31 de julho de 2025
Brasil e Poder

SUCESSÃO NA CÂMARA: Rodrigo Maia diz que até quarta-feira,23, sai o nome do candidato da Frente Ampla ao comando da Câmara dos Deputados

Atual presidente da Câmara lamenta que governistas "vivendo numa bolha [achem] que as coisas vão caminhando muito bem"; ele avalia que janeiro de 2.021 "será muito difícil do ponto de vista social, econômico e da saúde"

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( Publicada originalmente às 18h28 do dia 21/12/2020) 

(Brasília-DF, 22/12/2020) O atual presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira, 21, que acredita, que até a próxima quarta-feira, 23, a frente ampla formada por 11 partidos de esquerda, centro, centro-direita e direita (Cidadania, DEM, MDB, PCdoB, PDT, PSB, PSDB, PSL, PT, PV e Rede Sustentabilidade) decidirá quem será o candidato a sucedê-lo no cargo a partir de 1º de fevereiro de 2.021.

A frente ampla, que congrega as 11 legendas de visões ideológicas distintas foi anunciada na última sexta-feira, 18, reúne  mais de 280 deputados federais, bem mais que os 257 mínimo necessário para garantir a eleição do presidente da Câmara. No anúncio pela "união da democracia e da liberdade", o agrupamento diz que o objetivo é impedir que o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido), controle a pauta daquela Casa legislativa, que pretende fazer isso, segundo eles, com a eleição do líder dos Progressistas (PP), deputado Arthur Lira (AL), para o comando da Câmara.

"[O debate para a escolha do candidato da frente ampla] está encaminhada. Nós formamos um bloco na sexta e estamos dialogando para o mais rápido possível sair com um nome e um bloco de fato unido. Fizemos o almoço, vamos continuar conversando e espero, espero não, ainda essa semana, certamente, nós teremos as decisões necessárias. Espero até quarta-feira [23], no máximo, que a gente tenha o encaminhamento dado, ouvindo a todos", falou Maia em coletiva à imprensa.

Sem acordo na economia

Maia ressaltou que a união das 11 legendas de esquerda, centro-esquerda, centro-direita e de direita, para, segundo ele, manter a independência da Câmara não promoveu nenhum acordo nas pautas econômicas.

"Com a gente não tem nenhum acordo de pauta. A pauta foi o documento que todos assinaram aqui na semana passada. A nossa pauta é a garantia da independência da Câmara e trabalhar para que pautas [como] a liberdade de imprensa esteja mantida, [assim como a garantia das] liberdades individuais, [além da garantia do] debate e o direito das minorias estejam garantidos no plenário da Câmara dos Deputados. Essa era a pauta e é o que nos une. O que nos divide é justamente a pauta econômica. Se fossemos tratar destas pautas, nós não teríamos tido convergências como tivemos na sexta-feira [18]", contou.

Bolha

Na oportunidade, Maia lamentou que os governistas estejam "vivendo numa bolha [e achem] que as coisas [no Brasil] vão caminhando muito bem". Ele avalia que no próximo mês, janeiro de 2.021, a situação "será muito difícil do ponto de vista social, econômico e da saúde".

"A situação do Brasil é ruim, mas existe aí uma narrativa de que as coisas vão bem, que a gente sabe que não é verdade. O desemprego está crescendo, a inflação está subindo, nós vamos ter aí milhões de brasileiros sem apoio do governo federal por uma omissão da posição final do governo, junto com o Senado, no Senado, em relação a PEC emergencial, que viabiliza um espaço dentro do orçamento para atender essas famílias, como mostrou hoje uma pesquisa do Datafolha", observou.

"Nós vivemos uma realidade da população brasileira e vivemos uma bolha do governo, em Brasília, que acha que as coisas vão caminhando muito bem. A intenção de uma pauta no recesso é para tentar resolver esses problemas emergenciais com relação a sociedade brasileira. Mas não foi possível. Vamos em frente!", completou.

Falta de vontade

Para ele, essa situação poderia ser menos traumática se o governo Bolsonaro quisesse votar algumas pautas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), denominada de emergencial, que possibilitaria os governos do país terem mecanismos para enfrentar as dificuldades que estarão postas postas. Assim como, se o governo tivesse o entendimento que o trabalho parlamentar durante o recesso legislativo poderia propiciar a aprovação de matérias que tranquilizassem a população brasileira.

"Nós vamos ter aí no mês de janeiro, do meu ponto de vista, muito difícil, do ponto de vista social e econômico, e também do ponto de vista da saúde com o crescimento dos casos de covid-19, mas a vontade sempre precisa ser coletiva das duas Casas e organizar uma pauta com o governo. Também acho que o Senado não esteja com essa vontade, mas mais ainda é o governo que não tem vontade porque acha, de alguma forma, que pautar alguma coisa em janeiro interfere na minha sucessão, que também é outra visão equivocada do governo", apontou.

"[O trabalho durante o recesso] dependeria de uma decisão coletiva da Câmara e do Senado. Não me dá a impressão que o governo tem interesse de estimular os debates no Congresso, em janeiro. Do meu ponto de vista vai ser um grande erro. O Supremo já tomou a decisão, parte do Supremo [vai trabalhar no recesso] e acho que a Câmara e o Senado deveriam [fazer o mesmo]", finalizou.  

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)