No anúncio do calendário de pagamento do auxílio emergencial, Bolsonaro volta atacar medidas restritivas na circulação de pessoas adotadas por governadores e prefeitos
Presidente falou também que brasileiros “tem que voltar a trabalhar” e disse ainda que as iniciativas tomadas por alguns gestores estaduais e municipais para tentar diminuir a transmissibilidade do covid são piores que o “Estado de Sítio”
( Publicada originalmente às 13h 37 do dia 31/03/2021)
(Brasília-DF, 01/04/2021) No anúncio do calendário de pagamento da nova rodada do auxílio emergencial em 2021, realizada na manhã desta quarta-feira, 30, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar as medidas restritivas na circulação de pessoas adotadas por governadores e prefeitos, com o intuito de frear a transmissibilidade do novo coronavírus (covid-19) – que já matou mais de 317,6 mil brasileiros.
O benefício que foi pago em 2.020 no valor de R$ 600,00 para mais de 70 milhões de brasileiros em cinco parcelas e em quatro parcelas extras no valor de R$ 300,00, teve seu valor ainda mais reduzido em 2.021. A partir da próxima terça-feira, 06 de abril, o benefício será de R$ 250,00 para um público, que também será menor. Receberão a nova rodada do auxílio emegencial 40 milhões de famílias.
Pessoas que moram sozinhas receberão R$ 150,00. Mulheres, que são chefes de famílias, receberão R$ 375,00. O benefício será pago em quatro parcelas durante os meses de abril, maio, junho e julho. Em 2.020, as mães que chefiam as suas famílias receberam, por cinco meses, parcelas de R$ 1.200,00 e quatro parcelas excedentes de R$ 600,00.
Ao lado dos ministros da Cidadania, o deputado licenciado João Roma (Republicanos-BA), e das Comunicações, o deputado licenciado Fábio Faria (PSD-RN), o presidente falou também que os brasileiros “tem que voltar a trabalhar”, ao mesmo tempo que disse ainda que as iniciativas tomadas por alguns gestores estaduais e municipais para tentar diminuir a transmissibilidade do covid são piores que o “Estado de Sítio”.
Também participaram do anúncio da nova rodada do auxílio emergencial o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o presidente da DataPrev – órgão responsável pela identificação dos beneficiados, Gustavo Canuto.
“[Estamos aqui anunciando] o calendário, né? Com a volta do auxílio emergencial por quatro meses. É mais um endividamento da União. Isso não é dinheiro que estava no cofre, isso pesa para todos nós. É uma conta que fica para nós e, talvez, para a geração futura também. Estamos preocupados com as mortes. Hoje o nosso comitê se reuniu de manhã com as autoridades previstas, com o presidente da Câmara, do Senado, representantes de outras instituições, juntamente com o ministro da Saúde, que é a pessoa que está nessa coordenação e como sempre disse tínhamos e temos dois inimigos: o vírus e o desemprego. É uma realidade. Não é ficando em casa que nós vamos nos solucionar esse problema. Essa política ainda está sendo adotada no espírito dela. Era se preparavam com leitos, UTIs e respiradores para que pessoas não viessem perder suas vidas por falta de atendimento”, iniciou.
“O governo federal dispensou bilhões de reais para a saúde. É público, notório, que arrecadação dos estados e municípios, somados a ajuda do governo, foram superavitárias. O governo sabe que não pode continuar com muito tempo com este auxílio, que custa para toda a população e pode desequilibrar a nossa economia. O apelo que a gente faz aqui é que essa política de ‘lockdown’ seja revista. Isso cabe na ponta da linha aos governadores e aos prefeitos. Por que só assim nós podemos voltar a normalidade. Temos assistido em vários países da Europa uma fadiga, um estresse, no tocante a política de ‘lockdown’. A população não apenas quer, precisa trabalhar. Nenhuma nação se sustenta por muito tempo com este tipo de política e nós queremos realmente é voltar a normalidade o mais rápido possível, buscando medidas para combater a pandemia, como temos feito com a questão das vacinas”, complementou.
Vacinas
Na oportunidade, Bolsonaro voltou a dizer que o país está bem colocado entre as nações que estão imunizando as suas populações contra a doença, que já matou quase três milhões de pessoas em todo o mundo, apesar de minimizar a lentidão verificada na execução do Plano Nacional de Imunização (PNI). Além de voltar as suas baterias contra o que ele chamou de “lockdown”, que estariam sendo adotados nos estados e municípios, a pedido das autoridades sanitárias. E que o papel dos governantes é atender a necessidade da sua gente.
