31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

CRISE NA PANDEMIA: Contarato diz que Pazuello e Bolsonaro cometeram crime de responsabilidade ao fazer campanha para medicamentos como cloroquina, ineficazes para covid

Já a senadora Simone Tebet lamentou que o ministro da Saúde e o governo Bolsonaro neguem a ciência e que “estejamos perdendo esta guerra por incompetência e negacionismo”

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( Publicada originalmente às 17h 00 do dia 11/02/2021) 

(Brasília-DF, 12/02/2021) O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) afirmou nesta quinta-feira, 11, que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) devem ser processados tanto por crime de responsabilidade, quanto na esfera criminal, por ambos terem feito campanha e defendido “tratamento precoce” em favor de medicamentos como cloroquina e ivermectina, que de acordo com os estudos clínicos são ineficazes para o combate ao novo coronavírus (covid-19), que matou mais de 234 mil brasileiros.

Já a senadora Simone Tebet (MDB-MS) lamentou que o ministro da Saúde e todo o governo Bolsonaro neguem a ciência numa das maiores crises sanitárias em mais de um século e que “estejamos perdendo esta guerra [contra o covid-19] por incompetência e negacionismo”. Apesar de ser dura em seu pronunciamento, a emedebista não se manifestou sobre a necessidade tanto do ministro, quanto do presidente da República sofrerem processos por conta de suas gestões naquilo que deveria ser de combate a pandemia.

“Quando o senhor contraiu a doença, divulgou vídeo afirmando que já tinha iniciado o tal tratamento precoce. Aliás, o site do Ministério da Saúde tinha o chamado TrateCov, que estabelecia todas as formas direcionando o tratamento para cloroquina e ivermectina. O governo incentivou os cidadãos a fazer o mesmo. O senhor deve ser responsabilizado criminalmente, assim como o presidente da República, porque estimularam aglomerações, o não distanciamento social seguro, a não utilização de máscaras e ainda por cima estimularam o uso de medicação sem nenhuma comprovação científica”, disparou o senador capixaba.

“Eu fico imaginando que quanto mais grave, mais desconhecido, mais letal o inimigo, maior a necessidade de estratégia e de tática para vencê-lo. E nós estamos falando de um inimigo mortal. Nós estamos falando do Coronavírus. Quando vossa excelência tomou posse, vossa excelência veio, embora não sendo da área, como um exímio estrategista, que sabe e entende de planejamento. E isso é incontestável. Ocorre que, apesar disso, o que nós vimos nos últimos meses é a total falta de estratégia e mesmo de tática, para que pudéssemos vencer essa pandemia, e não por falta de bons soldados, não por falta de bons generais ou comandantes. Nós tínhamos e temos os melhores comandantes e generais. Na linha de frente, sr. ministro, está a ciência, a ciência que foi negada por este governo. E contra fatos não há argumentos”, complementou a senadora sul-mato-grossense.

Simone Tebet participou virtualmente da sessão desta tarde

Mais críticas

Contarato apontou ainda os riscos do “tratamento precoce” para a saúde e também observou o caráter negacionista adotado pelo governo federal contra uma doença letal. Tebet, por sua vez, repetiu que o atual governo federal infelizmente nega à ciência, assim como agiu de maneira equivocada na condução do enfrentamento do novo coronavírus.

“É um governo negacionista. Estão aqui: 1,5 milhão de comprimidos de cloroquina estocados em Guarulhos (SP). O Ministério da Saúde utilizou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a produção de quatro milhões de comprimidos de cloroquina, além de Tamiflu. O tratamento precoce mata”, completou Contarato.

“Por fim, ministro, eu gostaria apenas de dizer que, se nós estamos perdendo esta guerra, é, sim, por incompetência de todos nós. É incompetência e é negacionismo. Por quê? Porque no mundo, nos países em que mais houve contágio, em que mais houve mortalidade, hoje já estão vacinando, mas não porque têm um sistema de imunização como o nosso, mas porque fizeram o dever de casa, contrataram os insumos logo no amanhecer das primeiras vacinas. Nós, não. Nós esperamos a segunda onda, que já matou mais de 210 mil brasileiros”, atacou a emedebista.

“Portanto, a minha palavra final, sr. ministro: a vida afirmativa, não a vida negada, exige a resposta do Ministério da Saúde. E nós estamos aqui, neste momento, para dizer ao Ministério do Governo Federal que o que quer que precise do Congresso Nacional nós estamos prontos, como estivemos em 2020. Mas não podemos negar o fato de que o governo se equivocou, de que o Governo negou esta pandemia e de que, agora, nós não podemos responsabilizar mais ninguém a não ser o próprio governo federal”, finalizou a senadora Simone Tebet.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)