31 de julho de 2025
Brasil e Economia

RUMOS: Paulo Guedes diz que auxílio emergencial não será renovado em 2.021; em “dezembro acabou tudo isso”, disse

Ministro da Economia falou, ainda, que não há hipótese do governo “furar” a política de controle de gastos públicos estabelecida pela emenda constitucional 95 de 2.017; para isso, segundo ele, só tem uma exceção: “se a pandemia recrudescer”

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( Publicada originalmente às 15h 30 do dia 07/10/2020)  

(Brasília-DF, 08/10/2.020) O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira, 7, que o auxílio emergencial, pago aos brasileiros mais vulneráveis como forma de ajudá-los a enfrentar a sobreviver as consequências desastrosas que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) causou a economia, não será renovado em 2.021. Segundo ele, em “dezembro acabou tudo isso”, frisou.

A declaração do ministro ocorreu na portaria do Ministério da Economia, após uma reunião virtual que teve com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na oportunidade, Guedes declarou ainda que não há hipótese do governo Bolsonaro “furar” a política de controle de gastos públicos estabelecida pela emenda constitucional 95 de 2.017. Para que isso aconteça, segundo ele, só tem uma exceção: “se a pandemia recrudescer”.

Ele destacou também que querer “furar o teto” de gastos para vencer em algumas prefeituras que terão eleições no próximo 15 de novembro é irresponsabilidade com os brasileiros do futuro e permitir que o país retorne ao período hiperinflacionário vivido nos anos 80 e 90.

“[O] plano emergencial e o decreto de calamidade vão até o fim do ano. E no fim de dezembro acabou tudo isso. O ministro da economia está descredenciando qualquer informação de que vai prorrogar o auxílio”, respondeu sobre a possibilidade do benefício ser estendido para até o mês de junho do próximo ano.

“Uma coisa é você furar o teto porque você está salvando vidas em ano de pandemia, e isso ninguém pode ter dúvidas. Se a pandemia recrudescer e voltar em uma segunda onda, aí, sim, nós decisivamente vamos fazer algo a respeito. E, aí, sim, é o caso de você furar o teto. Agora, você furar teto para fazer política, para ganhar eleição, isso é irresponsável com as futuras gerações. Isso é mergulhar o Brasil no passado triste de inflação alta”, complementou.

Conflito

As declarações de Paulo Guedes vão no mesmo sentido em falas feitas na última semana, quando se envolvera em atritos com o colega de esplanada, ministro do Desenvolvimento Regional, o potiguar Rogério Marinho, e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em episódios já superados.

Na época, o ministro responsável pela agenda econômica do governo federal concordou com a necessidade em turbinar o novo programa de assistência social que está sendo gestado para substituir o atual programa Bolsa Família (BF), de uma forma mais ampla. Mas, segundo ele, essa discussão não pode acontecer agora.

O BF existe para auxiliar os brasileiros mais vulneráveis a conseguir romper a fronteira da miséria. Já o Renda Cidadã vem sendo pensado para beneficiar os brasileiros que vivem em situação de pobreza.

“Vamos ter que dar uma turbinada neste programa sim. Mas precisa furar teto? Não! Agora, você está numa temporada política. [Estamos há] 40, 50 dias de eleição, como é que você vai entrar nessa brigalhada? Há 40, 50 dias da eleição, [você] vai falar que o Renda Brasil vai ser R$ 300,00? Não, não dá, é dinheiro demais. ‘Ah, então vai ser R$ 190,00. [Aí me dizem:] ‘ah, não pode, lá embaixo também, assim não dá’. Isso é hora de discutir isso?”, questionou.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)