil brasileiros, e disse não saber o que a instituição poderia fazer mais nos próximos 90 dias para melhorar a situação do país com o objetivo de controlar a curva de óbito que vem crescendo exponencialmente. Nesta quinta, o Brasil registrou 4.209 mortes causadas pela doença respiratória e especialistas apontam que caso medidas de restrição máxima na circulação de pessoas não seja aplicada, letalidade pode ultrapassar os seis mil casos diariamente. Mas com relação a isso, o dirigente da Anvisa não teceu nenhum comentário.
“A questão é a seguinte. A minha formação básica é cirurgião vasculhar, uma especialidade cirúrgica muito objetiva, e eu acredito muito em objetivo prático. Quebra pela quebra não tem efeito nenhum. Quebrar patente de algo que possa ser produzido aqui, preferencialmente, no tempo de nos atender neste momento, isso restringe o universo amostral a praticamente zero. Por que é um processo, é longo, o ato em quebrar não é longo, mas, enfim, a consequência dele em termos objetivos, leva tempo. Então, no caso objetivo, vejo pouca utilidade, mas entendo que cada país diante da dificuldade que enfrenta e, particularizando, o Brasil, as dificuldades são imensas, teria que ser analisado objetivamente a utilidade disso. E justamente, por isso, não descartaria a possibilidade. Mas é claro que como uma ação objetiva, uma ação concreta para trazer benefícios. Jamais com qualquer outra atitude, ou qualquer tipo de ato. Principalmente político”, falou.
“Não sei o que poderia ser feito. Já fizemos tudo que é possível. A Anvisa foi a agência mais rápida do mundo na avaliação de protocolos vacinais. Deu duas autorizações em nove dias. Para a Coronavac e para a Astrazeneca, uso emergencial, e em 17 dias fez a avaliação completa da Pfeizer e em menos tempo, ainda, fez a análise da Jansen. Então não há uma outra agência regulatória, no mundo, mesmo as agências de patamar da Anvisa, a Anvisa está entre as melhores agências regulatórias do mundo. E isso não é dito por nós, é dito pelas agências co-irmãs e pela nossa certificação. É um patrimônio do Brasil”, complementou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)