31 de julho de 2025
Brasil e Poder

Após se reunir com parlamentares do PSL para arregimentar apoio a Arthur Lira no comando da Câmara, Bolsonaro fala em “influir na presidência da Câmara”

Ex-líder do governo, Vítor Hugo afirma que o PSL dará 50 votos ao parlamentar alagoano na eleição da próxima segunda-feira, 1º de fevereiro; após encontro com Guedes, presidente diz que estuda zerar impostos para evitar greve de caminhoneiros

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( Publicada originalmente às 14h30 do dia 27/01/2021) 

(Brasília-DF, 28/01/2021) Após se reunir com parlamentares do PSL para arregimentar apoio ao líder do PP, deputado Arthur Lira (AL), que tenta suceder o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) no cargo de presidente da Câmara a partir de 2 de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira, 27, que espera que com o parlamentar alagono no comando daquela casa legislativa, ele possa “influir na presidência da Câmara”.

A declaração de Bolsonaro aconteceu quando ele ao sair das dependências do Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência da República, gravara um vídeo, junto com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), em meio a alguns populares, apoiadores e militantes, que tradicionalmente se acomodam nos jardins daquele local para conseguir falar com o presidente, ou pelo menos tirar uma foto e gravar vídeos sobre diversos temas.

“Viemos fazer uma reunião aí com 30 parlamentares do PSL e vamos, se deus quiser, participar, influir na presidência da Câmara, com estes parlamentares, de modo que possamos ter um relacionamento pacífico e produtivo para o nosso Brasil. (…) Foi encontro político, tratando de eleição de Mesa. Esse pessoal que foi lá é o pessoal que está do nosso lado do PSL”, declarou o presidente.

PSL é Lira

O sentimento de Bolsonaro é o mesmo de dois parlamentares da legenda que elegeu o presidente em 2.018 e que, por conta de disputas com a direção do partido, decidiu deixar a agremiação partidária ainda em 2.019, com a promessa de se filiar a um novo partido que seria criado, Aliança pelo Brasil, que ainda não conseguiu sair do papel. Bolsonaro diz que escolherá até março qual partido ele decidirá se filiar para tentar buscar a reeleição em 2.022.

Se pronunciaram assim o depútado Bibo Nunes (PSL-RS), e o ex-líder do governo na Câmara, deputado Vítor Hugo (PSL-GO), que afirmou ainda que 50 dos 53 deputados do PSL votaram em Arthur Lira na próxima segunda-feira, 1º de fevereiro.

“Vou reunir com eles [do PSL] novamente para discutir questão partidária porque não vou, eu, ir para um partido e depois falar para eles 'oh, fui em tal partido'. Quero participar com eles nesta construção de qual partido nós iremos a partir de março”, complementou o presidente.

“Nós tivemos um café da manhã com o presidente. Um excelente café da manhã. [Estamos] muito otimistas para 2.021 e nós 36 deputados do PSL temos a indicação para a Mesa Diretora de nosso grande amigo Vítor Hugo. Ele estará representando o nosso grupo na Mesa Diretora para o melhor da Câmara e do Brasil”, completou o parlamentar gaúcho do PSL.

“A posição do PSL está consolidada em torno do Arthur e isso vai ser muito bom para o país, muito bom para as pautas que precisamos avançar como a reforma tributária, administrativa e tantas outras pautas importantes que ficaram paradas na presidência atual”, destacou o pesselista goiano.

 

Greve dos caminhoneiros

Depois da reunião com os deputados do PSL, Bolsonaro foi ao Ministério da Economia, onde se encontrou com o ministro responsável pela pasta, Paulo Guedes, para, segundo ele, conversar sobre algumas medidas que estão em análise como zerar os impostos federais sobre os combustíveis para que o governo possa evitar a greve dos caminhoneiros, agendada para a próxima segunda-feira, 1º de fevereiro, por algumas entidades representativas do segmento.

“Reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia do Brasil. Apelamos para eles que não façam greve, que todos nós vamos perder. Todos, sem exceção. Agora, a solução não é fácil. Estamos buscando uma maneira de não ter mais este reajuste", afirmou Bolsonaro ao sair do Ministério da Economia nesta quarta-feira (27), em referência ao aumento no preço do combustível. (…) Você vai causar um transtorno na questão da economia. Estamos vivendo uma época de pandemia. Olha o que nós passamos no ano passado, estamos passando ainda”, disse Bolsonaro à imprensa que faz plantão na porta dos Ministérios.

“Estamos tratando. A Petrobras segue uma planilha, tem a ver com o preço do petróleo lá fora, tem a ver também com variação do dólar –ontem foi uma boa notícia, o dólar baixou R$ 0,20. Estamos estudando medidas (…) Agora, não tenho como dar uma resposta de como diminuir o impacto que, na verdade, foram R$ 0,09 no preço do diesel. Mas, para cada centavo no preço do diesel, que porventura nós queremos diminuir, no caso, PIS/Cofins, equivale buscarmos em outro local R$ 800 milhões. Então, não é uma conta fácil de ser feita. (…) Os impostos federais, eu estou pronto para zerar, a gente vai para o sacrifício, mas gostaria que o ICMS acompanhasse também esta diminuição”, falou.

 

Críticas a Dória

Na oportunidade, Bolsonaro aproveitou ainda para disparar críticas contra o governador de São Paulo (SP), João Dória (PSDB), por ele aumentar os impostos estaduais que incidem sobre os motoristas e também ao prefeito de Belo Horizonte (MG), Alexandre Kalil (PSD), por eles terem adotado medidas restritivas na circulação de pessoas, para evitar um volume ainda maior de contaminados pelo novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de 218 mil brasileiros, e levar o sistema de saúde ao colapso, como aconteceu recentemente em Manaus (AM).

“Por que tem um estado, que ao fechar tudo a partir das 20h, sábado e domingo também, atinge diretamente o coração de garçons, donos de bares, donos de eventos. Bem como o mesmo problema está acontecendo na capital BH. (…) Eu apelo a todo chefe de governo, estado, município que não vão para um lockdown porque também atrapalha e o Brasil não tem para onde correr mais. Nossa dívida interna está na casa dos R$ 5 trilhões. Nossa capacidade de endividamento tem um limite. E nós temos que botar a economia para funcionar”, finalizou o presidente à imprensa plantonista no Ministério da Economia.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)