31 de julho de 2025
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BOLSONARO X MORO: Moro recebe “com surpresa” decisão de Bolsonaro em não depor no inquérito que investiga suposta interferência dele na PF

Em ofício ao STF, AGU informou decisão do presidente em não fazer o depoimento determinado pelo ex-ministro Celso de Mello; desde 17 de setembro, o pedido apresentado pelo presidente para não depor aguarda julgamento no plenário da corte

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( Publicada originalmente às 20h 03 do dia 26/11/2020) 

(Brasília-DF, 27/11/2.020) O ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou nesta quinta-feira, 26, por meio do seu advogado, Rodrigo Sánchez Rios, que recebeu “com surpresa” a decisão do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) em não depor mais no inquérito que investiga a suposta interferência dele na Polícia Federal (PF), conforme acusação feita pelo ex-juiz federal.

Em ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) informou a decisão do presidente em não fazer mais o depoimento determinado pelo ex-ministro Celso de Mello no dia 11 de setembro, ao mesmo tempo que pediu ainda o arquivamento do inquérito e a finalização das investigações. Desde 17 de setembro, por decisão do ministro Marco Aurélio Mello que substituiu Celso de Mello na relatoria do inquérito, o pedido apresentado pelo presidente para não depor aguarda julgamento no plenário da Suprema Corte.

“A defesa do ex-ministro Sérgio Moro recebe com surpresa o declínio do presidente da República de atender à determinação para depor em inquérito no qual é investigado. A negativa de prestar esclarecimentos, por escrito ou presencialmente, surge sem justificativa aparente e contrasta com os elementos reunidos pela investigação, que demandam explicação por parte do presidente da República”, diz o advogado Rodrigo Sánchez, defensor de Moro na causa.

No documento enviado ao STF, a AGU informa o desejo de Bolsonaro em “declinar do meio de defesa que lhe foi oportunizado unicamente por meio presencial no referido despacho. [Assim, esta AGU] roga o pronto encaminhamento dos autos à Polícia Federal para elaboração de relatório final a ser submetido, [em] ato contínuo, ainda dentro da prorrogação em curso, [e também] ao Ministério Público Federal”.

Esse pedido da AGU sobre a conclusão das investigações será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso desde outubro, após a aposentadoria de Celso de Mello. Como investigado, Bolsonaro tem a prerrogativa de permanecer em silêncio em um eventual depoimento. Mesmo se a Polícia Federal marcar data, Bolsonaro pode faltar ao compromisso sem ser punido.

Em 2018, o STF proibiu a chamada “condução coercitiva”, quando o investigado ou réu era obrigado a depor. A oitiva do presidente é apontada como uma das últimas medidas para o desfecho das investigações.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)