31 de julho de 2025
Brasil e Poder

ECONOMIA: Paulo Guedes confessa frustração por não ter conseguido vender nenhuma estatal; em 2021, ele tem prioridade para vender Correios, Eletrobras, Porto de Santos e PPSA

Ele disse que a pandemia voltar no ano que vem ele retornará com o auxílio emergencial, porém mais contido

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( reeditado) 

( Publicada originalmente às 16h 00 do dia 10/11/2020) 

(Brasília-DF, 11/11/2020). Nesta terça-feira, 10, o ministro da Economia, Paulo Guedes se manifestou duas vezes. Ele participou da abertura do evento Boas práticas e desafios para a implementação da política de desestatização do Governo Federal, na Controladoria-Geral da União (CGU), em Brasília. Depois, ele falou em evento digital da agência Bloomberg.  Ele confesso, no evento da CGU, que está bastante frustrado por ainda não ter feito privatizações.  Ele depois disse que tinha como prioridade fazer 4 privatizações em 2.021.

“Estou bastante frustrado com o fato de a gente estar aqui há dois anos e não ter conseguido vender uma estatal. Até por isso um dos nossos secretários foi embora. Entrou outro com muita determinação e mais juventude. Quem sabe ele aguenta o tranco e vai conseguir entregar mais. Isso é lamentável”, disse, referindo a Salim Mattar que deixou a Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercado em agosto e deu lugar a Diogo Mac Cord de Faria.

Guedes afirmou que a estrutura atual do Estado foi moldada na época do regime militar, com investimentos em infraestrutura, e agora é preciso remodelar o país para uma “ordem democrática, com ação descentralizada”.

“A estrutura do estado foi montada durante um regime politicamente fechado, o regime militar, que desenhou um plano de aprofundamento da infraestrutura. Foi um legado que o regime militar deixou”, disse.

Para Guedes, o Estado não está conseguindo atender a sociedade em suas demandas por segurança pública, saúde e saneamento. “As empresas estatais, ao longo do tempo, alguns avançaram e outras se perderam. Temos o caso típico de água e saneamento, que agora nós fizemos o marco regulatório, que é um avanço, vai trazer muito recursos para a área”, disse.

Guedes acrescentou que “não é razoável” que o Brasil tenha 100 milhões de pessoas sem esgoto e 35 milhões sem água corrente em casa. “Enquanto isso, as tarifas de água e esgoto subiram, os salários do funcionalismo nessas empresas subiu também. A única coisa que caiu foram os investimentos em água e esgoto”, argumentou.

“Evidentemente quando há uma situação dessas de esgotamento, tem que ir rapidamente em outra direção e nós não temos essa velocidade e isso inclui o nosso governo”, disse.

Guedes, no entanto, disse que esse processo de mudança na estrutura do Estado é irreversível.

“Uma sociedade aberta não quer um Estado com a estrutura atual. O Estado está aparelhado, não está eficiente, não consegue fazer as metas universais de fraternidade pela ineficiência e politização dessas ferramentas”, disse.

Guedes afirmou ainda que acordos políticos têm impedido as privatizações. “Tem acordo político na Câmara, no Senado, que não deixa privatizar. Precisamos recompor o nosso eixo político para conseguir fazer as privatizações prometidas durante a campanha [da eleição para presidente]”, disse.

Bloomberg

O ministro Paulo Guedes dedicou o dia a fazer declarações importantes. Ele, depois que deixou o evento da CGU participou de rodada da agência de notícias Bloomberg, Emerging & Frontier Forum 2020 , e voltou a falar de privatizações

Guedes afirmou que sua prioridade para 2021 é fazer quatro grandes privatizações: Correios, Eletrobras, Porto de Santos e Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural (PPSA, empresa estatal do pré-sal).

Quanto  programas de transferência de renda durante a pandemia de covid-19, o ministro afirmou que são “insustentáveis” se mantidos por muito tempo e serão reduzidos com o recuo da doença. “Estamos determinados a voltar para nossos programas de ajuste fiscal”, afirmou.

Guedes disse ainda que se houver segunda onda de contaminações pelo novo coronavírus, o governo manterá programas emergenciais, mas sem excessos. “Não usaremos a pandemia como desculpa para fazer um movimento político financeiramente irresponsável”, afirmou.

Para o ministro, a doença está em colapso no Brasil, com redução das contaminações, e a economia está em forte processo de recuperação.

(da redação com informações de assessorias. Edição: Genésio Araújo Jr)