CRISE NA PANDEMIA: Eduardo Pazuello confirmou que soube da crise do oxigênio em Manaus em 8 de janeiro
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( Publicada originalmente às 19h 02 do dia 18/01/2021)
(Brasília-DF, 19/01/2021) O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira,18, ao lado do governador do Amazonas, Wilson Lima(PSC). Antes da coletiva os dois estiveram reunidos com o presidente Jair Bolsonaro(sem partido). O ministro Pazuello não quis informar quais outras autoridades participaram da reunião. O objetivo da reunião era informar que a crise que gerou um colapso no atendido das pessoas atingidas pela pandemia do covid-19 teria sido equacionada, mas o minsitro acabou confirmando que teve conhecimento da iminente falta de oxigênio em Manaus(AM) no dia 8 de janeiro.
Pazuello disse que a equipe da pasta tomou conhecimento do desabastecimento no dia 8 de janeiro. Ele negou a informação publicada na imprensa de que um ofício da Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF revelaria que o órgão já tinha ciência da situação antes.
“Quando chegamos [a Manaus] no dia 4 [de janeiro] o problema era estrutura de leito. Não havia a menor indicação de falta de oxigênio. A quantidade de oxigênio que a White Martins fabrica por dias é de 28 mil m³ e o consumo era de 17 mil m³. A White Martins tinha flexibilidade de trazer quase o dobro. A elevação foi muito rápida. Tomamos conhecimento de que a White Martins chegou no limite quando ela nos informou”, comentou.
Equalizado
Pazuello declarou na entrevista coletiva de hoje que o problema de abastecimento no estado do Amazonas está “equalizado”. O governador Wilson Lima falou sobre suas preocupações.
“Hoje foi um dia que a gente deu uma atenção especial para o interior, levando em consideração a nossa logística e o fato de que a maioria das unidades hospitalares do interior não possuem tanque. Eles ainda utilizam cilindros, e na maioria dos municípios esses cilindros chegam de barco, que às vezes demoram até seis dias para chegar ao destino. Por isso nós contamos com apoio da Força Aérea Brasileira e com as nossas aeronaves para que a gente possa fazer a entrega desse oxigênio”, afirmou o governador.
Nos últimos dois dias, mais de 30 municípios retiraram cerca de 950 cilindros de oxigênio na gerência de patrimônio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), na sede da Central de Medicamentos e na empresa White Martins. Além disso, para garantir a manutenção dos estoques de oxigênio no interior, o Governo do Amazonas também enviou 157 cilindros de oxigênio para os municípios de Tefé, Coari, Parintins, Fonte Boa e Tapauá.
O governador do Amazonas reforçou que o abastecimento de oxigênio foi “equilibrado”, mas acrescentou que o cenário pode piorar. Isso porque o mês de fevereiro é tradicionalmente quando há mais casos de síndromes gripais graves, tendo um clima e ambiente propícios para a disseminação de vírus gripais.
“Temos preocupação para o mês de fevereiro. Ele historicamente é onde há maior quantidade de casos de SRAG [Síndrome Respiratória Aguda Grave]. Estamos nos preparando para a situação. Estamos trabalhando para ampliação de leitos. Uma enfermaria foi montada no estacionamento do hospital Delphina Aziz. Ainda temos fila significativa de pessoas que esperam atendimento”, contou Lima.
Além Manaus
Pazuello alertou que a crise em curso no Amazonas pode se replicar em outras cidades e estados. Ele salientou o período chuvoso no Norte e em parte do Nordeste neste início do ano como propício para a disseminação do vírus, enquanto no restante do país os períodos mais perigosos podem ser no inverno. Além disso, chamou a atenção para o fato de que a variante do novo coronavírus encontrada na capital amazonense já está em circulação em outros locais do país.
“Isso sim pode se replicar para outras cidades e pode se replicar quando chegarmos mais perto do inverno na região centro-sul. Vamos combater isso com vacina. É por isso que estamos tão ávidos por receber as vacinas, distribuí-las e imunizar a população. Esta é a grande ação efetiva para segurar a pandemia. E manter as estruturas que foram criadas, os leitos que foram criados para a covid-19 ativos nas regiões que poderão sofrer o impacto”, sublinhou.
( da redação com informações de assessorias. Edição: Genésio Araújo Jr )