31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Bolsonaro, em transmissão nas redes sociais, afirma que faz “o que o povo quiser” para mandar Forças Armadas enfrentarem medidas de restrição adotadas por governadores e prefeitos

Presidente falou ainda que não mudará “seu jeito”; chamou medidas restritivas adotadas no DF de “estado de sítio” e que se Haddad, ou Ciro Gomes, estivessem em seu lugar, o país não teria mais liberdade e reclamou de ataques a ele

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( Publicada originalmente às 21h 46 do dia 11/03/2021) 

(Brasília-DF, 12/03/2021) Em transmissão nas redes sociais na noite desta quinta-feira, 11, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que faz “o que o povo quiser” para mandar as Forças Armadas enfrentar as medidas de restrição para evitar a circulação de pessoas e assim tentar diminuir a propagação do novo coronavírus (covid-19), que estão sendo adotadas por diversos governadores e prefeitos do país.

Na oportunidade, o presidente brasileiro falou ainda que não mudará “seu jeito de ser”. Chamou as medidas restritivas adotadas em Brasília pelo governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), de “estado de sítio” e que se os candidatos derrotados por ele, em 2.018, Fernando Haddad (PT), e ou Ciro Gomes (PDT), estivessem em seu lugar, o país não teria mais liberdade. Ele reclamou também do aumento de ataques feitos por internautas a pessoa dele nas redes sociais.

“Nós estamos assistindo aqui uma onda de lockdown novamente. Se não me engano 20 governadores reuniram e decidiram tomar medidas, em conjunto, para combater o coronavírus. E a mais importante desta medida parece que é o lockdown. Nós estamos há um ano em lockdown e o vírus continua aí. O objetivo do lockdown lá atrás era evitar a circulação do vírus para que os hospitais pudessem se aparelhar com UTIs e respiradores. Nós mandamos recursos para todo o Brasil e recursos abundantes. Tanto é que muitos governadores pagaram até folha de pagamento e botaram em dia a folha de pagamento e muitas finanças lá, e não deu certo”, comentou.

“Agora você sabe que quando há um lockdown há uma queda no número de empregados. Há uma vítima pela frente que é aí os empregos, são os empregos. Então vem o desemprego. Junto com o desemprego vem muita coisa atrás disso, vem depressão. Já começamos a ver alguma coisa publicada na mídia. Abuso contra crianças crescem até 12 vezes na pandemia, em São Paulo, a cidade que mais fecha. Denúncias sobre condutas familiares, briga por guarda após a separação, obviamente, agressões físicas, assédios sexual [sic] e abandono, explode em toda a cidade. É o R7 que está falando, não sou eu não”, continuou.

“Nós sabemos que a vida e a economia, saúde e economia andam juntos. Você não pode criar uma massa de desempregados no Brasil porque daí não vamos ter dinheiro, recursos, para fazer nada, nem para comprar vacina. Eu acredito que em mais de 100 países do mundo, que nem se fala em vacina, por que não tem dinheiro. Se nos que temos dinheiro aqui, nós não. O mundo todo, falta vacina no mundo todo. Se os países mais desenvolvidos que tem recursos e não conseguem comprar, imaginem certos países, em especial, da América do Sul e do continente africano. Também não estão comprando. Agora, o efeito colateral direto do lockdown é o desemprego”, complementou.

Truculência

Bolsonaro criticou a “truculência” com que alguns gestores de entes federados estão promovendo as medidas de restrição na circulação de pessoas para evitar a propagação do novo coronavírus (covid-19), que já matou quase 273 mil brasileiros.

“E mais ainda, a gente vê a truculência, por parte de algumas autoridades estaduais, quando vê alguém com uma prancha de surf na praia, vê sentado num banco da praça uma mulher sozinha, nós já vemos isso em Araraquara (SP) no ano passado e estamos vendo, agora, o coitado ali que está vendendo frutas e vão lá joga [sic] no chão as frutas, humilha o cara. Prisão! Brasília agora decidiu o governador por decreto que entre 22 horas e cinco da manhã, ninguém pode sair de casa. Quem sair, multa de R$ 2.000,00. Isso é estado de sítio, que compete privativamente a mim decretá-lo”, frisou.

“E mais ainda, não basta decretá-lo. Eu preciso da autorização do Congresso brasileiro. Então a questão é tão grave, que a proibição de locomoção que o governador do DF está fazendo, que eu não posso decretar. Um prefeito pode! E o Congresso tem que assinar embaixo. Tem que me autorizar a fazer isso daí. Isso é um crime que o governo do DF está fazendo”, completou.

