31 de julho de 2025

Nordeste e Brizola. Nordestinos se manifestaram na sessão em homenagem a Brizola.

A Política Real teve acesso.

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( Brasília-DF, 121/06/2007) A Política Real teve acesso. Hoje, pela manhã, a Câmara Federal realizou uma sessão solene numa homenagem póstuma ao ex-governador Leonel de Moura Brizola. O evento se deu justo no dia seguinte a formalização da Frente de Esquerda que veio ao mundo num ato na sede do PDT, como já informamos em nossa edição de hoje, nesta seção. Vamos destacar e editar, na íntegra a fala dos nordestinos que se manifestaram nessa sessão.

Um dos primeiros a falar foi um nordestino que se elege por São Paulo, o ex-presidente da Câmara Federal, Aldo Rebelo(PC doB-SP), um dos signatários da nova frente. O ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa(PDT) também esteve presente.

Veja a íntegra da fala dos nordestinos:

O SR. ALDO REBELO (Bloco/PCdoB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Arlindo Chinaglia, prezado Governador Ronaldo Lessa, prezado Deputado Vitor Faccioni, prezado Sr. Luiz Martins, Secretário-Geral da Juventude do PDT, prezado companheiro Deputado Vieira da Cunha, senhoras e senhores:

O querido Líder, Deputado, Governador, patriota Leonel Brizola escreveu uma das mais gloriosas páginas e uma das mais belas biografias políticas da história do nosso País. E o fez nas grandes encruzilhadas da História do Brasil na segunda metade do Século XX.
Procedente do berço da República no Brasil, o Rio Grande do Sul, herdeiro da tradição de Júlio de Castilhos, da combatividade dos homens que fizeram a jornada libertária da Guerra dos Farrapos, contemporâneo, ainda na juventude, do Presidente Getúlio Vargas, Leonel Brizola resumiu na sua vida pública as qualidades e as virtudes das melhores tradições libertárias do Rio Grande do Sul, que, digo, são as melhores tradições libertárias do povo brasileiro.

Em nenhum momento Leonel Brizola titubeou na defesa dos princípios que nortearam a sua trajetória. Líder político, tinha mais relação com a busca dos ideais do que com os atalhos, às vezes fáceis, da busca do poder.

Se erros cometeu na sua trajetória não há dúvida de que, em todas as circunstâncias, as suas referências eram os princípios que o ligavam aos interesses do povo e aos interesses do Brasil.

Em 1995, não fazia um ano que Brizola tinha deixado o Governo do Rio Grande do Sul, pude escrever para um jornal, um artigo cujo título recordo, era uma pergunta: "Gables vive e mora no Rio de Janeiro?"

Por que perguntava isso, Sr. Presidente Arlindo Chinaglia, Líder Miro Teixeira? Porque, depois de 4 anos submetido a uma das mais infamantes campanhas contra um Líder político no Brasil, que buscavam apontar uma espécie de ruína no Estado do Rio de Janeiro, depois que Brizola deixou o Governo, o Instituto de Geografia e Estatística apurou e divulgou, que, de todos os Governos dos 26 Estados brasileiros e do Distrito Federal, tinha sido exatamente o do Rio de Janeiro, naqueles 4 anos, o que acumulara o melhor Índice de Desenvolvimento Humano-IDH e o melhor Índice de Desenvolvimento Social. E só tomamos conhecimento disso por uma pesquisa do IBGE.

Sr. Presidente, na sua grandeza, arrostava esse tipo de campanha sem perder a confiança no País, sem perder a confiança no povo e sem perder a confiança na política. E um legado que deixa para as gerações de hoje e para as gerações futuras do nosso País é exatamente essa biografia de integridade pessoal, de integridade política. E é essa grande demonstração de amor ao Brasil e de amor ao povo brasileiro que temos a alegria e a honra de celebrar na manhã de hoje, nesta sessão solene.

Muito obrigado. (Palmas.)”

Veja a fala do cearense Mauro Benevides(PMDB-CE), um recordista de fala na Câmara Federal:

“SENHOR PRESIDENTE
SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS:

Durante sessão solene, levada a efeito na manhã de hoje, a Câmara dos Deputados reverenciou a memória de Leonel de Moura Brizola, na passagem do terceiro aniversário de falecimento, relembrando episódios marcantes que assinalaram a sua brilhante trajetória na vida pública brasileira.

Chegando a governar dois Estados do País – o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro – ele se notabilizou, também, como dirigente partidário, comandando corrente de pensamento de alcançou a amplitude do território pátrio, numa integração que consagrou a sua faina incessante em favor dos segmentos mais carentes da população.

Quando presidia eu o Senado Federal, tive o prazer de recebê-lo em meu gabinete, ouvindo-o discorrer sobre a conjuntura político-institucional, quando pregava um avigoramento, ainda maior no Estado de Direito, a que chegáramos com a promulgação da Carta Cidadã, em 5 de Outubro de 1988.

As constantes aparições na televisão eram sempre assinaladas pela reiteração convicta de princípios inarredáveis que o tornariam figura preeminente dos nossos fastos historiográficos.
Certa vez, durante viagem com Darcy Ribeiro, dele ouvi um relato circunstanciado sobre a obsessiva preocupação de Brizola com os problemas educacionais, situando-os numa linha de prioridade em todos os planos governamentais.

Ele foi um bravo, que legou aos seus contemporâneos lições admiráveis de civismo e brasilidade.


( da redação com informações de assessoria)