Ministério da Agricultura aponta que sementes encaminhadas, sem autorização, por sites de encomendas da China contém pragas que apresentam risco fitosanitário ao país
Informação da pasta comandada pela ministra Tereza Cristina se baseia em estudo realizado pelo laboratório federal de defesa agropecuária que analisou, até o momento, 36 amostras das sementes vindas da China
( Publicada originalmente às 20h 49 do dia 26/11/2020)
(Brasília-DF, 27/11/2.020) O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo brasileiro apontou nesta última quarta-feira, 25, que as sementes encaminhadas, sem autorização, por sites de encomendas da China e entregues a consumidores no país contém pragas que apresentam risco fitosanitário ao Brasil.
A informação da pasta comandada pela ministra Tereza Cristina se baseia em estudo realizado pelo laboratório federal de defesa agropecuária de Goiás que analisou, até o momento, 36 amostras das sementes vindas da China. De acordo com o laudo, 47% das amostras encaminhadas foram analisadas. Nelas, foi identificado numa amostra a espécie Myosoton aquaticum, praga ausente no Brasil e com potencial de estabelecimento no país e de causar danos fitossanitários.
De acordo com o responsável pelo laboratório que produziu o laudo, o Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura, “essa espécie apresenta resistência a herbicidas, o que torna seu controle difícil. A introdução dessa planta daninha no país pode ter impacto econômico negativo”.
Em outras quatro amostras foram identificadas uma espécie ausente no país, a Descurainia sophia considerada uma planta daninha nos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá, além de ser considerada uma planta invasora no México, no Japão, na Coreia do Sul, no Chile e na Austrália. Já a Myosoton aquaticum é considerada vegetação daninha dos campos de trigo da China.
Outras 15 amostras apresentaram gêneros que tem espécies que também apresentam risco fitosanitários a agricultura do Brasil, em menor escala, como sementes de cuscuta, de brassica, de chenopodium, de amaranthus, e dos fungos cladosporium, alternaria, fusarium, e bipolaris.
“Após análises laboratoriais, pode-se avaliar que a introdução de material propagação [sementes ou mudas], mesmo em pequenas quantidades, sem atender aos requisitos fitossanitários e de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, coloca em risco a agricultura brasileira”, afirma o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Carlos Goulart.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)