MUDANÇAS : Após Mesa Diretora da Câmara decidir ocupar tradicional espaço destinado a jornalistas, parlamentares da oposição tentam desfazer decisão
Se manifestaram contrários a deliberação os deputados José Guimarães e Fernanda Melchiona; jornalistas ocuparão espaço no subsolo a partir de quinta-feira, 11, e novo presidente da Casa não precisará passar por profissionais da imprensa após sessões
( Publicada originalmente às 18h 45 do dia 09/02/2021)
(Brasília-DF, 10/02/2021) Após a Mesa-Diretora da Câmara dos Deputados decidir ocupar o tradicional espaço destinado a jornalistas, parlamentares da oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentam desfazer a decisão e pressionam para que o novo presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), não desaloje os profissionais de imprensa já na próxima quinta-feira, 11.
Se manifestaram contrários a deliberação os deputados José Guimarães (PT-CE), líder da minoria na Câmara, e a deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS), líder daquela legenda na Casa. De acordo com a decisão da Mesa-Diretora os jornalistas ocuparão um espaço no subsolo, abaixo do plenário Ulysses Guimarães, em invés de se localizarem aos fundos do local onde acontece as deliberações mais importantes da Casa.
Com a decisão, o novo presidente da Casa não precisará mais passar por profissionais da imprensa após o encerramento das sessões. Isso por que o referido local tem acesso também a área externa onde os parlamentares entram em seus carros com destino às suas residências, ou para outros encontros previstos, ou não, em suas agendas.
“Todo meu apoio à luta pela permanência do comitê de imprensa no seu local na Câmara dos Deputados. A atuação desses jornalistas enriquece a produção legislativa de nossa casa, além de garantir transparência. Por isso, imprensa fica e Câmara sem mordaça”, comentou o petista Guimarães nas suas redes sociais.
“É grave a atitude autoritária de Lira de mandar jornalistas para o subsolo e acabar com o local onde fica o atual comitê da imprensa! É típico do bolsonarismo atacar o livre exercício do trabalho de jornalistas e cercear a liberdade de imprensa! Imprensa fica e Câmara sem mordaça”, complementou a deputada Melchiona.
“Decisões sem justificativas que dificultem o trabalho da imprensa não ajudam a democracia nem a transparência que o Parlamento deve ter. Cabe a nós parlamentares reforçar o papel da imprensa na democracia em meio a esta onda de retrocessos trazidas pelo governo Bolsonaro. Imprensa fica”, se manifestou a ex-líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC).
O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) se manifestou no plenário Ulysses Guimaães e questionou se a decisão de transferência dos jornalistas era definitiva. Arthur Lira afirmou que a decisão administrativa já estava tomada.
Kataguiri está coletando assinaturas em um ofício que será enviado à Mesa Diretora. Ele defende, no documento, a permanência do comitê onde hoje se encontra. “A Câmara dos Deputados é um dos órgãos mais democráticos do Brasil. Aqui, nada deveria ser feito de forma secreta.”
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)