BRASIL QUEBRADO: Um dia após afirmar que o Brasil estava “quebrado” , Bolsonaro diz que “o Brasil está bem, está uma maravilha” e culpa a imprensa
Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, o presidente brasileiro diz que “maior problema do Brasil é a imprensa” que, segundo ele, quer a volta do Lula e da Dilma por ele ter cortado R$ 3 bi em publicidade institucional
( Publicada originalmente às 13h28 do dia 06/01/2021)
(Brasília-DF, 07/01/2021) Um dia após afirmar que o Brasil estava “quebrado” e que não podia “fazer nada”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 06, que “o Brasil está bem, está uma maravilha” e culpa a imprensa por ter deturpado a sua fala.
Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, o presidente brasileiro diz que “maior problema do Brasil é a imprensa” que, segundo ele, quer a volta dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff no lugar dele por ele ter cortado R$ 3 bilhões em publicidade institucional aplicados em governos anteriores nas mais diversas mídias.
Nesta terça-feira, 05, Bolsonaro, também em conversa com apoiadores, fez a seguinte afirmação: “O Brasil está quebrado, chefe. Não consigo fazer nada! Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, mas não teve jeito. Esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos aí, esta mídia sem caráter que nós temos. É um trabalho incessante em tentar desgastar para a gente sair daqui e botar alguém para atender os interesses escusos da mídia. Se some a isso que o Brasil não tem uma cultura [não concluiu a fala]. Mas, não tem problema, vão ter que nos aguentar até 2.022”.
Agora, desmentido o que falara e culpando a imprensa pela divulgado do que disse e falou, Bolsonaro desabava aos seus apoiadores, alguns do interior de Pernambuco: “[Vídeo editado] Eu tirei onde que o Brasil estava quebrado. O Brasil está bem, está uma maravilha. A imprensa sem vergonha, essa imprensa sem vergonha, fez uma onda terrível aí. Para a imprensa voltava o Lula, a Dilma, [que] gastavam R$ 3 bilhões, por ano, para eles”.
Sem conversa com Temer
Na oportunidade, Bolsonaro aproveitou para tentar desmentir uma nota publicada na coluna do jornalista Lauro Jardim do jornal O Globo informando que ele teria conversado com o ex-presidente Michel Temer (MDB) nesta terça-feira, 05.
“O maior problema do Brasil não é [sic] alguns órgãos, é a imprensa. Por que o seguinte, não é liberdade [de imprensa]. Por exemplo, hoje, o Lauro Jardim [publicou] que ontem o Michel Temer ligou para mim, de vez em quando eu falo com ele, mas tem mais de 30 dias que eu não falo com o Temer. Aí inventa histórinha embaixo, para influenciar na eleição da Mesa [Diretora da Câmara dos Deputados]. É gente que não tem caráter. O Lauro Jardim e tantos outros aí”, vociferou.
Mais ataques à imprensa
Na sequência, Bolsonaro voltou a fazer mais ataques à imprensa.
“Se eu for me preocupar com o que a mídia escreve, não sai nada. Enquanto no ano passado, quando eu consegui fazer, não é? Retrasado, 2.019. No final de 2.019 eu acabei com todas as assinaturas de jornais [e revistas], Isto é, Veja, Estadão, O Globo, Folha, todos os veículos que os ministros recebiam e mais alguns órgãos, mas eu acabei [com isso]. Quem quiser comprar lixo vai na rodoviária [do Plano Piloto]. Não é nem lixo, lixo é reciclável, [por que isso] não serve para nada! Só fofoca, mentira, o tempo todo!”, afirmou demonstrando irritação.
“Pega, por exemplo, de acordo com as pessoas que vem falar comigo, você fala comigo hoje, ela de tarde, e ela [outra] de noite, já faz [sic] uma história e inventam. Eles não distorcem, não. Eles inventam. Esse telefone do Temer, todo dia tem. De vez em quando eu falo com o Temer, sim, sem problema nenhum. Se eu precisar falar com ele, ele me atende, se for possível e vice-versa. Mas não falei com ele e pelo que sei não falo com ele tem uns 30 dias que não falo com o Temer e bota na matéria para influenciar”, continuou.
“Essa imprensa sem vergonha vive falando que nós estamos atrasados, olha vários países, eles compraram dez mil doses de vacinas e daí, lógico, [em fase] experimental, e os países aplicaram, estão aplicando e nós não. Só que tem que ter responsabilidade. Tem uma tal de Anvisa aí, que a imprensa nem toca no assunto. Tem que passar por lá”, completou.
Ataque aos professores
Não satisfeito aos ataques feitos à imprensa, Bolsonaro aproveitou sua insatisfação para atacar os professores brasileiros, que, segundo ele, orientados pelas teses do educador Paulo Freire, reconhecido internacionalmente, destruíram o ensino no país nos últimos 30 anos.
“Ontem eu falei que parte dos brasileiros não estão preparados para o mercado de trabalho. Pronto! A imprensa falou que eu ofendi todos os empregados do Brasil. Agora, nós importamos serviços, que não tem gente habilitada aqui. Por quê? Há 30 anos eles destruíram a educação no Brasil. A geração Paulo Freire, não é? Quem é professor aí, professora, [sabe] da dificuldade de exercer a autoridade na sala de aula. Não sabem nem tabuada. Sete vezes oito, é difícil. Pergunta aí três vezes cinco, complica”, comentou.
“Se tivesse o [Fernando] Haddad [candidato do PT derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2.018] no meu lugar pensa [sic] como estaria o Brasil? A petralhada toda aí. Essa turma toda que está desempregada, [por] culpa da política do PT, estaria tudo ocupando [vagas na Esplanada dos] Ministério[s]”, finalizou.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)