Nordeste e o Senado. Parlamentares pedem voto aberto em processo contra Renan Calheiros.
Inácio Arruda identifica teor político sobre o processo e critica partidos que já decidiram seu voto antes de conhecer relatórios.
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(Brasília-DF, 30/08/2007) Teve início há pouco a reunião do Conselho de Ética para analisar os pareceres sobre o processo de quebra de decoro contra Renan Calheiros (PMDB-AL). A primeira discussão a ser feita no Conselho será sobre o processo de votação do relatório. O regimento da Casa não define se os votos devem ser secretos ou abertos. A maior parte dos membros, entretanto, pede uma votação aberta. “O parecer da consultoria indica o voto aberto. Isso dará mais tranqüilidade e a certeza de que o Congresso não tem nada a esconder”, revelou o corregedor da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP) antes da reunião.
O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que não é membro do Conselho, afirma que a votação deveria ser secreta como aconteceu em outras ocasiões. O parlamentar alega que uma votação em aberto tende a ter um caráter político e induz aos membros a sofrer forte pressão tanto da opinião pública, como do próprio réu. Parlamentares do Psol fizeram um protesto no Conselho pelo voto aberto e apresentaram um documento com mais de 60 mil assinaturas pedindo a cassação de Calheiros. O presidente da Comissão, Loemar Quintanilha (PMDB-TO), alegou que a questão será debatida e decidida entre os membros ao longo da sessão.
Outro ponto de debate no Conselho é qual relatório deve ser posto em votação. O processo foi analisado por uma comissão de três senadores que gerou dois pareceres. O senador Almeida Lima (PMDB-SE) vai apresentar um relatório. E Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) elaboraram outro parecer. “Naturalmente o relatório de Casagrande e Serrano terá preferência”, afirmou Quintanilha. O presidente alega que o consenso de dois membros da relatoria é mais forte do que a visão de um.
“Na minha opinião a discussão no Conselho tem ficado em cima do embate político e não no julgamento em si do processo”, criticou o senador Inácio Arruda. O parlamentar argumenta que os pareceres nem foram lidos ainda e já existe partido com questão fechada sobre qual relatório deve ser apreciado. “A meu ver não há decisão técnica, e sim política e conta com forte apelo midiático”, disse.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, está sendo acusado de ter contas pessoais pagas por um lobista da empreteira Mendes Junior. O senador nega a denúncia alegando que usou recursos próprios para pagar pensão de filha, e apenas usou um amigo para repasse do dinheiro. Ontem, esse site teve acesso a informação de que o relatório conjunto do senador Casagrande e da senadora Serrano vai pedir a cassação de Calheiros com base no rastreamento de cheques que o senador alagoano disse terem sido usados para pagar a pensão a jornalista Mônica Veloso.
Segundo Casagrande, ouvido por fonte da agência, os cheques na verdade teriam usados para pagar repassar recursos para Tito Uchoa, homem de Calheiros em Alagoas, numa operação de compra de fazenda. Casagrande e a senadora Serrano, encaminharão requerimento pedindo que a votação seja aberta no Conselho de Ética.
(por Liana Gesteira)