Em confraternização com apoiadores, Bolsonaro xinga a imprensa, diz que Dilma, em 2.014, comprou mais leite condensado do que ele e que não teme impeachment
Com linguajar vulgar, presidente brasileiro garantiu que “absolutamente nada” interromperá seu mandato e que pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de dois milhões de pessoas no mundo, “pode ser fabricada, nos atingiu”
( Publicada originalmente às 16h30 do dia 27/01/2021)
(Brasília-DF, 28/01/2021) O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se irritou nesta quarta-feira, 27, ao comentar a repercussão da divulgação dos dados que apontaram um gasto do seu governo de mais de R$ 15 milhões em apenas compra de latas de leite condensado durante o ano de 2020. Disparando impropérios e xingamentos à imprensa, ele tentou justificar a informação de que sua gestão gastou mais de R$ 1,8 bilhão em produtos alimentícios em 2.020, que foi noticiada inicialmente pelo portal “Metrópoles” nessa última terça-feira, 26.
A fala de Bolsonaro aconteceu durante uma confraternização numa churrascaria de Brasília, em que se encontrava com apoiadores e diversos integrantes do governo, como o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Na oportunidade, o presidente xinga a imprensa, diz que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2.014, comprou mais leite condensado do que ele e que não teme sofrer um processo de impeachment, que pode afastá-lo do cargo. Atualmente encontram-se em análise 64 pedidos que querem o seu afastamento, sobretudo devido a sua condução no combate a pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 218 mil pessoas só no Brasil.
Segundo ele, a pandemia pode ter sido “fabricada” com o intuito de atingir a progressão do seu governo e de demais governos pelo planeta. Aos gritos de “mito”, proferidos por seus apoiadores, Bolsonaro afirma que “absolutamente nada” resultarão os inúmeros pedidos de impeachment apresentado, de acordo com ele, pelos partidos de oposição e também pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“E quando eu vejo a imprensa me atacar, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado vai para a puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí. Vocês não, vocês da imprensa [com] essa lata de leite condensado. Não é para Presidência da República essa compra de alimentos, até por que a nossa fonte é outra. [inaudível… é] para alimentar 370 mil homens do Exército Brasileiro e também programas de alimentação via Ministério da Cidadania, também alimentação via Ministério da Educação, entre tantos e tantos outros. Essas acusações levianas não levam a lugar nenhum”, iniciou o presidente em discurso furioso.
“E se me acusam disso é sinal que não tem do que me acusar. Me acusam de ter comprado R$ 4 milhões de chicletes e quem já esteve no Exército, já teve um catanho. Pessoal, sabe o que é catanho? Quem serviu, [sabe]. Tem um chicletinho lá dentro. Isso não é mordomia, não é privilégio e deixar bem claro, amanhã na live, junto com o ministro Wagner Rosário, da CGU, vamos demonstrar tudo isso. Inclusive, que em 2.014, a Dilma comprou mais leite condensado do que eu. [vídeo cortado] Quis o destino que uma pandemia, que pode ser fabricada, nos atingiu no início do ano passado. Nós continuaremos nessa cadeira até o final de 2.022 tenham certeza disso. Não adianta falar aqui que tem 40 processos de impeachment, Roberto Jefferson, se juntar todos, não dá nada. Absolutamente nada! Propostos por partidos de esquerda como PT, PCdoB, PSOL, ou até mesmo a OAB não levam a lugar nenhum, a não ser para causar transtorno e tentação na sociedade”, complementou num vídeo disponiblizado na conta do jornalista Sam Pancher, que contou ter tido acesso a parte da confraternização presidencial numa churrascaria da capital federal.
Resposta
Um dos primeiros a responder ao discurso de fúria de Bolsonaro contra a imprensa foi o ex-líder do PT, deputado Paulo Pimenta (RS), que também num linguajar vulgar fez xingamentos direcionados ao presidente brasileiro.
“Escroto, covarde, bandido miliciano, acha que com ofensas vai intimidar a imprensa e a todos nós que investigamos e denunciamos as safadezas dele e da família. Bolsonaro: o futuro de vocês é Bangu 8!”, exclamou o petista gaúcho.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)