VACINAS: Bolsonaro, em evento para empresários, diz que governo federal concorda que empresários importem vacinas, independente do PNI; AstraZeneca diz que doses só poderão ser comercializadas com governos
O ministro da Economia, Paulo Guedes, que acompanhou a reunião, afirmou que caso o país decida em manter o auxílio emergencial para os mais vulneráveis, governo terá que fazer cortes em diversas áreas
( Publicada originalmente às 15h52 do dia 26/10/2021)
(Brasília-DF, 27/01/2021) Em evento virtual realizado nesta terça-feira, 26, com empresários que estão participando do Fórum Econômico Mundial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o governo federal concorda com que empresários possam importar vacinas, independente do Plano Nacional de Imunização (PNI), desde que metade da aquisição feita pelo setor privado seja doado ao Ministério da Saúde.
Entretanto, em nota, a empresa farmacêutica AstraZeneca, que vem produzindo a vacina em parceria com a universidade inglesa de Oxford, e que no Brasil será fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as doses da referida vacina só poderão ser comercializadas pela empresa com governos e entidades que tenham como objetivo organizar a vacinação junto as populações mais pobres do planeta.
“Prezado José Olimpio Pereira, presidente da Credit Suisse, bom dia! Meus ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Paulo Guedes, da Economia, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, Almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos, empresários e investidores do Brasil e de demais países da América Latina e do Mundo”, iniciou o presidente.
“E, concluo, sobre a vacina, sempre disse, que qualquer vacina, uma vez aprovada pela Anvisa, ela seria comprada pelo governo federal. Só no ano passado assinamos uma Medida Provisória destinando crédito de R$ 20 bilhões para as vacinações e elas, agora, tornam uma realidade para nós. (…) O governo federal é favorável a esse grupo de empresários para levar avante sua proposta para trazer vacina para cá, a custo zero, para o governo federal, para imunizar 33 milhões de pessoas. No que puder essa proposta ir à frente, nós estaremos estimulando porque, com 33 milhões de doses de graça, ajudaria e muito a economia e para aqueles que queiram se vacinar o façam para ficar livre do vírus”, complementou Bolsonaro
Fake news presidencial
Na conversa com os empresários em que Bolsonaro reforçou os compromissos do atual governo brasileiro de privatizar diversas empresas públicas, o presidente afirmou, ainda, de maneira equivocada e errônea, a informação de que o Brasil é “o sexto país que mais vacinou no mundo”.
De acordo com a universidade de Oxford, o Brasil é apenas a 16º nação que mais vacinou, em números absolutos, contra o novo coronavírus (covid-19), que já matou mais de dois milhões de seres humanos em todo o planeta e mais de 217 mil habitantes no país.
“Brevemente estaremos nos primeiros lugares para dar mais conforto a população, segurança a todos e de modo que a nossa economia não deixe de funcionar”, completou Bolsonaro acreditando na informação errada de que o Brasil é o sexto, no mundo, que mais vacina entre os paíes.
Auxílio X cortes
Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, que acompanhou a reunião, afirmou que caso o país decida em manter o auxílio emergencial para os mais vulneráveis, neste 2.021, o governo federal terá que fazer cortes em diversas áreas, sobretudo na educação e em segurança pública.
“Você não pode ficar gritando guerra toda hora. Nós temos que ter muito cuidado! Quer criar o auxílio emergencial, de novo? Tem que ter muito cuidado! Pensa bastante. Por que se fizer isso, não pode ter aumento automático de verbas para a educação, para segurança pública. Se apertar o botão ali, vai ter que travar o resto todo”, emendou Guedes.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)