“O Brasil, em números absolutos, e em números relativos também, está numa posição bastante privilegiada. Gostaríamos de sermos os primeiros, mas fazemos o possível para atender a população com vacina. Agora, repito, o Brasil tem que voltar a trabalhar. A população tem que voltar a trabalhar. Algumas medidas, alguns decretos tem se superado e muito no que seria até mesmo o que Estado de Sítio no Brasil. O Estado de Sítio não é o presidente que decreta. Ele pode até mandar o decreto para o parlamento, mas só depois da Câmara e Senado concordem com isso, é que ele entraria em vigor lá na frente”, completou.
“Essa política, entendo eu, destes isolamentos, destas medidas restritivas, com toque de recolher, com supressão no direito de ir e vir, extrapolam e muito até mesmo o Estado de Sítio. Eu apelo a todas as autoridades do Brasil que revejam essa política e permitam que o povo vá trabalhar. Nós, servidores públicos, não importa o Poder, temos garantido todo o mês recursos e nós podemos também ver agora a maior parte da população aí incluído, quase 40 milhões de autônomos e informais, conhecidos como invisíveis percam quase tudo. Eu quando vou numa comunidade, como fui a duas semanas na comunidade Chaparral, aqui em Taguatinga [cidade-satélite de Brasília] e não tive surpresa. Entrei em quatro residências, pedi para abrir a geladeira, conversei com as pessoas. As geladeiras estão vazias. Conversei com as pessoas, manicure que tinha um ganho de R$ 3.000,00 por mês, está zerado. Outros perderam empregos. Muita gente na informalidade foi reduzido a zero seu recurso”, disparou.
Caos social
Por fim, Bolsonaro disse que teme que o país estaria caminhando para um “caos social”, caso as medidas restritivas na circulação de pessoas continuem sendo adotadas por alguns governadores e prefeitos.
“A fome está batendo cada vez mais forte na casa destas pessoas, que lacrimejam seus olhos quando vê que não tem o mínimo para dar para os seus filhos. Eu temo por problemas sociais gravíssimos no Brasil. O auxílio emergencial é um alento. É pouco, inclusive, reconheço. Mas é o que a nação pode dispensar para a sua população [mais vulnerável]. Só temos um caminho: deixar o povo trabalhar. Que eu sempre disse e fui muito criticado, que os efeitos colaterais do combate a pandemia, que ainda e aplicam no Brasil, não podem ser mais danosos do que o próprio vírus. Qualquer um pode contra o vírus, qualquer um pode ter sua situação de saúde complicada. Mas a fome mata muito mais do que o próprio vírus”, continuou.
“Temos que enfrentar a realidade. Não adianta fugir do que está aí. Para mim é muito fácil entrar na política do politicamente correto. Isso não traz solução para nós. Temos que ser fortes, acreditar em Deus e buscar solução e enfrentarmos esse problema. Por que se a pobreza continuar avançando, nós não sabemos onde poderemos parar! Qualquer chefe dos executivos federal, estadual ou municipais tem que decidir e nós sabemos que pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão. Eu corro riscos. Fui eleito para correr riscos. Jamais qualquer um de nós, chefe dos Executivos, poderia pensar que aconteceria essa pandemia. Mas infelizmente ela está aí. Vamos com coragem, com galhardia, com cuidado, com medidas protetivas buscar solução. E para terminar: o emprego, a volta do direito de homens e mulheres em trabalhar no país é essencial. Peço a deus que abençõe não só o Brasil, mas o mundo todo. Que nós consigamos o mais rápido possível uma solução para isso”, finalizou.
Palavra do ministro
Em seu pronunciamento, o ministro João Roma – ex-aliado do presidente nacional dos Democratas, ACM Neto, concordou com toda a fala do presidente Bolsonaro.
“Como o presidente Bolsonaro falou, isso é um alento para o povo brasileiro. Esse auxílio emergencial viabilizado pela PEC emergencial no valor de R$ 44 bilhões servirá para quatro parcelas de 2.021, que será direcionada exatamente para esse brasileiro vulnerável, para as pessoas que estão passando muito difuculdade. São recursos públicos com as quais devemos ter o maior zelo. Houve um cruzamento de mais de 200 fontes de dados para que nós conseguíssemos evoluir enquanto Estado brasileiro para justamente identificar esses beneficiários. Aqueles que estavam aptos no mês de dezembro permanecem para receber com exceção daqueles que foram identificados alguns itens que fazem com eles não integrem a lista do auxílio de 2.021”, comentou.
“Mas sem dúvida nenhuma, mais de 40 milhões de famílias, que passam por situação muito sofrida neste momento, poderão ter acesso ao benefício. A preocupação do presidente Bolsonaro é válida. Nós precisamos, sim, todos os líderes políticos, agentes públicos, está perto da população que mais precisa, que sofre, que tem nas dificuldades, inclusive, de levar o sustento para suas famílias. Na semana passada o presidente deu exemplo, chamando no Alvorada os chefes dos Poderes, governadores, seus ministros, autoridades públicas, pedindo união da nação para que consigamos superar esse momento de panemia”, encerrou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)