31 de julho de 2025
Brasil e Saúde

VACINAS: Após Bolsonaro desautorizar Pazuello e afirmar que governo não compraria a "vacina da China de João Dória", missão diplomática chinesa sai em defesa da coronavac

Embaixada da China emitiu, ainda, uma nota criticando as declarações de Mike Pompeo do governo norte-americano contra os chineses feitas durante evento no Brasil selou investimentos de R$ 5,6 bilhões de empresas americanas no país

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( Publicada originalmente às 13h00 do dia 22/10/2020) 

(Brasília-DF, 23/10/2.020) Após o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) desautorizar nesSa última quarta-feira, 21, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que anunciou na terça-feira, 20, que o Ministério da Saúde compraria 46 milhões e doses da vacina produzida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, e afirmar que o governo brasileiro não compraria a "vacina da China de João Dória", a missão diplomática chinesa que se encontra no país saiu em defesa da coronavac.

De acordo com os diplomatas do gigante país asiático, não há dúvidas quanto a eficácia, até o momento, das vacinas que vem sendo produzida pela empresa farmacêutica chinesa, em conjunto com o Instituto Butantan. Os representantes do governo chinês, no Brasil, atestaram também que "o desenvolvimento e pesquisa das vacinas chinesas contra a covid-19 estão entre as mais avançadas do mundo, e quatro vacinas chinesas se encontram na terceira fase dos testes clínicos".

"A China cumprirá o seu compromisso de tornar as vacinas chinesas num bem público global depois de se concluírem as devidas pesquisas e aprovações. Vai fornecer com prioridade aos países em desenvolvimento e fazer contribuição chinesa para garantir a acessibilidade e disponibilidade de vacinas aos países em desenvolvimento. Qualquer vacina, quando tiver sua segurança e eficácia comprovada, será valiosa para proteger as populações do mundo, incluindo a do Brasil", diz um trecho do comunicado expresso pela missão diplomática.

Resposta aos ataques

A Embaixada da China emitiu, ainda, uma nota criticando as declarações de Mike Pompeo, secretário de Estado do governo dos Estados Unidos da América (EUA) que teriam sido feitas contra os chineses durante um evento realizado no Palácio do Planalto, na última terça-feira, 20, que selou investimentos de empresas norte-americanas no país na ordem de R$ 5,6 bilhões em diversos setores da economia.

Pompeo alegou que a parceria econômica e comercial com a China constitui uma "ameaça ao Brasil" e o país precisa "reduzir a dependência de importações da China para sua própria segurança". Além disso, o conselheiro do presidente norte-americano, Donald Trump, para assuntos de segurança nacional dos EUA, Robert O'Brien, em visita ao Brasil, atacou a segurança de 5G da empresa chinesa Huawei por considerá-la "uma ameaça à segurança nacional do Brasil".

Sobre estas falas dos dois dirigentes do governo norte-americano, avaliadas como ataques gratuitos à China e ao povo chinês pela embaixada chinesa no Brasil, a diplomacia do país asiático assim se pronunciou: "China desenvolve sempre parcerias com os outros países, incluindo o Brasil, com base em respeito mútuo", enquanto que os "EUA vêm agindo contra o espírito humanitário básico e até retiveram materiais médicos urgentes, inclusive respiradores, que foram enviados da China ao Brasil".

"Reiteramos que a China busca construir um novo modelo de relações internacionais centradas na cooperação de benefícios compartilhados e jamais interferiu nos assuntos internos e políticas externas de outros países. A China desenvolve sempre parcerias com os outros países, incluindo o Brasil, com base em respeito mútuo, igualdade, benefício recíproco, abertura e transparência. O objetivo dessas parcerias é promover o progresso comum, em vez de visar ou excluir terceiros", informou o texto da embaixada.

"Desde o surto da covid-19, a China e o Brasil têm mantido cooperações no combate à pandemia e o lado chinês tem prestado apoio ao Brasil através de doação de materiais, compartilhamento de experiências no diagnóstico e tratamento, além de parcerias estreitas no desenvolvimento de vacinas, etc. Enquanto isso, os EUA vêm agindo contra o espírito humanitário básico e até retiveram materiais médicos urgentes, inclusive respiradores, que foram enviados da China ao Brasil, numa tentativa maléfica de atrapalhar a cooperação normal entre a China e o Brasil", complementou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)