31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

VACINA: Bolsonaro, em visita a Pazuello que se encontra com covid, desmente que esteja pensando em dispensá-lo do Ministério da Saúde

No encontro, presidente quis saber como o ministro estava se tratando, na resposta, Pazuello disse que além do acompanhamento médico, está fazendo uso do “kit” com cloroquina, anita e azitromicina e que ficou “zero bala” já no dia seguinte

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( Publicada originalmente às 17h00 do dia 22/10/2020) 

(Brasília-DF, 23/10/2.020) Em visita ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nesta quinta-feira, 22, que está com covid desde a última terça-feira, 20, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) procurou desmentir as especulações de que esteja pensando em dispensá-lo do Ministério da Saúde.

Num vídeo gravado no quarto do hotel onde o ministro fica hospedado em Brasília, oportunidade em que nenhum dos dois usava máscaras de proteção facial para impedir a propagação da doença que já matou 155.483, ambos demonstraram ser amigos e possuir intimidades dos tempos em que eram colegas no Exército.

No encontro, o presidente quis saber como o ministro estava se tratando, e na resposta, Pazuello informou que além de estar em acompanhamento médico, está fazendo uso do “kit” com os medicamentos cloroquina, anita e azitromicina, que não tem comprovação científica para combater a covid, e que por conta disso já ficou “zero bala” no dia seguinte ao ser diagnosticado com o novo coronavírus.

Na conversa, que segue na íntegra abaixo e publicada no perfil do presidente em uma de suas redes sociais, ambos falaram da importância dos brasileiros com sintomas procurar os hospitais, ou postos de saúde. Bolsonaro comentou, ainda, que quem fica em casa, “pode ser tarde demais” e aconselhou quem possui alguma comorbidade, que redobrem os cuidados.

O presidente voltou a falar também a criticar as orientações de isolamento social, quarentenas, e chamou a iniciativa defendida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de “terrorismo” e quem as coloca em prática de terroristas.

 

Íntegra da conversa

Bolsonaro: Estou visitando nosso ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que vai contar-nos aqui como se sente.

Pazuello: Olha, cansaço! Domingo a tarde eu senti um pouco de cansaço. Segunda-feira (19) fui trabalhar, mas quando foi às 17 horas, indo para aquele evento do Marcos Pontes [ministro das Ciências e Tecnologias] da anita, ali estava muito cansado e vim para o hotel e aí segunda a noite foi uma noite difícil com dor de cabeça, enxaqueca e febre e na terça-feira (20) eu dei uma piorada e na terça a noite eu fui para o HFA fazer os exames de sangue e PCR e fui diagnosticado com covid na terça a noite.

Bolsonaro: E você começou a tomar o quê?

Pazuello: Eu comecei a tomar hidroxicloroquina, a anita e azitromicina já na terça-feira (20).

Bolsonaro: Kit completo!?!

Pazuello: Kit completo.

Bolsonaro: E agora?

Pazuello: E na quarta-feira (20) já acordei melhor, fiz a fisioterapia da respiração, médico acompanhando, sempre com acompanhamento médico.

Bolsonaro: E como você está?

Pazuello: Acordei zero bala.

Bolsonaro: Então mais uma prova que tomou e deu certo. Alguns reclamam e falam que a hidrocloroquina não tem comprovação científica, não tem para o covid, mas tem para outras coisas e não tem efeito colateral. Então mais um caso concreto aqui que hidrocloroquina, azitromicina e anita, deu certo. Mas um que deu certo. Então a experiência que eu tenho aqui, lá atrás que eu andava no meio do povo e o pessoal me criticava, mas eu sou presidente da República, tenho que andar no meio do povo, não posso ficar preso no Alvorada cuidando de mim e a população ali jogada e sofrendo uma campanha de terrorismo sobre a questão do vírus.

Pazuello: E já tem e ela hoje já é um b. Um b já é uma nova fase da certificação científica dela e caminha para isso. Caminha para isso.

Bolsonaro: Então você recomenda que quem tiver acometido pela covid, procure um médico e?

Pazuello: Exatamente. E siga as prescrições do médico. O que o médico prescrever, tome o mais rápido possível. Faça o seu exame e tenha o seu diagnóstico. Eu fui diagnosticado clinicamente antes de fazer o exame e já comcei a tomar os remédios.

Bolsonaro: Olha, ficar em casa e esperar falta de ar para ir ao hospital pode ser tarde demais. E aquela história, nós chefes temos que se expor, tomar decisões e uma decisão que tomei lá trás foi no tocante a hidrocloroquina e deixar bem claro: conversei com médicos, com embaixadores nossos que estão na Áfraca subsariana e o pessoal dizia lá que relata aqui que o cara chega num hospital com malária e covid, tomava cloroquina e simplesmente curava. Então a alternativa que se tinha naquele momento era aquela, com recomendação médica. Se algum médico não quiser receitar hidrocloroquina, o que ele faz?

Pazuello: O médico chama outro médico e se o paciente quiser tomar, assina lá o compromisso e o médico receita.

Bolsonaro: Semana que vem você volta para o batente aí?

Pazuello: Pois é! Estão dizendo aí que não, não é?

Bolsonaro: Falaram que a gente estava brigado. Olha no meio militar é comum acontecer isso aqui. É um choque e não teve problema nenhum.

Pazuello: Senhores, é simples assim: um manda e outro obedece. Mas a gente tem um carinho.

Bolsonaro: Olha está pintando um clima aqui. (risos) Olha foi um dos melhores ministros da Saúde que tivemos, já falei para a imprensa e pode ter certeza e o trabalho dele está sendo sensacional. Na saúde, quase nada era inormatizado, era tudo em papel, é isso mesmo?

Pazuello: Putz, o negócio era difícil.

Bolsonaro: Então dava brecha para fazer muita coisa errada?

Pazuello: Sempre dá, mas as coisas estão bem estruturadas, a equipe é boa. Acho que essa primeira fase foi definir os protocolos e fazer toda a entrega do material e equipamentos e realmente saber como lidar com a doença, como manejar o paciente, é o grande ensinamento e a grande vitória.

Bolsonaro: Então o recado mais importante ao pessoal aí que tem comorbidade e mais idoso: se cuida, tudo bem, mas se for acometido procure o médico rapidamente e o tal coquetel Pazuello aqui, está ok pessoal?

Pazuello: Presidente, estamos juntos.

 

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)