Ceará. Ciro Gomes estreou no plenário da Câmara dos Deputados.
Ele lembrou Tasso, logo depois dos pais e filhos, falou de gratidão e disse que só a política produz milagres.
( Brasília-DF, 14/06/2007) A Política Real teve acesso. O deputado Ciro Gomes(PSB-CE) estreou finalmente com discurso em tribuna no Plenário Ulysses Guimarães. Ele explicou a demora: o conhecido sorteio que determina quando um parlamentar poderá falar no chamado grande expediente. Para quem não conhece a vida parlamentar na Câmara Federal existem mais de uma dezena de formas de manifestações dos parlamentares. A mais desejada, o grande expediente, em que o deputado poderá falar até 30 minutos, sempre antes da ordem do dia, onde se votam temas que estão em pauta – só se consegue mediante sorteio.
Ele começou a falar às 16 horas. Foi bem aparteado. Foi aplaudido longamente. Ciro chamou atenção por demonstrar emoção. Falou dos pais, dos filho e do amigo Tasso Jereissati. Só depois falou da mulher Patrícia Pillar. Ele voltou a criticar as elites nacionais, lembrou os avanços que se realizam no seu Ceará e no Nordeste. Ao final ele demonstrou confiança na política e disse que só ela é capaz de operar milagres.
Veja a íntegra da falação:
Veja a íntegra da falação, com apartes, que forma pouco neste dia de pouco movimento no plenário da Câmara Federal:
O SR. CIRO GOMES (Bloco/PSB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, por sorteio, tocou a mim o privilégio de, pela primeira vez neste mandato, ocupar esta tribuna para falar numGrande Expediente. Preciso mencionar essa lembrança para controlar a emoção especial que, mesmo com 30 anos de vida pública, já inteirados, estou experimentando neste instante.
Assomo a esta tribuna com um misto de sentimentos muito fortes, que podem, por economia de tempo, necessária, apesar dos 25 longos minutos a mim concedidos — oportunidade rara nesta Casa — , ser resumidos em 2 sentimentos: um sentimento de gratidão e um sentimento de profundo compromisso.
Gratidão, Sr. Presidente, porque, na minha crença em Deus, posso dizer que tenho tido todos os privilégios que alguém pode almejar.
Sou filho de 2 funcionários públicos — creio que todos compreenderão que eu comece por mencioná-los nesta hora especial de minha vida. José Euclides e Maria José, com muito sacrifício, educaram-me, nem tanto me oportunizando tudo o que puderam, mas principalmente lecionando, com seu exemplo de dignidade, de amor ao trabalho, de ética apenas como atitude e não como gesto de propaganda ou de imodéstia.
Gratidão ao povo de minha cidade, Sobral, no interior do Estado do Ceará, cravada nas ribanceiras do Rio Acaraú, em pleno semi-árido do Nordeste, cidade que me educou, que me criou e onde mantenho meus mais queridos e fraternos amigos, a quem dedico este mesmo sentimento de gratidão, de gratidão pela amizade de todas as horas — e já se vão quase 50 anos de vida.
Gratidão aos meus 3 filhos, que nasceram, os 3, quando eu já me dedicava, mandatário, à causa que é minha vocação, à luta por uma sociedade menos perversa, menos desigual, menos injusta. Meu caçula, o Yuri, está ali nas galerias. Meu abraço de gratidão é para todos eles, o Yuri, a Lívia, que estuda em São Paulo, e o Ciro, que neste instante está trabalhando no Estado do Ceará.
Gratidão aos meus companheiros de luta política, alguns dos quais já não estão entre nós — é longa a minha vida pública. Também a eles dedico a minha oração. Não poderei me referir a todos, tantos são eles, mas um eu quero mencionar, por gratidão especial: o eminente Senador e ex-Governador do Ceará Tasso Ribeiro Jereissati, parceiro, amigo, homem qualificado, de alta estatura para a causa pública brasileira. Esta gratidão cresce todos os dias, na proporção em que cresce a estima e o respeito que sinto por ele, ainda que já há mais de 12 anos estejamos lutando em campos opostos da política nacional.
Tenho convicção de que, se assim as coisas são, é porque ele pensa que o melhor caminho éo que seguiu, da mesma forma que eu sigo trilhando com muita certeza os caminhos que escolhi, errando muitas vezes, acertando, quem sabe, algumas.
Gratidão à eminente Senadora Patrícia Saboya, exemplo de luta, de vocação para a vida pública.
Gratidão à minha amada mulher, Patrícia, que neste instante também está trabalhando, em São Paulo.
