Lula no evento das lideranças de esquerda em Barcelona disse que ninguém precisar ter medo de ser o que é e que o projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança
O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai.
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Com agências
(Brasília-DF, 18/04/2026) Ainda em Barcelona, na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 18, do evento Fórum Democracia Sempre que reuniu líderes mundiais de esquerda.
"Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade".
Ao salientar os avanços que o campo progressista conseguiu alcançar para grupos sociais como trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, o presidente ponderou que a esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante, abrindo caminho para forças reacionárias ganharem espaço na sociedade.
"O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema", afirmou Lula.
O presidente Lula afirmou que as redes sociais precisam ser reguladas em âmbito global.
"Vamos ser cada vez mais duros porque, se o Estado não agir, a gente não controla as chamadas plataformas digitais, que, de rede social, não tem nada. Pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo, muita jogatina e muito pouco social", afirmou Lula, ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anfitrião do evento.
Também participaram do encontro, que se estende até o fim da tarde deste sábado, cerca de 20 líderes e chefes de Estado, entre eles Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Claudia Sheinbaum, presidente do México; e Gabriel Boric, ex-presidente do Chile.
A declaração de Lula ocorre após outra crítica às redes sociais, feita na sexta-feira ,17, quando foi questionado sobre a regulação que países da Europa e a Austrália têm adotado para estabelecer uma idade mínima para uso das plataformas.
"Precisamos regular tudo o que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país e não permita intromissão de fora, sobretudo em um ano eleitoral", afirmou.
"Não é possível tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no planeta."
Na sexta-feira, Lula citou o pleito brasileiro, marcado para outubro, mas agora ampliou o debate e disse que este não é um problema específico do Brasil.
"Controlar as plataformas digitais e pôr regras democráticas é uma questão mundial. No Brasil, estamos tentando fazer nossa parte, porque a verdade nua e crua é que a mentira ganhou da verdade. Para mentir, você não tem que explicar, para se justificar você tem, e muitas vezes não consegue. Esse é um desafio para nós, chefes de Estado."
Na sexta-feira, em encontro com empresários, Lula afirmou que não quer guerra com o líder chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente americano, Donald Trump, ou qualquer outro líder.
Neste sábado, Lula repetiu esse discurso e criticou novamente o que chamou de ineficiência das Organização das Nações Unidas (ONU).
"Hoje, a ONU não representa aquilo para a qual ela foi criada. Os membros permanentes do Conselho de Segurança, que era para garantir a paz do mundo, viraram os senhores da guerra."
Essa ineficácia, acrescentou, se deve à atuação dos membros permanentes de seu Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia).
"Eles tomam decisões sem consultar a ONU. Para quem [George W.] Bush pediu para invadir o Iraque? Para ninguém. Para quem a França e a Inglaterra pediram para invadir a Líbia? Ninguém. Que mal [Muamar] Khadafi causava ao mundo? Nenhum. Para quem a Rússia pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. São decisões unilaterais que não respeitam o fórum do qual essas pessoas participam", disse Lula.
O presidente brasileiro também criticou o funcionamento do Conselho de Segurança, com a possibilidade de representação por embaixadores — e não pelos próprios líderes —, além do poder de veto dos membros permanentes sobre decisões aprovadas.
"Há quantos anos estamos tentando mudar a representação? Cadê a representação africana? Cadê a participação do México, do Brasil, da Argentina, da Colômbia? Cadê a participação da Índia? Tantos países importantes, como o Japão, poderiam participar. E por que não participam?", questionou.
Lula citou por fim a situação de Cuba, que, sob pressão após a prisão de Nicolás Maduro por Trump e sem apoio da Venezuela, enfrenta uma crise sem precedentes.
"Eu estou preocupado com Cuba, mas o problema é dos cubanos, não é um problema do Lula. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles."
O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em Barcelona, o evento, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também conta com as participações dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile Gabriel Boric.
( da redação com informações da Ag. Brasil e BBC. Edição: Política Real)