31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CÂMARA: Rodrigo Maia disse que a pauta está parada por conta do governo; ele falou sobre diversos temas, mas o destaque foi uma resposta a Paulo Guedes

Maia falou sobre responsabilidade, recesso, acordo, vacina e Ricardo Barros

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( Publicada oiginalmente às 18h 00 do dia 27/10/2020) 

(Brasília-DF, 28/10/2020)  O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ),presidente da Câmara dos Deputados, em coletiva à imprensa foi questionado sobre o fato do ministro da Economia, Paulo Guedes, ter reclamdo da paralização das votações na Câmara que estão impedindo a análises de temas econômicos, como o projeto de lei da cabotagem e as privatizações.  Maia disse que não era bem assim.

O Presidente da Câmara lembrou que a pauta está trancada por um projeto de lei do governo e "quem obstrui a pauta é a base do governo". "O ministro precisa resolver primeiro sua base para depois criticar qualquer outro parlamentar ou qualquer outro partido", rebateu. É sabido que a base do Governo ainda não se entendeu, também, sobre a escolha da Presidência da Comissão de Orçamento.

Responsabilidade

Rodrigo Maia pediu responsabilidade aos partidos da base do governo para que acabem com a obstrução do Plenário.

"Espero que a responsabilidade prevaleça. Se o governo não tem interesse nestas medidas provisórias, eu não tenho o que fazer. Eu pauto, a base obstrui e eu cancelo a sessão", lamentou.

Rodrigo Maia receia que a obstrução prejudique o calendário de votações e traga consequências para o cenário econômico do ano que vem.

"Quando tiver uma medida provisória importante que vá vencer, talvez outros façam obstrução, para que o governo entenda que a Câmara tem de trabalhar. A esquerda de forma legítima faz protesto pela MP 1000/20. Cabe à base avançar com as medidas provisórias pelo menos.", disse.

Rodrigo Maia admitiu que poderá pautar a MP 1000 como uma alternativa para acabar com a obstrução.

"As MPs certamente devem ter mais interesse da base do que da oposição. Seria importante, até porque, na hora de votar as emendas constitucionais, o governo vai precisar de 308 votos. A gente precisa de um ambiente de menos conflito para votar matérias dificílimas, começando pela regulamentação do teto de gastos.", disse.

Recesso

Maia  considera inevitável o cancelamento do recesso legislativo de janeiro. Sem o cancelamento do recesso, calcula, a PEC Emergencial teria de ser aprovada em fevereiro, e o Orçamento, em março. Por isso, avalia, será necessário retomar as votações logo após o primeiro turno das eleições municipais.

"Se quiser aprovar a PEC Emergencial, não tem outro caminho. Sem a PEC Emergencial, vai ter muita dificuldade de aprovar o Orçamento."

Acordo

Rodrigo Maia defendeu que os partidos da base aliada cumpram o acordo firmado em fevereiro entre os 14 partidos da base do governo para decidir a instalação da Comissão Mista de Orçamento.

"Se não tem acordo, é besteira gastar energia com a instalação dessa comissão. Se o acordo não vai ser cumprido, difícil a CMO funcionar. Aí é um problema do governo. Não adianta aprovar nomes de acordo na CMO, derrotando um candidato. A CMO funciona por acordo. O acordo foi feito, se for desfeito faz parte do processo, mas também inviabiliza a necessidade do funcionamento. Até porque ela não funciona com obstrução sistemática.", disse.

Maia disse  que, caso a CMO não seja instalada, o Regimento Interno do Congresso permite que as pautas sigam direto para Plenário. Maia ainda tenta construir acordo com os partidos para aprovar o projeto de resolução que permite o funcionamento on-line do Conselho de Ética e das comissões da PEC Emergencial e da reforma administrativa.

Vacina

Maia disse, ainda,  que os Poderes Executivo e Legislativo precisam encontrar um caminho para decidir sobre o processo de vacinação contra a Covid-19.

"Não podemos deixar espaço aberto, esse vácuo, para que mais uma vez o Poder Judiciário decida e depois a gente ficar reclamando do ativismo do Poder Judiciário", alertou.

Maia disse, enfaticamente, que a aprovação da vacina depende da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e não do Legislativo.

"Não devemos aprovar uma autorização de algo em que existe um órgão regulador competente para isso", ponderou. "Devemos avaliar a legislação atual. O governo e o Legislativo deveriam organizar a vacina, porque acho que é o ambiente correto. Seria melhor do que uma decisão encaminhada pelo Supremo Tribunal Federal."

Ricardo Barros

Maia  rejeitou, novamente, a proposta do líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), em  realizar um plebiscito para mudar a Constituição. Ontem, 26, ele já tinha se manifestado neste sentido.

"Temos uma Constituição que foi construída em um processo sem violência. Foi um marco do fim do regime militar no Brasil. Foi o ponto de início verdadeiro da nossa democracia, depois com as eleições de 1989", lembrou. "Nosso papel não é de fazer uma ruptura constitucional. Nosso papel é continuar votando reformas e aprimorando e modernizando o texto constitucional."

 

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)