31 de julho de 2025
Brasil e Poder

SUPREMO: Após imprensa divulgar incongruências no currículo de Kássio Marques, indicado de Bolsonaro ao Supremo, redes sociais repercutem

Entretanto, a negativa de universidade espanhola de que vice-presidente do TRF-1 teria cursado pós-graduação não foi motivo amplo debate no meio aos políticos; um dos poucos que se manifestou foi o ex-líder do Novo, o gaúcho Marcel Van Hatten

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( Publicada originalmente às 11h 30 do dia 07/10/2020) 

(Brasília-DF, 08/10/2.020) Após o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar na noite dessa terça-feira, 6, algumas incongruências no currículo acadêmico que o desembargador Kássio Nunes Marques teria disponibilizado na plataforma mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a polêmica envolvendo o magistrado piauiense indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) para assumir a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu nas redes sociais.

Celso de Mello se aposenta na próxima terça-feira, 13, dias antes de completar 75 anos e ser obrigado se aposentar compulsoriamente do cargo. A informação apurada pelo jornal paulista, entretanto, não causou o mesmo debate no meio político. Parlamentares, da direita à esquerda, preferiram não entrar na discussão. Nunes Marques será sabatinado no próximo dia, 21, pelos senadores que compõem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O debate em torno das incongruências das informações do currículo do vice-presidente do Tribunal Regional Federal, da primeira região (TRF-1), ficou restrito aos internautas e a jornalistas.

Kássio Nunes, apesar de indicado pelo presidente Bolsonaro, seria um nome de consenso de todas as forças políticas que compõem o Congresso Nacional. Visto que ascendeu ao TRF-1 por indicação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2.011, sendo escolhido, na oportunidade, para assumir a função pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Natural de Teresina, capital do Piauí, a indicação do desembargador agradaria tanto o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos áulicos do centrão e presidente nacional do Partido Progressista, como o governador piauiense Wellington Dias (PT), atualmente adversários políticos.

As incongruências levantadas pelo Estadão apontam que a Universidade de la Coruña negou que Kássio Nunes teria feito uma pós-graduação naquela instituição. A entidade espanhola informa apenas que o magistrado teria realizado curso de extensão com duração de quatro dias, em 2.014. Outra incongruência do currículo do magistrado apontada pelo Estadão diz que mesmo tendo concluído o doutorado há 26 dias, o possível futuro ministro da Suprema Corte informara que já tinha realizado dois pós-doutorados. Procurado pela reportagem do veículo, o integrante do TRF-1, e em campanha para assumir a vaga no STF, não retornou o contato.

“No currículo apresentado ao TRF-1, Marques menciona que concluiu pós-graduação em ‘Contratación Pública’, pela Universidad de La Coruña. Instituição diz que desembargador participou apenas de um curso de quatro dias, em setembro de 2014”, diz o jornal paulista.

Um dos poucos parlamentares que se manifestou sobre as incongruências curriculares apresentada pelo vice-presidente do TRF-1 foi o ex-líder do Novo, o deputado Marcel Van Hatten (RS). Segundo ele, a informação levantada pelo Estadão seria motivo suficiente para que a CCJ do Senado não aprovasse o nome de Kássio Nunes Marques para a vaga no STF.

“Mais um motivo para que o senado rejeite o nome na sabatina! Infelizmente, Lamentavelmente, está sacramentado. Jair Bolsonaro indica como futuro ministro do Supremo, Kássio Nunes Marques, que tem a bênção do Centrão, do presidente da OAB, do PT, de Gilmar Mendes, de Dias Toffoli e de Davi Alcolumbre”, reclamou o parlamentar gaúcho do Novo.

(por Humberto Azevedo, especial para a Agência Política Real, com edição de Genésio Jr.)