A bomba já foi armada
A coluna de Genésio Araújo Jr é publicada todos os domingos neste espaço
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(Brasília-DF) Os que gostam de Política dizem que o estudo e o entendimento do poder é fundamental para se cunhar as próximas gerações. Os que não gostam de Economia dizem que é um estudo sobre ciências sociais para entender o próximo ciclo, nada mais.
No Brasil do final do século passado e, principalmente, nesta primeira década deste século, a economia passou a ser a forma de entender as próximas levas e a política o próximo ciclo.
Eventos econômicos valeram mais que eventos políticos.
Nessa semana, foi divulgado que pelo quinto trimestre consecutivo a taxa de investimentos da economia brasileira operou no vermelho, caindo 2% ante o trimestre anterior. No ano a chamada Formação Bruta de Capital Fixo(FBCF), que mede o consumo de máquinas e equipamentos destinados ao setor produtivo já despenca 3,9%. Foi a pior retração desse indicador em três anos. Ao todo, o tamanho do recuo do FBCF é de 5%.
Agora, voltando à Política. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, também presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro, questionado pela Política Real sobre se não teria havido um exagero permitir que tantas pendências federativas chegassem ao fim deste ano da forma que chegaram(novo marco das dívidas, resoluções sobre guerra fiscal, equilíbrio no e-comerce, saída do desequilíbrio para as desonerações, solução para FPE, entre outras), ele respondeu, fugindo da cilada se a Presidenta Dilma não seria culpada – disse que a culpa era do Congresso. Ele escapou de mais questões, rindo e caindo nos braços de alguns prefeitos eleitos que o esperavam pouco antes do início do seminário do PSB voltada para os futuros gestores municipais.
No início, pensei que fosse só uma forma de escapar da conversa que poderia lhe colocar em maus lençóis com a Presidenta. Na verdade, costumamos acreditar – e isso é um mito entre os jornalistas políticos – que os políticos são muito espertos. De fato, eles são, porém ao dizer que a culpa era do Congresso, ele, Campos, com forte formação parlamentar poderia nos estar dando um sinal.
Os problemas econômicos do Governo Dilma vão ficar tanto mais difíceis quanto forem seus problemas políticos. O caso do momento, os desdobramentos da “Operação Porto Seguro” não lhe traz problemas imediatos, pois o alvo é o ex-Presidente Lula, o porto seguro político de Dilma - que já tem anticorpos suficientes para se proteger, especialmente, agora, que se divulga que ele não foi grampeado.
Dilma tem que se preocupar, sim, com o mix econômico e político que aponta contra sua maior conquista, junto com a marca da “ faxineira” , especialmente próximo a classe média e outros tantos: a competente gestora.
Os investimentos que caem se devem, em muito a crise internacional, mas Dilma passa a impressão de controladora em excesso. No momento, o homem que ela vem mais ouvindo no Governo é o ministro Aloízio Mercadante, da Educação. Todos correm na direção do filho do General e o barco fica penso.
No Nordeste, a imagens da paralização nas obras da Transposição do São Francisco em ano de Centenário de Luiz Gonzaga, com suas criações que projetam imagens culturais no mais indigente dos nordestinos, falam tão forte a essa gente, que habita acima do paralelo 20º, quanto as quedas na FCBF falam aos economistas.
Eis o mistério da fé.
Por Genésio Araújo Jr, jornalista
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