VACINAÇÃO: Pesquisadores do Plano de Vacinação dizem que não foram informados sobre o documento, criticaram exclusão de grupos populacionais e defenderam ampla escolha de vacinas
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( Publicada originalmente às 09h49 do dia 13/12/2020)
(Brasília-DF, 14/12/2020) Nesse sábado,12, foi divulgado que o Ministério da Saude encaminhou, através da Advogacia Geral da União(AGU) ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal(STF) - que é o relator da maioria das ações sobre vacinação contra o covid-19 – um Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra o Covid-19. Menos de uma hora depois que a informação foi publicada, também, no site do Ministério da Saúde, pesquisadores que foram citados como participantes de sua elaboração divulgavam postagens em suas contas em redes sociais afirmando que o que foi divulgado não foi informado aos pesquisadores.
Ainda na noite desse sábado,12, um grupo de 36 pesquisadores dos 150 que são citados como participantes na elaboração, divulgaram uma nota com três parágrafos afirmando a surpresa deles sobre o que tinha no documento.
“Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência.”, dizem, inicialmente.
Ele se disseram preocupado pois o documento exclui grupos priorirários.
“Reiteramos nossa recomendação técnica para que todas populações vulneráveis sejam incluídas na prioridade de vacinação, como indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade e pessoas com deficiência.”, destacam.
O grupo, mais voltado ao eixo epidemiológico, defende que todas as vacinas sejam incluídos no plano.
“Novamente, vimos solicitar do governo brasileiro esforços do Ministério da Saúde para que sejam imediatamente abertas negociações para aquisição de outras vacinas que atendam aos requisitos de eficácia, segurança e qualidade, inclusive com laboratórios que reúnam condições de produção e oferta de doses de vacina e com outras empresas também com oferta de vacinas seguras e eficazes.”, diz o documento.
Leia a íntegra da nota dos cientistas:
“O grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da COVID-19 pelo Ministério da Saúde ao STF. Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência. Importante destacar que o grupo técnico havia solicitado reunião e manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes.
Reiteramos nossa recomendação técnica para que todas populações vulneráveis sejam incluídas na prioridade de vacinação, como indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade e pessoas com deficiência. Além dessas, também as outras populações e grupos populacionais já incluídos e apresentados no plano inicial do governo. Outro ponto importante a ser considerado é a ampliação do escopo para todos os trabalhadores da educação e também a inclusão, nos grupos de vacinação, para os trabalhadores essenciais.
Novamente, vimos solicitar do governo brasileiro esforços do Ministério da Saúde para que sejam imediatamente abertas negociações para aquisição de outras vacinas que atendam aos requisitos de eficácia, segurança e qualidade, inclusive com laboratórios que reúnam condições de produção e oferta de doses de vacina e com outras empresas também com oferta de vacinas seguras e eficazes. Portanto, é mister considerar que um atraso na campanha de vacinação significa vidas perdidas e precisamos nesse momento utilizar a ciência para a tomada de decisão que norteará o que mais importa, a preservação de vidas de milhares de brasileiros e brasileiras. Essa é a mais importante tarefa de nosso tempo e todos os esforços devem ser envidados para a sua realização oportuna, segura e efetiva.
Participantes do Grupo Técnico do ‘Eixo Epidemiológico do Plano Operacional da Vacinação contra COVID-19”
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)