31 de julho de 2025
Brasil e Poder

OCUPANDO ESPAÇOS: Após acordo com Lira que garantiu CCJ aos deputados bolsonaristas do PSL, Fernanda Melchiona, do Psol, diz que concorrerá ao cargo

Entretanto, o novo presidente da Casa, Arthur Lira, vetaria o nome de Bia Kicis, aprovado pelos bolsonaristas do PSL, e estaria articulando o nome da piauiense Margareth Coelho, caso os bolsonaristas insistam parlamentar do DF

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( Publicada originalmente às 16h 00 do dia 03/02/2021) 

(Brasília-DF, 04/02/2021) Após fazerem um acordo com o novo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), que garantiu a Ciomissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aos deputados bolsonaristas do PSL, a deputada do PSOL, Fernanda Melchiona (RS), anunciou nesta quarta-feira, 03, que também concorrerá ao cargo contra a deputada Bia Kicis (PSL-DF), escolhida pela ala de parlamentares do PSL para assumir o comando do principal colegiado de uma Casa legislativa.

Entretanto, informação de bastidores, reveladas pelo site “O Antagonista”, informa que Arthur Lira estaria insatisfeito com a escolha dos deputados bolsonaristas do PSL em indicar a ex-procuradora do Ministério Público de Brasília (MPDFT) para ocupar o posto. De acordo com o apurado pelo site, Lira vinculara o acordo com a bancada de apoiadores do presidente brasileiro, filiados ao ex-partido de Bolsonaro, a um nome moderado.

Bia Kicis é uma das parlamentares que mais se utiliza de seus perfis nas redes sociais para defender tudo que o presidente Bolsonaro faz. Por isso, ela classificada como extremista e radical. Inclusive, viralizou um vídeo compartilhado por ela ensinando aos que não gostam de usar máscaras de proteção facial, utilizada para evitar a propagação do novo coronavírus, disfarçar o seu uso portando sempre uma garrafa de água.

A indicação pela ala bolsonarista do PSL de tentar fazer Bia Kicis presidente da CCJ assustou alguns aliados de Lira, nos partidos do “centrão”, que lhe garantiram 302 votos na última segunda-feira, 1º de fevereiro. Em virtude disso e alegando quebra de acordo, por parte dos bolsonaristas, o alagoano já estaria articulando o nome da deputada Margareth Coelho (PP-PI), aliada do senador Ciro Nogueira (PP-PI), para ocupar a cadeira da principal comissão da Casa, onde todos os projetos são analisados pelo crivo da constitucionalidade das matérias.

Evitar o obscurantismo

Para tentar evitar a eleição de Bia Kicis, a deputada Melchionna disse que sua candidatura avulsa à presidência da CCJ será para contrapor a indicação do nome de uma parlamentar, que, segundo ela, flerta com sentimentos antidemocráticos e já defendeu o uso das Forças Armadas para promover uma intervenção militar, inclusive fechando o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Bia Kicis, negacionista de carteirinha, que rejeita o uso de máscara e que comemorou o fim do lockdown em Manaus dias antes da falta de oxigênio, deveria estar sendo investigada no Conselho de Ética por sabotagem ao combate à pandemia [por ter cometido] crimes contra a verdade, e portanto, contra o país. Serei candidata avulsa para a presidência da CCJ por que é inadmissível que essa seja presidida por uma obscurantista e temos que impedir que Bolsonaro siga fazendo da Câmara um puxadinho do Palácio do Planalto”, afirmou a deputada gaúcha do PSOL destacando que a CCJ exige equilíbrio, uma qualidade impossível, segundo ela, de encontrar em Bia Kicis, uma parlamentar pertencente a extrema-direita.

Já a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC), frisou que a CCJ não pode ser presidida por parlamentares que defendem a prática da tortura e se posiciona a favor de uma ditadura no lugar da democracia que o país possui desde outubro de 1.988, quando foi promulgada a sétima carta magna pátria apelidada pelo ex-presidente da Câmara à época, o falecido Ulysses Guimarães (MDB-SP), de “Constituição cidadã”.

“Não podemos ter na presidência da comissão mais importante da Câmara, quem defende torturadores e apoia movimentos que pedem o fechamento dos Poderes da República”, comentou a líder comunista nas suas redes sociais.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)