Bolsonaro, em vista a Porto Alegre, afirma que Brasil “foi um dos melhores que se saíram, no tocante a economia” nas medidas adotadas para enfrentar a pandemia
Presidente minimizou, ainda, crescimento da inflação no período, para ele “é menos ruim ter inflação que um desabastecimento”; ele voltou a defender uso da cloroquina no combate a doença que já matou mais 178 mil brasileiros
( Publicada originalmente às 13h40 do dia 10/12/2020)
(Brasília-DF, 11/12/2020) Em visita a Porto Alegre (RS) para inaugurar a nova ponte sobre o rio Guaíba, que corta a capital gaúcha, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) afirmou nesta quinta-feira, 10, que o Brasil “foi um dos melhores [países] que se saíram, no tocante a economia” nas medidas adotadas para enfrentar as consequências pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já matou desde março mais de 178 mil brasileiros.
A declaração do presidente acontece ao mesmo tempo em que cabe ao país o título de segunda nação com maior número de mortes provocadas pela doença que já matou mais 1,5 milhão de pessoas em todo o mundo. O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos da América (EUA), onde morreram até o momento mais de 290 mil norte-americanos. O terceiro país que possui o maior número de óbitos é a Índia, que possui uma população de aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas, mais de seis vezes maior que a população brasileira, onde lá faleceram devido a covid 141.772 indianos.
Quanto a economia, a declaração de Bolsonaro acontece após o Brasil não confirmar as quedas acentuadas previstas por organismos internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontavam um cenário de 10% de crescimento negativo, mas que segundo estimativa de investidores, a queda econômica giraria em torno de 5,36%. Entretanto, o presidente ignorou os cálculos de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avalia que o país perderá três posições no ranking das maiores economias mundiais, caindo de nono para 12º.
“Me permita falar um pouco de governo. Por que estamos vivendo o finalzinho de pandemia. O nosso governo, levando-se em conta outros países do mundo, foi aquele melhor se saiu, ou um dos melhores que se saíram, no tocante a economia. Prestamos todos apoios possíveis a estados e municípios. O auxílio emergencial foi diretamente na veia e na conta de 67 milhões de brasileiros, que precisam realmente disso aí. Isso fez também movimentar a economia de estados e municípios”, falou.
“Tivemos o Pronampe [Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte] atendendo as pequenas e microempresas, onde milhões de empregos foram salvos. Não poupamos esforços para dar recursos, além de meios materiais, para a saúde. Hoje praticamente todos os hospitais estão mobiliados. Também adiantamos para governadores e prefeitos o que seria aquela expectativa de perda de receita com ICMS e ISS e tanto isso foi bom, que eu não tenho notícia, pela primeira vez na história do Brasil, de que vá faltar recursos para pagar o décimo-terceiro”, complementou.
Obras
Sobre sua ida ao Rio Grande do Sul, o presidente afirmou ter “uma satisfação muito grande estar neste estado maravilhoso”. Segundo ele, o seu governo prioriza e continuará priorizando a conclusão de obras iniciadas em governos anteriores, do que iniciar novos projetos.
“Bom dia! Sou paulista, fui adotado por Minas Gerais e me sinto em casa aqui no Rio Grande do Sul. O momento é para inaugurar uma obra que não começou conosco, como a grande maioria das obras, [ministro] Tarcísio [Gomes de Freitas], não começaram conosco. Mas nós falávamos: nós vamos todas aquelas que forem possíveis de serem terminadas. Por que no final de contas entre começar uma obra e terminar outra, a diferença logicamente é quem trabalha no meio é muito menos difícil. É muito mais proveitoso nós terminarmos as obras”, completou.
Inflação e cloroquina
Na oportunidade, o presidente minimizou, ainda, o crescimento da inflação no período da pandemia, já que para ele “é menos ruim ter inflação que um desabastecimento”. Por fim, Bolsonaro voltou a defender uso do medicamento hidroxicloroquina no combate a doença, que já matou mais 178 mil brasileiros, e que não tem comprovação científica que é eficaz contra o coronavírus.
“Desde o primeiro momento, entre outras coisas que nós acertamos, nós falamos no tratamento precoce e conversei agora, de novo, ministro gaúcho, Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, não temos notícias de nossos irmãos da África, abaixo do deserto do Saara, grande quantidade de óbitos por causa do covid e todos esperavam o contrário. A pessoa, com alguma deficiência alimentar, pessoas mais pobres, fossem ser em maior quantidade vitimadas, e não foi [sic]”, comentou.
“E por quê? E por que elas tratam muito, infelizmente, da malária. e o elemento chegava com malária e covid e era tratado com hidroxicloroquina e ficava bom. Precisa ser muito inteligente para entender que a hidroxicloroquina serve para as duas coisas? Não precisa ser muito inteligente. É coisa óbvia! E àqueles que me criticavam, ah, não tem comprovação científica. Sim, sempre disse que não tinha, mas é um remédio usado há 70 anos aqui no Brasil para malária e para lúpus. Por que a politização disso?”, questionou.
“E olhem só: o Brasil começou, cada vez mais, vencendo alguns obstáculos, àqueles que negavam a hidroxicloroquina, em que o número de óbitos dos países com mais de um milhão de habitantes, o Brasil cada vez mais vai para baixo. É uma prova que deu certo e nós evitamos um colapso na economia. E meus senhores, saúde e economia, tem que andar de mãos dadas”, completou sem saber que na tabela que reúne os países com mais mortos pela covid, por cada um milhão de habitantes, o Brasil ocupa o décimo posto, atrás apenas de Bélgica, Peru, Espanha, Itália, Reino Unido, Argentina, Macedônia do Norte, EUA e Bósnia com uma média de 818 óbitos por milhão de habitantes, empatado com o México, com dados do último dia 1º de dezembro.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)