31 de julho de 2025

Nordeste e Recursos Hídricos. Gestão pública das águas do semi-árido é abordada em publicação apoiada pelo Banco do Nordeste.

A Política Real teve acesso.

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( Brasília-DF, 04/09/2007) A Política Real teve acesso. O Sertanejo e o Caminho das Águas – Políticas Públicas, Modernidade e Sustentabilidade no Semi-árido. Este é o título da tese de Doutorado da professora Suely Chacon, defendida no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília e selecionada pelo Banco do Nordeste para publicação dentro da Série BNB Teses e Dissertações.

A autora é presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará e coordenadora do Curso de Economia da Unifor, e trabalha há mais de 15 anos com temas relativos às políticas públicas e à gestão ambiental.

Com prefácio do professor da UnB Marcel Bursztyn, atualmente Pesquisador Sênior da Universidade de Harvard, em Massachusetts, Estados Unidos, o livro está disponível para download no site do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do BNB, na Internet (www.bnb.gov.br/etene), juntamente com outros trabalhos realizados ou editados pelo Etene, como livros, coleções, revistas, pesquisas e artigos técnicos.

Para o superintendente do Etene, Sydrião Alencar, “a iniciativa de disponibilizar esses trabalhos para download deve-se ao fato de o Banco do Nordeste entender que a ampla divulgação de informações, estudos e pesquisas é fundamental para aprofundar o conhecimento sobre a diversidade regional”. Estão disponíveis no site, por exemplo, as edições da Revista Econômica do Nordeste (REN) editadas desde 1969, além dos números do Boletim BNB Conjuntura Econômica e de todos os livros da série “Estudos do Etene”.


POLÍTICAS PÚBLICAS - Segundo a professora Suely Chacon, a grande motivação de sua tese “foi a busca pelo entendimento da real situação do Sertão e do sertanejo diante de um processo histórico de transmutação do papel e da atuação do Estado, especialmente a partir da inserção no discurso político dos conceitos de modernidade e de sustentabilidade”.

Para construção do trabalho, além de pesquisa bibliográfica relacionada à base teórica, a autora fez uma revisão da literatura que discute em várias épocas a organização social, econômica e política do Sertão em geral e do Ceará em especial, e dos documentos oficiais relativos às políticas públicas estudadas. Realizou, ainda, pesquisa empírica a partir de um estudo de caso sobre a prática de gestão de águas implementada pelo governo do Estado do Ceará e, a partir desses estudos, escolheu a bacia hidrográfica e os municípios a serem analisados mais detalhadamente.

A Bacia do Rio Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, mais especificamente os municípios de Quixadá e Quixeramobim, foi a região escolhida para a pesquisa de campo, segundo a autora, “por estar inserida totalmente no semi-árido e representar, historicamente, o espaço do sertanejo, do vaqueiro, do plantador de algodão, bem como de sua decadência”. As entrevistas tiveram como principal interlocutor o sertanejo, nas comunidades rurais do Sertão, mas também foram entrevistados técnicos, políticos e autoridades, no Ceará e em Brasília.


PIRACEMA - Em suas conclusões, a autora aponta que o conflito em relação ao acesso à água sobressai e aparece ao longo da história do Sertão como determinante das relações que ali se desenrolam. “Mas, para além das aparências, esta tese demonstra que o conflito em relação à água é a representação de um conflito que fica oculto e que se refere à identidade do sertanejo. Ser ou não sertanejo é um conflito que se desenvolve historicamente e que, ao mesmo tempo, é influenciado e influencia as políticas públicas traçadas para o Sertão”, diz ela.

O cenário apresentado no livro indica uma tendência de esvaziamento do Sertão. Com base nesse diagnóstico, a tese sugere uma política que consiste basicamente em instituir mecanismos que incentivassem a volta ao sertão. “Uma política que teria como objetivo central promover uma “piracema” dos sertanejos. Ou seja, um retorno às origens daqueles que desceram pelo caminho das águas e vivem nas cidades, no litoral”, explica Suely.

Finalizando, afirma ela: “As conclusões desta tese permitem uma releitura do Sertão no alvorecer do século XXI. Há uma encruzilhada que pode significar ruptura e descontinuidade, com o Sertão sendo de forma avassaladora tragado pelo modo de vida urbano, ou um renascimento, à medida que esse lugar possa ser (re)valorizado pelo próprio sertanejo e pelos fazedores e implementadores de políticas públicas.

( da redação com informações de assessoria)