Só nos restar torcer que o bem vença o mal
A coluna de Genésio Araújo Junior é editada todos os domingos neste espaço
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(Brasília-DF) O balanço da Presidenta Dilma para o ano de 2012, suas esperanças e vontades para 2013 - não foi nada mal.
Ela falou como se mirasse o resultado das últimas pesquisas de opinião. Natural, em política só se inventa quando se tem muito carisma – não é o caso da nossa Chefe de Estado e Governo. Se a fala da Presidenta fosse voltada para o Nordeste não poderia ser diferente, pois ela é líder de aprovação nessa região do país.
É verdade que o olhar mais arguto apontaria que ela continua a atuar sem mirar ações sistêmicas de desenvolvimento regional - vemos concentrações noutras regiões, porém anúncios de instalações de montadoras em alguns estados só demonstra que outros estados da região avançam, evidente, mais que outros. Isto não é bom, depõe contra uma visão sinérgica. Este é um problema que teremos que continuar enfrentando em 2013.
Hoje, no entanto, seria bom avaliarmos a posse dos novos prefeitos municipais.O momento é deles.
Nos pequenos e médios municípios teremos problemas sérios. As desonerações fiscais de 2012 obrigarão esta gente a procurar o governo federal, em tropel, logo no final de fevereiro. Nosso triste e apoplético modelo federativo ainda pode ser engrossado por uma nova crise institucional, se o Supremo Tribunal Federal se insurgir contra a tendência de alguns de quererem que norma do Tribunal de Contas da União sirva de base para manter a distribuição do Fundo de Participação dos Estados.
Quanto aos grandes municípios, especialmente as capitais, também deveremos ter problemas dessa ordem, mas as grandes obras modais, especialmente obras em metrôs, VLT’s e outras iniciativas deverão manter a dinâmica.
O ressurgimento da oposição no Nordeste - com o Democratas em Salvador e Aracaju, e o PSDB vivo em Teresina e Maceió – vão, obrigatoriamente, gerar uma nova forma de fazer política na região dominada pelos governistas do PSB, especialmente.
No Ceará, vamos ter o ineditismo, desde a época dos coronéis, do prefeito de Fortaleza ser de um mesmo partido do Governo do Estado, com o detalhe fundamental de funcionar como um apêndice. Numa época de um emaranhado, e democrático, cordel de poderes difusos tendo que lidar com uma grande quantidade de obras públicas, restará ao Ministério Público, mais que ao Legislativo e o Judiciário, funcionar como verdadeiro resgate social. O mesmo veremos em Recife, que voltou a ser a Capital do Nordeste.
João Pessoa com o PT, Natal com o PDT e São Luís com o PTC(como apêndice partidária do triunvirato PDT, PSB, PC do B) são espaços onde não se espera grandes solavancos. No caso de São Luís, deveremos ver dias intensos, sim, pois são dados sinais de tensão com mudanças no Clã Sarney.
O ano começa com novos gestores e novos(ou renovados) atores políticos. Os líderes que souberem falar a esta gente com a crise federativa que temos(e teremos) nos costados, face aos motivos que já contei por aqui em outras oportunidades, terão o que amealhar.
Ninguém vai ganhar, face este cenário contado, com a terra arrasada. Como já disse a Presidenta, não deveremos ver isto na prática, no entanto só teremos tranquilidade para falar deste assunto após “90 dias” como contou Eduardo Campos.
Vamos em frente e torcer pelo bem. Bom ano novo a todos.
Eis o mistério da fé
Por Genésio Araújo Jr.
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