Mas não quero deixar que a gratidão tome, ainda que o sentimento esteja muito forte em coração, o sentido grave da minha presença nesta tribuna.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, pensei muito, mas muito mesmo, antes de aceitar o desafio de pedir ao povo do Ceará a oportunidade de representá-lo no santuário da democracia, que éa Câmara dos Deputados. E o povo cearense, na sua generosidade, perdoando uma porção de defeitos e de imperfeições, deu-me a mim mais do que este mandato, que procurarei honrar: deu-me um reparo para qualquer, modesta que seja, dificuldade que em algum momento da minha vida eu possa ter experimentado. Todos os dias, quando entro nesta Casa, cedo, lembro-me de quão privilegiado sou por estar entre V.Exas. neste momento tão especial da vida brasileira.
Tentarei ser um Deputado à altura não só da confiança das centenas de milhares de brasileiros que lutam, morejam e fazem a grandeza do meu Estado do Ceará. Os cearenses sabem que minhas obrigações extrapolam, como as de todos aqui, o compromisso com o Estado, para atender ao grave compromisso que temos com o País.
O Governador Cid é uma dessas jovens esperanças que a democracia brasileira está produzindo, assim como produziu Aécio Neves, em Minas Gerais, e Eduardo Campos, esse extraordinário talento da vida pública brasileira, tão jovem e já tão experimentado, tangedor de um governo que já se inicia extraordinário no Estado de Pernambuco. O jovem Governador Cid sabe que pode contar com este seu companheiro de luta e de vocação em todas as estratégias para odesenvolvimento do nosso Estado do Ceará, seja para consolidar grandes projetos, compromissos alguns deles já em execução com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja para lutar outras tantas lutas que ainda não nos sorriem com generosidade — é o prazer da luta e não a confiança na vitória que nos deve a todos animar, principalmente a nós que nascemos e nos criamos em meio tão hostil como o Nordeste brasileiro.
Ali há um compromisso com o fazer chegar as águas do Rio São Francisco, revitalizadas, saneadas, para mitigar a sede de 12 milhões de nordestinos do semi-árido setentrional. Há um compromisso com o fazer singrar o miolo do semi-árido, conectando o sul do Piauí, onde o povo brasileiro produz soja, a despeito de todas as dificuldades, até o Porto de Suape, no progressista Estado de Pernambuco, e até o Porto de Pecém, no Estado do Ceará, para, no futuro, estabelecermos a malha ferroviária que interconectará todo esse interior onde brasileiros de cepa especial estão conduzindo a grandeza deste País, apesar das tantas hostilidades que as conjunturas socioeconômicas e políticas lhes têm imposto — aliás, conjunturas que quase sempre hostilizam quem trabalha e produz em nosso País.
Essa estratégia de desenvolvimento afirma a consolidação de 2 campi avançados da Universidade Federal do Ceará: um na zona sul do Estado, no Cariri; outro na zona norte, a região de Sobral. Pensado como está, o projeto consolida 6 centros de formação de técnicos de nível médio, popularmente conhecidos como CEFETs; um punhado de usinas de biodiesel, para que se extraia do semi-árido, da mamona, o biodiesel que pode ser, neste caminho que o Presidente Lula trilhou pioneiramente, hoje observado pelo mundo inteiro, a grande alternativa para a agricultura pobre e precária que sobrevive naquele clima caprichoso que caracteriza a região; 2 hospitais; a reestruturação de uma vocação turística que já emprega para mais de 300 mil cearenses.
Sr. Presidente, ao renovar, por gratidão e compromisso, o sentido daquilo que é a minha presença nesta Casa como representante do povo do Ceará, não quero que minhas omissões me impeçam de avançar para o que mais gravemente me comove, porque, se tenho de querer bem à terra que me criou, que é Sobral, se tudo devo ao povo do Ceará, e não há como lhe pagar senão procurando trabalhar com decência de cedo da manhã até tarde da noite, mais gravemente me preocupa e motiva a luta por transformar este país tão contraditório que é o nosso Brasil.
Este País é, em si mesmo, no meu perceber, uma contradição inexplicável, a não ser que arbitremos a hipótese de uma inconseqüência política crônica nas nossa elites dirigentes.
