SUCESSÃO NO SENADO: Rodrigo Pacheco diz que senadores prorrogarão o auxílio emergencial, ou incrementarão o Bolsa Família, com responsabilidade fiscal
Atual líder do DEM naquela Casa legislativa, o senador mineiro que conta com apoio de Bolsonaro ao PT para se eleger falou, ainda, que mesmo sendo contra algumas pautas bolsonaristas não imporá sua vontade sobre elas e que maioria decidirá
( Publicada originalmente às 18h 30 do dia 21/01/2021)
(Brasília-DF, 22/01/2021) Candidato à presidência do Senado, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) afirmou nesta quinta-feira, 21, que os senadores, logo no início do próximo mês de fevereiro, prorrogarão o auxílio emergencial destinado aos trabalhadores autônomos e informais, que devido a pandemia do novo coronavírus (covid-19) proporcionou uma perda nas suas rendas, ou incrementarão o programa Bolsa Família. Segundo ele, isso acontecerá respeitando a premissa da responsabilidade fiscal e da política constitucional de controle aos gastos públicos.
Atual líder do DEM naquela Casa legislativa, o senador mineiro que conta com apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem Partido) aos senadores do PT, destacou que assim que o Senado da República decidir quem será o próximo presidente no biênio 2021-2022, o tema da prorrogação do auxílio emergencial será tratado pelos colegas. “É preciso que o Estado tenha atenção a isso. Então, o Estado terá que agir de alguma forma para poder remediar a situação desses mais necessitados, desses mais vulneráveis”, anunciou.
“Isso poderá se dar através de algum programa assemelhado de assistência social, ou no incremento do Bolsa Família, mas isso tudo será discutido pelos senadores, que de imediato, no início de fevereiro, em conjunto com o Ministério da Economia para saber a matemática possível de poder compatibilizar esses dois preceitos, que é [sic] a responsabilidade fiscal e a obediência ao teto de gastos, com a necessidade de socorrer, quanto mais possíveis, as pessoas que estão vulnerabilizadas pela pandemia”, informou.
Segurança sanitária
Pacheco falou também que as sessões presenciais do Senado, caso ele seja eleito, só retornarão após uma junta de médicos sanitaristas e infectologistas atestarem que o retorno das atividades naquela Casa poderão acontecer num ambiente de estrita segurança sanitária. Ele não quis dar uma data de quando isso acontecerá, mas também não quis vincular a volta ao normal com a imunização dos parlamentares, servidores, colaboradores e dos profissionais de imprensa.
“Na verdade, eu prefiro dizer depois do retorno das atividades presenciais. Aí sim se instalará o Conselho de Ética, como também as comissões temáticas permanentes da Casa. Obviamente nós vamos ouvir os especialistas, os infectologistas e ter toda segurança sanitária para o retorno das atividades presenciais do Senado. É o que eu vou procurar a fazer a todo o instante, que é buscar, sem atropelos, sem forçar a barra como diz na linguagem popular, para que se volte a qualquer custo”, se manifestou.
Ampla aliança
Na oportunidade, ele também explicou o por que que sua candidatura envolve uma ampla aliança que vai de parlamentares bolsonaristas da extrema-direita a parlamentares filiados aos partidos de esquerda. Segundo ele, isso demonstra que sua eventual futura gestão a frente do Senado tem como objetivo “construir uma pauta comum, de essência comum e para o bem dos brasileiros”.
“De fato no dia 24 de dezembro fizemos uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do presidente Davi Alcolumbre, e ali tratamos da sucessão e quero apenas informar, que a [minha] candidatura é uma candidatura do Senado Federal. Pertence aos senadores e as senadoras. E houve uma manifestação de simpatia por parte do presidente da República a essa nossa candidatura, como também houve o apoio do PT, do PDT, de partidos de oposição”, argumentou.
“Então, repito: essa é uma sinalização muito positiva por que nós vamos poder construir uma pauta comum, de essência comum e para o bem dos brasileiros. Todo mundo quer gerar empregos. Todo mundo quer ver o desenvolvimento da nossa indústria, todo mundo quer ver reformas que são importantes para corrigir distorções e combater privilégios. Então essa é uma pauta comum que não nós temos que apartar as divergências, diminuir os atritos e seguir adiante no Senado Federal”, explicou.
Pauta bolsonarista
Na sequência, o senador mineiro frisou que mesmo sendo contra algumas pautas bolsonaristas não imporá sua vontade sobre elas e que maioria daquela Casa legislativa decidirá se cabe pautar matérias, ou não. Independentemente das suas próprias convicções.
“Isso [projeto de liberação de armas de fogo] já foi objeto de deliberação há dois anos sob a gestão do presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) e, obviamente, que no colégio de líderes, havendo a pretensão de senadores para que essa pauta possa ser discutida, terá todo campo de abertura para que seja discutida essa e outra pauta no âmbito do Senado Federal e não havendo consenso, que se estabeleça aquilo que mais cabe na democracia, que é a vitória da maioria”, sinalizou.
“O fato é que eu não imporei as minhas convicções sobre este tema ao colégio de líderes, ou aos senadores. Nós vamos discutir essas e outras pautas para saber se será pautado, ou não. A minha posição pessoal, inclusive, já externada em votações no Senado Federal é de que a posse da arma de fogo para proteção do cidadão e da sua família, com critérios psicotécnicos, de antecedência [criminais] da pessoa, é algo totalmente tolerável e aceitável dentro da sociedade. Houve, inclusive, um projeto de alargamento do conceito do domicílio para a posse de arma no meio rural, também aqui apreciado no Senado Federal”, complementou.
“Há a situação dos colecionadores, atiradores e caçadores, os cacs, que podem ser eventualmente sendo aptos a manusear armas de fogo, podem ter algum tipo de flexibilização, neste sentido, mas quanto ao porte de armas de fogo, eu tenho as minhas restrições de que se armar a população, com a quantidade de violência que nós temos, é algo que eu sou definitivamente contra. Mas não imporei qualquer vontade minha, ou qualquer percepção pessoal a um colegiado. Isso será de ser deliberado pela maioria do Senado no momento oportuno”, completou.
Voto impresso
Por fim, no mesmo sentido das pautas de matérias conservadoras, Rodrigo Pacheco abordou como será sua relação com o lobby que o presidente Bolsonaro faz a favor do projeto que institui o voto impresso para certificar o resultado da apuração das urnas eletrônicas.
Na sua opinião, a matéria que já foi aprovada pelo parlamento em 2.014 e vetada pela ex-presidente Dilma Rosseff (PT), a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por entender que o custo de aproximadamente R$ 4 bilhões para implentá-lo seria extremamente oneroso, Pacheco demonstrou simpatia em ver aprovada novamente a proposta.
“A proposta deste voto impresso, que sempre gerou algum tipo de preconceito, se se aprofundar a respeito dela, que não afeta o sigilo das votações, tampouco faz exercer algum tipo de controle e sobre a liberdade de escolha do voto pelo eleitor do sistema secreto, na verdade, é tão somente a necessidade de materializar fisicamente, no papel, dentro da urna, a contabilização dos votos para uma eventual recontagem”, avaliou.
“Então essa é uma questão se o colégio de líderes entender, que é pertinente fazê-la até para dirimir essas dúvidas, eu acho que será um bom proveito para a sociedade brasileira ter essa discussão e essa definição tirando qualquer dúvida sobre a lisura do processo eleitoral do país”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)