VACINA: Após Butantan acusar Anvisa de retardar importação de matéria-prima para vacina, órgão afirma que independente de autorizar insumos “vacina não pode ser aplicada na população, porque ainda não tem registro”
Dimas Covas afirma que Butantan aguarda autorização da Anvisa desde 23 de setembro; segundo ele, assim que receber os insumos necessários, fábrica da instituição “já está pronta para fabricar a vacina”
( Publicada originalmente às 20h00 do dia 22/10/2020)
(Brasília-DF, 23/10/2.020) Após o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, acusar nesta quinta-feira, 22, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de retardar a importação de matéria-prima para a fabricação da vacina contra o novo coronavírus (covid-19), chamada de coronavac, em que a instituição vem produzindo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, o órgão federal emitiu nota afirmando que independentemente de autorizar os insumos necessários para a fabricação, a “vacina não pode ser aplicada na população, porque ainda não tem registro”.
O dirigente do Butantan afirma que o instituto aguarda a autorização da Anvisa desde 23 de setembro e que a demora em autorizar aponta que a agência não está priorizando o surgimento de uma vacina que auxilie a população brasileira a se precaver contra a doença que já matou mais de 155 mil pessoas no país. Segundo Covas, assim que receber os insumos necessários, a fábrica da instituição “já está pronta para fabricar a vacina”. Em resposta as declarações, a Anvisa disse por meio de nota que a entidade “reafirma o compromisso de trabalhar de forma técnica e com a missão de proteger a saúde da população brasileira”.
Entretanto, em seu perfil nas redes sociais, o Ministério da Saúde informou na manhã desta quinta-feira, 22, que “não há intenção de compra de vacinas chinesas” e que a governo trabalha com a “premissa para aquisição de qualquer vacina prima pela segurança”, além de ser “eficaz para a nossa população”. Segundo a pasta ministerial, “caso fiquem disponíveis” uma “vacina brasileira, antes das outras possibilidades” como a vacina produzida pelo laboratório Astrazeneca, em conjunto com a universidade britânica de Oxford e com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), já adquirida pelo governo brasileiro, aí sím seria feita a aquisição de novos imunizantes.
“Estou inconformado e ansioso. Uma liberação que ocorre em dois meses deixa de ser excepcional. A fábrica do Butantan já está pronta para produzir a vacina. Estamos esperando apenas a autorização para importar a matéria-prima e começar o processo”, reclamou Covas ao jornal Folha de S. Paulo.
“Anvisa informa que devido o período de transição da composição da diretoria colegiada da Agência, a decisão sobre o pedido de importação foi colocada em Circuito Deliberativo. Este tipo de votação deve apresentar decisão em no máximo 5 dias úteis. Desta forma, a decisão não depende da realização de reunião presencial de Diretoria Colegiada. Ainda que o pedido de importação seja autorizado, a vacina não pode ser aplicada na população, tendo em vista que a Coronavac não possui registro sanitário no Brasil. A Anvisa reafirma o compromisso de trabalhar de forma técnica e com a missão de proteger a saúde da população brasileira”, justificou o órgão federal.
(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)