31 de julho de 2025

Desafio.

A coluna de Rangel é publicada todos os domingos aqui e nos "Florida Review" e "Diári

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( Brasília-DF, 10/02/2008) Passados os folguedos – desta feita momescos – o Congresso Nacional abre nova sessão legislativa com um novo desafio: votar projetos importantes para a vida nacional e apressar a adoção de reformas vitais como a tributária, a política, a eleitoral e a do judiciário. São temas que nos últimos anos vêm sendo relegados, e o balanço da atividade legislativa só tem mostrado um acentuado interesse pelas matérias que cada vez mais ajudam a tornar o país num paraíso da corrupção, da impunidade e da incompetência. Bem que os nossos congressistas podiam começar a nova sessão discutindo e votando o projeto do deputado Marcelo Itagiba, do Rio de Janeiro, que acaba com o foro privilegiado para autores de crimes comuns, uma das maiores excrescências da nossa legislação constitucional.

É esse absurdo que consegue manter nas duas casas do Congresso e em altos cargos dos três poderes da República uma leva de envolvidos em processos que vão desde o simples furto à tentativa de assassinato, passando pela corrupção e arranhando quase todas as leis penais do país. Praticamente todos jamais serão julgados, como nunca foram os que os antecederam e serviram de exemplo e incentivo à marginalidade protegida. È verdade que a tarefa não é fácil, se levarmos em conta que boa parte dos que deverão votar a proposta do ex-homem forte da policia carioca é formada exatamente por figuras que só não estão na cadeia porque se abrigam nesse valhacouto legal. Esse apenas um dos muitos desafios que a Nação impõe aos seus representantes. E como as chances de aprovação do projeto são praticamente nulas, bom seria que cada cidadão cuidasse de escolher melhor os seus representantes em todos os níveis, tanto no executivo como no legislativo, nas próximas eleições, a começar pelas municipais deste ano. Na verdade, não dá para se esperar praticamente nada do Congresso atual. A solução está na única forma de revolução que a democracia consagra: a do voto. Todo eleitor sabe quem é quem na política do seu município, do seu estado e do país.È responsável pelo que está aí e pelo que vier depois. Não tem o direito de alegar que votou enganado.

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De galo
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Quem, está cantando alto é o Posto Galo Ltda, de Florianópolis,que vai vender uns 30 mil litros de gasolina para a frota de veículos que serve à segurança da filha do presidente Lula naquela capital. Dá para a rodar sete vezes em torno da terra.
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Boa e má
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Uma boa e u’a má notícias: a boa para o ex-prefeito Glauber Barbosa de Castro, de Morada Nova, cujas contas referentes à aplicação das verbas federais para a saúde estavam certinhas e foram aprovadas pelo TCU. A má para o seu colega Francisco Odernes Vasconcelos, de Moraújo, condenado pela mesma Corte a devolver, dentro de 15 dias, R$ 90 mil que recebeu do ministério do Meio-Ambiente e não aplicou corretamente. E mais uma multa de R$ 9 mil.
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Lambança
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Sabem lá o que é mais de 13 mil companheiros, cada um com um cartão corporativo, gastando o dinheiro dos nossos impostos com bebidas, comidas, viagens, free shops. Nunca nesse país se viu tanta lambança. Só a ministra Matilde podia comprar sete carros com o que torrou alugando automóveis. Mas vai melhorar: eles agora só podem sacar 50 milhões em dinheiro.
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Contra quem?
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Enquanto o ministro Jobim se deslumbra com os armamentos franceses e russos, que quer comprar, a nossa Marinha vai gastar US$ 35 milhões na modernização dos seus submarinos de combate. Para combater com quem?
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De novo
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De vez em quando a competência e a honestidade têm vez. O presidente Lula enviou ao Senado mensagem reconduzindo o engenheiro Fernando Antonio Brito Fialho para mais um mandado como diretor-geral da Agencia Nacional de Transportes Aquaviários.
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Mais um
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A Câmara dos Deputados vai construir mais um edifício. Será o seu quinto anexo. Só para fazer o projeto básico das fundações e estruturas da obra uma empresa de consultoria vai levar R$ 1,24 milhão.
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É muito
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Justamente quando o governo anuncia aumento nas tarifas telefônicas, a Brasil Telecom e sua subsidiária Brasil Telecom Participações demonstram que não precisam aumentar nada, anunciando que no ano passado tiveram um lucro líquido de nada menos que R$ 1 bilhão 464 milhões..
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Mais sete
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Mais sete cursos de Direito foram reconhecidos na semana passada pelo ministério da Educação. Funcionam em Natal, Goiânia e em cidades do interior do Espírito Santo, Minas e São Paulo.
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Campeão
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O motoboy Paulo Sergio Duarte de Freitas, da Universidade de Uberlândia, foi o campeão em gastos com cartão corporativo naquela instituição.Torrou R$ 47 mil em um não. Terezinha Santos, uma servente de limpeza, ficou em segundo lugar, com gastos de R$ 15 mil.
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Tolerância
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A tolerância com que tratou o caso da gastança da ministra Matilde Ribeiro com cartão corporativo causou mais danos à imagem do governo o que o próprio fato denunciado e comprovado. Casos como esse, de tão óbvios, são de demissão pura e simples.
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Incrível
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A Eletrobrás alterou o seu estatuto para garantir que doravante vai pagar os advogados e toda a defesa dos seus diretores envolvidos em processos por atos praticados no exercício da função, mesmo depois que deixarem os cargos. Uma gaiata observação: se forem condenados, por sentença transitada em julgado - o que jamais acontece – terão que ressarcir a empresa desses gastos.
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Problema
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O Tribunal de Contas do Ceará enfrenta um grave problema de aritmética. Não consegue escolher entre os três únicos auditores concursados da Casa (só eles podem concorrer) os três nomes que devem compor a lista para o preenchimento de uma vaga de conselheiro existente há vários anos.
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Risco
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Defender os direitos humanos no Brasil parece ser mesmo uma atividade de muito perigosa, de alto risco. Tanto que no Espírito Santo e na Paraíba já surgiram entidades que executam “Projetos de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos”. Claro que às custas de generosas verbas da Secretaria Especial dos DH da presidência da República.
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Logo chega
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Em meio a milhares de ONGs que faturam do governo (e se denominam não-governamentais) para proteger os negros no país, surge agora uma Associação Brasil Mestiço, que pega os seus primeiros R$ 390 mil do nosso bolso para a defesa dos moreninhos. A coisa está clareando. Logo aparece alguém para faturar na proteção da minoria branca..

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Por Rangel Cavalcante

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