Após STF autorizar defesa de Lula acesso as conversas vazadas da Lava Jato, Moro afirma que “nenhuma das mensagens retrata incriminação indevida de algum inocente”
Petistas comemoraram a decisão da Suprema Corte e destacam opinião de um dos mais importantes cientistas políticos da América Latina, publicada no “New York Times” sobre “o desairado fim da Lava Jato”
( Publicada originalmente às 22h 00 do dia 09/02/2021)
(Brasília-DF, 10/02/2021) Após a maioria da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar os advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a terem acesso as conversas vazadas entre os procuradores da operação Lava Jato, o ex-juiz federal Sérgio Moro afirmou, por meio de nota, que “nenhuma das supostas mensagens retrata incriminação indevida de algum inocente”.
A declaração de Moro acontece logo após quatro dos cinco ministros votarem a favor ao compartilhamento das mensagens com os advogados do ex-presidente. Votaram pelo compartilhamento os ministros Gilmar Mendes, Carmén Lúcia, Kássio Nunes Marques e Ricardo Lewandówski. Apenas o ministro Edson Fachin votou contra o pedido impetrado pelos advogados de Lula.
Algumas das referidas mensagens fazem parte do inteiro teor de uma parte que veio a público com a revelação em reportagens publicadas no site “The Intercepte” obtidas após o material ter sido obtido pelo veículo de comunicação, que mostravam o modus operandis da Lava Jato, com muitas vezes o então juiz Moro dizendo aos procuradores como agir durante os processos contra o ex-presidente.
“Sobre o julgamento da 2ª Turma do STF que, por maioria, liberou o acesso das supostas mensagens obtidas por meios criminosos à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a Operação Lava Jato foi um marco no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Brasil e, de certo modo, em outros países, especialmente da América Latina, colocando fim à generalizada impunidade destes crimes; a Operação Lava Jato foi um trabalho institucional, envolvendo todo o sistema de Justiça e órgãos acessórios. Também exigiu uma grande dose de sacrifício pessoal dos indivíduos que nela atuaram; lamenta-se que supostas mensagens obtidas por violação criminosa de dispositivos de agentes da lei possam ser acessadas por terceiros, contrariando a jurisprudência e as regras que vedam a utilização de provas ilícitas em processos; nenhuma das supostas mensagens retrata fraude processual, incriminação indevida de algum inocente, sonegação de prova, antecipação de julgamento, motivação político-partidária, quebra da imparcialidade ou qualquer ato ilegal ou reprovável”, se expressou o ex-juiz Sérgio Moro.
Já entre os petistas, a decisão do STF foi comemorada, com muitos deles destacando a opinião de um dos mais importantes cientistas políticos da América Latina, Gaspard Estrada, publicada na edição desta terça-feira, 09, do jornal norte-americano “New York Times”, um dos mais respeitados veículos do mundo, abordando “o desairado fim da Lava Jato”, que, segundo ele, demonstrou que a referida operação “se vendia como a maior operação anticorrupção do mundo, mas que se tornou no maior escândalo judicial da história”.
A afirmação feita por Estrada foi repetida até pelo ministro Gilmar Mendes e pelo jornalista Reinaldo Azevedo, ambos críticos severos as gestões petistas.
“É preciso colocar isto com muita clareza. Por que de novo digo, ou nós estamos diante de uma obra ficcional fantástica, que merece o nobel de literatura, ou nós estamos diante de um caso extravagante, que este colunista do New York Times tem razão de dizer: é o maior escândalo judicial da história da humanidade”, afirmou o ministro Gilmar Mendes.
“4 a 1 pelo compartilhamento dos arquivos da Spoofing. Com Carmen! As falácias foram vencidas. Triunfa o devido processo legal. Um não aos crimes para combater crimes”, comentou Reinaldo Azevedo em sua conta no twitter.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)