Não se compreende mundo afora — o que pude perceber em alguma experiência que por aí adquiri — como um país que tem a maior fronteira agrícola por explorar do planeta, um país onde no mesmo dia se podem produzir culturas de latitudes temperadas, como trigo, centeio, cevada, ou culturas de clima tropical, como uva, milho, feijão, ou culturas de cerrado — desenvolvidas já pela EMBRAPA — , como a soja, que faz a pujança de parte importante da economia rural brasileira; um país que tem o Amapá para além, no hemisfério norte, e já se apruma para os confins do pólo sul, quando nos aproximamos das fronteiras meridionais do nosso País; como se explica que um país — e por aí afora se faz essa pergunta, e a não ser uma certa inconseqüência política tradicional das elites dirigentes; e não faço isso para mencionar individualmente ninguém, tal é a emoção especial que sinto nesta ocasião, solene para mim, em que venho à tribuna que já foi de Nabuco, para mencionar qual é o sentido, para além de gratidão e compromisso, da minha militância junto a V.Exas., Sras. Deputadas e Srs. Deputados — ; como se explica que um país auto-suficiente em petróleo, um país que tem a matriz energética mais limpa e barata do planeta, em que ainda se não exauriu sequer metade do seu potencial hidráulico, um país que imediatamente à sucessão de uma crise nesse padrão de consumo insustentável, que é a civilização do petróleo, rapidamente seja um dos pioneiros do etanol, seja agora pelo biodiesel, de diversas oleaginosas — não produz só para si, mas oferece um sinal para o mundo de alternativa, mais do que uma alternativa de combustível, uma alternativa de modo de tratar a natureza, que já não agüenta mais a inconseqüência do ser humano, movido a egoísmo, a lucro de curto prazo, e o nosso planeta, por isso, dá sinais de uma agonia que tem que ser interrompida, menos por pequenos esparadrapos e curativos e mais por uma atitude cultural que remova da cabeça das novas gerações essa percepção equivocada que cresce no mundo e no Brasil de que felicidade não é uma conseqüência de um estado de espírito pleno de ideais e de lutar por esses ideais.
Crescentemente se leciona àjuventude do mundo que consumir, consumir e consumir é que é a referência moderna de felicidade.
Como se compreende — pergunta-se mundo afora — que um país que tem a maior biodiversidade na fronteira nacional do planeta; que tem mais de 17% da água doce disponível potável do planeta; um país que tem 8.500 quilômetros de costa, onde se pode, por exemplo, pescar praticamente todas as espécies; um país que tem a maior diversidade mineral, metálicos ou não metálicos, minerais sensíveis, minerais raros nas suas próprias fronteiras; como explicar que nós entremos século XXI adentro — perguntam os estrangeiros — tendo que conviver com a lógica de um País assustado pela violência, que está como um espinho cravado no coração da família brasileira, não mais nas grandes cidades apenas, mas também nas médias e pequenas cidades do País?
Como explicar — pergunta um estrangeiro confinado nas suas diatribes, fundamentalismos religiosos, sectarismos raciais — que, num país miscigenado — caboclo, negro, indígena, europeu — , japonês, italiano, eslavo, árabe, judeu se confraternizem, dissipando todas as razões estúpidas da segregação dos homens pelos homens por crenças religiosas ou pela cor da pele?
Quero crer, Excelências — colegas, amigos e amigas que me distinguem com a sua atenção — , que é uma inconseqüência crônica da elite política brasileira. É apenas uma constatação,para responder apressadamente à pergunta incômoda de um estrangeiro que, olhando para o meu País, não lhe perceba os desafios que jávencemos e estamos vencendo e queira agravar, desapercebidos de seus problemas, os nossos pesares, os nossos descontentamentos. Se mais tempo fosse dedicar eu a esses preconceituosos, muitos deles com títeres de cabeça colonizada, entre os meio brancos aburguesados de uma fração de uma burguesia meio à-toa que pulala a nossa discussão, eu lembraria o que quero lembrar agora, porque o sentido deste depoimento é muito mais a reafirmação de uma crença segura, não supersticiosa.
Eu não creio, mesmo pela minha fé, que receberemos de Deus a solução dos nossos problemas. Mesmo por humildade, porque, se queremos ocupar a Deus — para os que têm fé, como eu — dessas nossas mundanices, que Ele então priorize essas extensas regiões do planeta conflagradas pela guerra fratricida, pela morte de crianças pisoteando minas, ou pela fome, combinada com a AIDS, que devasta o continente africano, desafiando a compreensão de que há inteligência no ser humano, quando hátanta opulência nessa entrada do século XIX.