“Vou ficar sozinho nesta briga?”

Na sequência, Bolsonaro ao reclamar de uma possível perda de apoio em sua base social, questionou seus apoiadores que querem que ele brigue contra as medidas adotadas pelos governadores, ou se ele “vai fica sozinho nesta briga?”. Em seguida, emendou que se seus apoiadores assim quiserem, fará o Exercito brasileiro “fardado” se juntar nesta disputa.

“Quanto mais atiram em mim de forma covarde por parte da sociedade, mas você está enfraquecendo quem pode resolver a situação. Como é que eu posso resolver a situação? Eu tenho que ter o apoio. Por que se eu levantar a minha caneta ‘bic’ e falar xazan, eu vou ser ditador. Vou ficar sozinho nesta briga? O meu exército, que eu tenho falado o tempo todo, é o povo. Eu sempre digo que eu devo lealdade absoluta ao povo brasileiro, inclusive o Exército fardado. A vocês eu devo lealdade. Eu faço o que vocês quiserem. Por que essa é a minha missão de chefe de Estado. Desunido, agredido, fica difícil! Vocês sabem quem está errando no Brasil e errando muito. Eu sinto. Não pensem vocês que eu estou aqui no Palácio do Alvorada, alimentação de graça, bons assessores, tranquilo aqui com a minha família, eu não sinto!”, desabafou.

“Cada decisão que tomam e se você quer ser democrata, cumprir a Constituição e a lei, tem que acolher. Mas tem decisões que são absurdas. Eu sei disso. Busco o diálogo com alguns, falo que o caldo vai entornar. Por mim vai entornar de parte de quem? O povo com fome perde a razão, topa tudo! Estamos segurando o Brasil, estou antevendo o problema sério do Brasil. Não quero falar que problemas são esses por que não quero que diguem que estou estimulando a violência. Mas teremos problemas sérios pela frente! E nós sabemos quem está provocando esses problemas. No Brasil, o Supremo decidiu que somos concorrentes. O que é isso? Eu, estados e municípios somos concorrentes. Eu, por exemplo, falo que nos sete estados da região Norte tem que ter um certo grau de isolamento e medida restritiva, um dos governadores dos sete estados fala não. Não concorda com o que o presidente está falando e tem que ser mais restritivo ainda. Então um estado tal toma medida mais restritiva que a minha e aí dentro do estado, um prefeito fala que não gostou da restrição do governador e tem que ser mais restritiva e o cara fecha tudo. Ou seja, quem decide não sou eu. É muitas vezes é um prefeito, que não interessa se tem 15 milhões ou 800 habitantes. Ele que decide! É o estado de sítio!”, reclamou.

64

Por fim, Bolsonaro deu a entender que o Brasil atual pode repetir o que aconteceu no ano de 1.964 e avisou que o “momento” não é para criticar as atitudes que vem sendo tomadas pelos generais e que eles estariam olhando tudo para saber agir na hora certa.

“Eu sou a pessoa mais importante neste momento. Faço o que o povo quiser. E digo mais, sou o chefe supremo das Forças Armadas, que acompanham o que está acontecendo. As críticas em cima de generais, não é o momento de fazer isso. Se um general errar, paciência! Vai pagar. Se eu errar, eu pago! Se alguém da Câmara dos Deputados errar, pague! Se alguém do Supremo errar, um ou dois, que paguem! Agora essa crítica de esculhambar todo mundo. Nós vivemos um momento de 64 a 85, você decida aí, pense o que achou daquele período. Não vou entrar em detalhes aqui”, destacou.

“Não vou mudar o meu jeito de ser. Não vou fugir do meu papel. O que você tem reclamado de [mim] como chefe do Executivo, estou fazendo a minha parte, obras com o [ministro da Infraestrutura] Tarcísio [Gomes de Freitas], com o [ministro do Desenvolvimento Regional] Rogério Marinho. As Forças Armadas ajudando o Brasil na questão das vacinas e tudo, o [ministro da Ciência e Tecnologia] Marcos Pontes se virando nos 30, buscando alternativas para nós termos a nossa própria vacina e o remédio um dia, por que ninguém fala que remédio é barato. Fala de vacina que é caro, né? E vacina é caro por que é bom e pra vida toda. Pra vida toda tendo mais vacina, né? Vacina, vacina, vacina, … de acordo com o prazo de validade”, finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)