Lula nunca esquecerá
A coluna de Genésio Araújo Junior é editada todos os domingos neste espaço
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(Brasília-DF) A presidente da República tem nome e sobrenome, Dilma Rousseff, porém este ano de 2012 vai ficar marcado pelo ano do retorno político de Luiz Inácio Lula da Silva.
2012 vai ser um ano que Lula jamais esquecerá. Durante este 2012 o ex-presidente começou esperando clareza sobre o diagnóstico do câncer na garganta.
Ele viveu a dúvida sobre o futuro do tratamento que lhe permitiria voltar a falar com seu tradicional tom grave, anasalado.
Lula entrou na política ocupando um espaço que nunca vivera enquanto Presidente da República por 8 anos. Ele pôde participar das campanhas políticas municipais do Partido dos Trabalhadores como nunca fez e pôde. Quando Presidente, em nome da relação com os aliados de seu mosaico de apoiadores, não entrava nas disputas.
No Nordeste, fez apostas erradas ou entrou tardiamente nas disputas. O PT viu senadores importantes serem derrotados, como no caso de Recife e Teresina. Viu a derrota de seu partido em Salvador, dando ânimo para o Democratas, um dos seus mais famosos adversários.
Apesar de tudo isso, o PT cresceu e ficou mais forte eleitoralmente – Lula elegeu outro poste, como fez com Dilma, no caso de Fernando Haddad na Capital Paulista.
Lula viu seus amigos, como José Genoíno e José Dirceu serem condenados na Ação Penal 470, o “julgamento do mensalão”, um processo jurídico político marcante e inédito.
Lula foi duramente acusado de ter permitido que uma “favorita” tivesse feito tráfico de influência, detectada na “Operação Porto Seguro” da Política Federal sob sua complascência. Como nunca tinha se visto, nem nos dias mais tensos do lacerdismo, associaram a relação de Lula com sua ex-assessora à intimidade.
Para completar, o condenado pelo “julgamento do mensalão” Marcos Valério acusou Lula de receber vantagem indevida para o pagamento de contas pessoais.
Apesar de tudo isso, pesquisa Datafolha, aponta Lula com 56% de aprovação e venceria uma eleição presidencial hoje, com folga, em primeiro turno.
Na última semana, num evento na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ele anunciou que retornará as ruas para mostrar que muito ainda tem que ser feito por este país.
São muitos fatos em um único ano. São muitos eventos, emoções, conquistas, derrotas, vitórias, assunções, declarações, constatações. Qual brasileiro poderia ter vivido, tão intensamente, este ano como Lula?
Muito se fala de 2013, como o décimo ano do início da Era Lula. Na verdade, 2012 foi talvez ainda mais importante, pois foi o décimo ano da campanha de 2002.
Especula-se sobre se 2013 poderia ser mais impactante do este ano. Dificilmente. Lula está dizendo que voltará ao seio da sociedade. Isto preocupa seus adversários e desconstrutores. A decisão da Presidenta Dilma em não permitir que lhe afastem de Lula, associada a este prenúncio, deixa a todos em estado de inércia. A capacidade de reação sobre este movimento de Lula, sob prestígio presidencial, gera muitas dúvidas, poucas certezas.
Os lulistas estão ansiosos não menos que os anti-lulistas. Para nós do Nordeste, parece nítido que o ex-presidente deverá começar a sua nova caravana onde nasceu, talvez por sua Garanhuns, pelo seu Pernambuco onde está Eduardo Campos.
São por essas e outras que 2013 será bem animado. Vamos aguardar.
Eis o mistério da fé.
Por Genésio Araújo Jr, jornalista.
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