ENFRENTANDO A CRISE: Médicos intensivistas de Brasília criticam nota do CRM-DF, que se posicionou contra fechamento do comércio adotado por Ibaneis Rocha
Em nota assinada pela diretoria da seccional do DF da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, profissionais responsáveis pelas internações em UTI afirmam que a restrição na circulação de pessoas adotada na capital federal foi “necessária”
( Publicada originalmente às 18h 00 do dia 03/03/2021)
(Brasília-DF, 04/03/2021) A regional de Brasília da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB-DF), que reúne os médicos responsáveis pelas internações nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), criticaram nesta quarta-feira, 03, a nota emitida pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), que se posicionou contra o fechamento do comércio adotado desde sábado, 27 de fevereiro, pelo governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), como uma forma de frear a propagação do novo coronavírus (covid-19) e evitar que o sistema de saúde da capital federal entre em colapso e não consiga efetuar mais atendimentos clínico-hospitalares.
A nota assinada pela diretoria da seccional do DF da AMIB afirma que a restrição na circulação de pessoas adotada em Brasília foi “necessária”. Segundo eles, a posição do CRM-DF “em nenhum momento” consultou a entidade dos profissionais intensivistas. A AMIB-DF diz entender as razões que fazem os empresários resistirem as medidas restritivas na circulação de pessoas, por estas serem “danosas” a economia. Mas reforçam que entidades ligadas à saúde deveriam mirar em objetivos para “garantir as melhores condições possíveis para salvar vidas diante da situação calamitosa em que nos encontramos”. Assim como, vê com preocupação dirigentes do CRM-DF se colocar contra as orientações de distanciamento social para evitar que mais vítimas venham padecer de covid.
“Entendemos que as medidas de restrição são penosas para boa parcela da sociedade, mas diante de mais de 4800 mortos até a presente data, com aumento progressivo de demanda por leitos e escassez de vagas de UTIs nos sistemas públicos e privados, a medida tomada pelo GDF foi necessária. O papel de setores da sociedade civil que defendem os interesses econômicos, muito importantes, é naturalmente contrário a quaisquer medidas restritivas que possam impactar no faturamento dos mais diversos setores produtivos. Entretanto, entendemos que o papel do CRM-DF deveria ser em prol de garantir as melhores condições possíveis para salvar vidas diante da situação calamitosa em que nos encontramos”, diz uma parte da nota emitida pela AMIB-DF.
“Outro destaque da nota refere-se ao pronunciamento do emissário da OMS, Sr. David Nabarro, em que supostamente teria colocado dúvidas do benefício das medidas de distanciamento social no combate à pandemia de Covid-19 sob suposta alegação de prejuízos econômicos. Esse trecho foi retirado do contexto original e foi realizado acerca de cenário completamente diverso do DF. O distanciamento social é medida com plausibilidade extrema na redução das taxas de infecção de doenças contagiosas. Esse conhecimento vem desde a idade média, quando marinheiros provenientes de locais com surtos de determinadas doenças eram proibidos de desembarcar, dando início ao conceito que hoje conhecemos como quarentena. Quanto menor a circulação de pessoas, entre elas infectados assintomáticos, menor será a disseminação do vírus para outros pacientes”, explicam.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)