SUCESSÃO NO CONGRESSO: Baleia Rossi e Simone Tebet se unem para tentar derrotar Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, que contam com apoio de Bolsonaro, às presidências da Câmara e do Senado
União foi decidida pela direção nacional do MDB em encontro realizado em Campo Grande, terra natal de Tebet e do prefeito daquela capital, o emedebista Marquinhos Trad; união das duas candidaturas está sendo chamada de frente democrática
( Publicada originalmente às 18h25 do dia 19/01/2021)
(Brasília-DF, 20/01/2021) O deputado Baleia Rossi (MDB-SP) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), candidatos à presidência da Câmara e do Senado, se uniram nesta terça-feira, 19, para tentar derrotar as candidaturas do deputado Arthur Lira (PP-AL) e do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que contam com apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), às presidências das duas Casas legislativas.
A união foi decidida pela direção nacional do MDB num encontro realizado na cida de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul (MS), terra natal de Simone Tebet e do prefeito daquela capital, o emedebista Marquinhos Trad. A união das duas candidaturas está sendo chamada pelos seus apoiadores de frente democrática.
De acordo com os dois parlamentares, a derrota, segundo eles, do presidente brasileiro na guerra das vacinas, que Bolsonaro vinha pregando contra o governador de São Paulo (SP), João Dória Jr. (PSDB), o recibo passado pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, além do crescimento anti-Bolsonaro nas redes sociais e nas ruas, além dos últimos arroubos autoritários e machistas do presidente e do seu ministro, aumentam as perspectivas para o MDB reconquistar o comando tanto da Câmara, quanto do Senado.
Baleia Rossi e Simone Tebet estão propondo a construção de uma trincheira no Legislativo em defesa da democracia. Por mais que considerem a democracia brasileira forte o suficiente para conter o avanço de radicais, ambos dizem que as cenas visualizadas há duas semanas nos Estados Unidos da América (EUA), quando apoiadores do presidente norte-americano, Donald Trump, em final de mandato, invadiram a sede do Congresso Nacional daquele país, não podem se repetir.
“[Essa união] seria uma forma de resgatar o espírito do antigo MDB, que lutou bravamente durante os 20 anos de regime militar, até garantir a redemocratização do Brasil sem precisar dar um único tiro. Esse movimento já começou a desencadear uma onda de apoios da sociedade civil organizada”, falou a senadora Simone Tebet informando que terá encontros nesta semana com diferentes integrantes da sociedade civil, como a empresária Luiza Trajano, proprietária das lojas Magazine Luíza, e também com a economista Elena Landau, que nos anos 90 integrou a equipe formada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para iniciar um plano de desestatização. O objetivo dos encontros, segundo a senadora, é ampliar o canal de diálogo com as mulheres de um modo geral e com o mercado financeiro.
“Nós nunca vimos, pelo menos na parte da Câmara dos Deputados, um governo se empenhar tanto, em liberar quantos recursos, quantos cargos e tentar influenciar para a eleição da presidência da Câmara dos Deputados. A senadora confirmando aqui também [o mesmo cenário] no Senado. (…) O que está em jogo não é saber quem vai ser presidente da Câmara, quem vai ser presidente do Senado. Está em jogo o Brasil que nós queremos”, complementou o deputado Baleia Rossi destacando que sua candidatura não é contra, ou a favor, ao governo, mas, sim, para manter a independência daquela Casa em relação ao Poder Executivo.
“Então, acho que nada pode ser negado neste momento. A partir do momento em que nós estivermos evidenciando no Congresso Nacional, a situação vai exigir de nós, que nós ouvindo o colégio de líderes, ouvindo os senadores e os deputados, vamos ter as medidas que precisam ser tomadas. Nada impede, sim, de uma análise criteriosa do que está acontecendo no país, se está tendo responsabilidade, ou não, de agente público a, b, ou c. Mas não vamos esquecer também que temos outros poderes e órgãos públicos para esse fim”, completou a senadora Simone Tebet sobre o retorno das sessões presenciais a partir de fevereiro, o parlamento estar em recesso e adoção de medidas como a prorrogação do auxílio emergencial enquanto o país os efeitos da pandemia continuarem atrapalhando o retorno das atividades econômicas no país.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)