FMI NA PANDEMIA: Estudo de economistas do FMI destaca posições do mercados com o efeito das vacinas e expectativas de retomada; é destacado que é necessário ainda manter “auxílios”
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( Publicada originalmente às 11h30 do dia 27/01/2021)
(Brasília-DF, 28/01/2021) O Fundo Monetário Internacional(FMI) divulgou nesta quarta-feira, 27, em seu blog uma avaliação feitas por dois economistas. Tobias Adrian é o Conselheiro Financeiro e Diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI e Fabio M. Natalucci é Subdiretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais afirmando que ss riscos para a estabilidade financeira vêm sendo controlados até agora, mas não se poder dar isso como garantido. Os preços das ações, títulos privados e outros ativos de risco voltaram a subir após as notícias sobre o lançamento das vacinas. Os mercados financeiros não se abalaram com o aumento do número de casos de Covid-19, apostando que a continuação das políticas de apoio compensará qualquer má notícia econômica no curto prazo e será uma ponte para o futuro.
O texto dia que “vários analistas e investidores continuam a manifestar a preocupação de que parece haver um descompasso entre o valor real dos ativos de risco, como ações e títulos privados, e seu valor de mercado. Por exemplo, apontam para desalinhamentos entre os preços (muito elevados) nas bolsas e as avaliações implícitas nos fundamentos econômicos (ainda fracos), sobretudo quando se consideram as grandes incertezas econômicas.”
O trabalho dos economistas do FMI dizem que “avaliações atuais do mercado podem ser explicadas se for considerado o ambiente de juros “mais baixos por mais tempo”.
Eles destacam que a volatilidade nos mercados acionários, medida pelo S&P500 VIX — um barômetro do sentimento do mercado —, ainda está relativamente alta e poderia ser menor se, de fato, fosse o caso de exuberância por parte dos investidores. Considerações semelhantes sobre o apoio das políticas públicas foram feitas em relação aos mercados de crédito.
Seria o auxílio emergencial no Brasil
No trabalho dos econômicas eles destacam que as políticas de apoio continuam a ser cruciais
As autoridades devem salvaguardar o progresso feito até aqui e tirar partido do lançamento das vacinas para retomar o crescimento sustentável, preservando a política monetária acomodatícia, assegurando o apoio à liquidez em benefício de famílias e empresas e mantendo os riscos financeiros sob controle.
O estudo diz que “reduzir ou retirar o apoio a esta altura poderia comprometer a retomada da economia mundial.”
“Embora, por enquanto, não haja alternativa ao apoio contínuo da política monetária, são legítimas as preocupações em torno da assunção de riscos excessivos e da exuberância do mercado. Essa situação cria um dilema difícil para as autoridades. Por um lado, precisam manter condições financeiras brandas para proporcionar uma ponte para as vacinas e a retomada da economia. Por outro, também precisam salvaguardar o sistema financeiro contra as consequências imprevistas de suas políticas, sem se desviar dos seus mandatos.”, diz o estudo.
O documento diz mais:
“Com os investidores apostando no respaldo persistente da política econômica, uma sensação de complacência parece permear os mercados. Combinada com a visão obviamente uniforme dos investidores, ela aumenta o risco de uma correção dos mercados ou de uma “reprecificação”. Uma correção brusca e acentuada dos preços dos ativos, por exemplo, como resultado de um aumento persistente dos juros, provocaria um aperto das condições financeiras. Isso poderia interagir com as vulnerabilidades financeiras já existentes, gerando repercussões sobre a confiança e pondo em risco a estabilidade macrofinanceira.
Os riscos para a estabilidade financeira estão sob controle até o momento, mas é preciso agir para enfrentar as vulnerabilidades expostas pela pandemia. Entre elas, destacam‑se o aumento da dívida empresarial, as fragilidades no setor das instituições financeiras não bancárias, o aumento da dívida soberana, as preocupações quanto ao acesso aos mercados em algumas economias em desenvolvimento e a diminuição da lucratividade em alguns sistemas bancários.
As autoridades precisam aproveitar o momento para salvaguardar a estabilidade financeira, adotando medidas macroprudenciais (por exemplo, ao intensificar o rigor da supervisão e vigilância macroprudencial, com testes de estresse direcionados nos bancos e ferramentas prudenciais no caso dos mutuários altamente alavancados) e desenvolvendo novas ferramentas conforme necessário. Por exemplo, as autoridades estão avaliando se a estrutura macroprudencial para instituições financeiras não bancárias precisaria ser fortalecida para abordar os pontos fracos que se tornaram evidentes durante a turbulência de março.
O combate às vulnerabilidades por meio dessas políticas é crucial para evitar pôr em risco o crescimento econômico e para impedir que a instabilidade financeira cause transtornos à economia mundial.”, finaliza.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)