31 de julho de 2025
Brasil e Poder

VACINA: Após Bolsonaro atender apoiador que pedia demissão de Pazuello por conta de vacina chinesa, Ministério da Saúde emite nota afirmando que governo não comprará doses da Sinovac

Ministério da Saúde informou, ainda, que conversa com o governador paulista "tratou-se [apenas] de um protocolo de intenção entre o Ministério e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante"

Publicado em
Ministério da Saúde

( Publicada originalmente às 11h 24 do dia 21/10/2020) 

(Brasília-DF, 22/10/2.020) Após o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) atender um apoiador que, em manifestação nas redes sociais, pedia a demissão do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que sinalizava fazer uma parceria com o governo de São Paulo e com o Instituto Butantan, após conversas e reuniões com o governador João Dória (PSDB) para aquisição pelo governo brasileiro de doses da vacina contra o novo coronavírus (covid-19) produzida por um laboratório chinês, o Ministério da Saúde emitiu nesta quarta-feira, 21, uma nota oficial afirmando que o governo federal não comprará doses da Sinovac, primeira vacina com eficácia confirmada.

A declaração de Bolsonaro se dá um dia após ele firmar um acordo comercial com o governo dos Estados Unidos da América (EUA), que proporcionará cerca de R$ 5,6 bilhões em investimentos em áreas como de telecomunicações (incluindo tecnologia 5G, a próxima geração de rede de internet móvel), energia (incluindo produção nuclear, petróleo e gás e renováveis), infraestrutura, logística, mineração e manufatura (incluindo aeronaves). O governo dos EUA encontram-se atualmente em situação de "guerra comercial" com o governo chinês por conta da disputa de ambos do mercado mundial da tecnologia de 5G. Enquanto o governo norte-americano quer que seus parceiros adquiram a nova tecnologia da empresa AT&T. Já o governo chinês faz lobby em favor do produto fornecido pela empresa Huawei.

Assim, a pasta ministerial responsável pelas políticas de saúde pública informou, ainda, que nas conversas com o governador paulista foi tratado apenas "de um protocolo de intenção entre o Ministério e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante". A nota assinada pela assessoria de comunicação do Ministério reforçou que "não houve qualquer compromisso com o governo do estado de São Paulo ou seu governador, no sentido de aquisição de vacinas contra Covid-19", que já matou desde março 154.857 brasileiros. O órgão ministerial frisou que o encontro entre Pazuello e Dória foi "mais uma iniciativa para tentar proporcionar [uma] vacina segura e eficaz para a nossa população".

"Sobre a reunião de ontem, realizada no Ministério da Saúde, por meio de vídeo conferência com governadores, esclarece-se o seguinte: Houve uma interpretação equivocada da fala do Ministro da Saúde. Em momento nenhum a vacina foi aprovada pela pasta, pois qualquer vacina depende de análise técnica e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)", inicia a nota do Ministério.

"Destaca-se que o governo federal, por intermédio do Ministério da Saúde, tem envidado esforços na direção de proteger a população por intermédio de várias ações, como: a adesão na iniciativa Covax Facility, com a opção de compra de vacinas; o contrato de encomenda tecnológica AztraZeneca/Oxford com insumos estrangeiros em um primeiro momento para o escalonamento de 100,4 milhões de doses e transferência tecnológica para produção própria de insumos. O que possibilitará que a Fiocruz produza mais 110 milhões de doses no segundo semestre de 2021", complementa a nota da pasta ministerial.

"Tratou-se de um protocolo de intenção entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante, grande parceiro do MS na produção de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Neste caso com uma vacina brasileira, caso fiquem disponíveis antes das outras possibilidades. Não há intenção de compra de vacinas chinesas. A premissa para aquisição de qualquer vacina prima pela segurança, eficácia (ambos conforme aprovação da Anvisa), produção em escala, e preço justo. Quando qualquer vacina estiver disponível, certificada pela Anvisa e adquirida pelo Ministério da Saúde, ela será oferecida aos brasileiros por meio do PNI e, no que depender desta Pasta, não será obrigatória", finalizou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)