Sr. Presidente, não posso ser pessimista, apenas creio que sou, como todos aqui, realista nas percepções dos problemas e apenas os elenco como pistas para afirmar que não é verdade que o Brasil tenha fracassado. Agora, a nova moda éafirmar que o Brasil está perdendo um tal bonde da história. Sou um brasileiro impaciente, mas agora mais maduro e um pouco mais sereno. Diz o Governador Albano Franco, que se apresta ali a cometer mais uma das suas proverbiais gentilezas, que o meu pavio está encompridando. Mesmo a nós impacientes não é possível esconder que na nossa própria história está recentemente encravado o mais belo, sofisticado e veloz experimento de crescimento do mundo capitalista de todos os tempos. Hoje a China, nação irmã, é uma potência impressionante em todos os seus números, mas ainda precisará trilhar caminhos bastante largos mais 15 anos para consolidar aquilo que o Brasil fez, saindo de uma sociedade rural no pós-guerra, quando 80% do povo se ocupava de uma agricultura rudimentar ou da monocultura da cana-de-açúcar para cima e do café para as latitudes médias, para a 15ª potência industrial do planeta.
Ouço o ex-Presidente da Confederação Nacional da Indústria, na hora em que falo que o nosso País é a 15ª economia industrial, mas também o eminente ex-Governador de Sergipe e Deputado Albano Franco.
O Sr. Albano Franco - Como é bom ter a oportunidade, aqui e agora, de ouvir o homem público Deputado Ciro Gomes. É importante destacar e ressaltar, neste momento, gestos e atitudes que V.Exa. teve de dizer no início do seu pronunciamento. Isso mostra o homem Ciro Gomes, a formação e o caráter de Ciro Gomes.
E nós que o acompanhamos principalmente após a eleição de V.Exa. para Governador do Estado do Ceará e também através do meu amigo, companheiro e correligionário Tasso Jereissati, vejo que V.Exa. dá hoje, nesta Casa, um exemplo de como o homem público brasileiro deve agir: com transparência, seriedade e firmeza. Também posso dizer sem nenhum receio de errar, inclusive pela minha experiência de vida política, administrativa e empresarial neste País, Deputado Ciro Gomes, que V.Exa. proporciona aqui hoje a todos nós uma verdadeira aula dos problemas brasileiros atuais, que todos nós estamos a enfrentar. Posso dizer também neste instante, Deputado Ciro Gomes, que V.Exa. é hoje uma referência nesta Casa e no País. Hoje, quando se discutem os principais problemas e as questões mais polêmicas e complexas, ouço os meus colegas dizerem: Vamos conversar. Vamos ouvir o que pensa o Deputado Ciro Gomes. Então, eu, que tenho tido o privilégio de conviver com V.Exa. aqui nesta Casa, peço que Deus continue a iluminar V.Exa., principalmente com as características autênticas que possui em toda a sua história de vida, porque éum exemplo de homem público para o País. São homens como Ciro Gomes de que esta Casa precisa. Quero me associar às palavras de V.Exa. e dizer que cada vez mais V.Exa. fez pelo Ceará, pelo Nordeste e pelo Brasil. Nós continuamos a confiar e a acreditar no futuro deste País.
O SR. CIRO GOMES (Bloco/PSB-CE) - Obrigado, Deputado Albano Franco, pelas generosas palavras.
Eu dizia, Sr. Presidente, que o Brasil tem na sua própria história, e para ontem, não é preciso consultar livros, mas é um testemunho de pessoas que ainda muito jovens podem nos dar esse testemunho, o Brasil (que não épreciso consultar livros, mas há pessoas que ainda muito jovens podem nos dar o testemunho de que o Brasil) sai de uma agricultura absolutamente simplória e se transforma na 15ª economia industrial do planeta.
E se com tanta agudez eu repito a denúncia, há uma certa cupidez, há uma certa criminosa omissão ou muitas vezes ações deletérias de uma certa elite dirigente crônica no País, é preciso abrir exceções para demonstrar que também foi a elite política, em momentos em que o povo brasileiro teve a liberdade de se organizar e escolhê-la, que produziu esse fenômeno extraordinário para a história humana observar.
(E se com tanta agudeza eu repito a denúncia a uma certa cupidez, a uma certa criminosa omissão ou muitas vezes ações deletérias de uma certa elite dirigente crônica no País, épreciso abrir exceções para demonstrar que também foi a elite política, em momentos em que o povo brasileiro teve a liberdade de se organizar e escolhê-la, que produziu esse fenômeno extraordinário para a história humana observar. )
Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek são apenas 2 nomes, 2 grandes estadistas que sistematizaram e, só resumidamente, representam, com grande eloqüência, o símbolo do que quero dizer.
O País transformou-se nisso. O Brasil que crescia 10%, 12%, 14%, até 15% ao ano, na década de 90 — especialmente, na década de 80 — , dá os primeiros e graves soluços e experimenta a mais medíocre taxa de crescimento econômico de toda a história do País.
A terra não mudou, o clima não mudou. Se mudou o nosso povo, extraordinariamente o foi para melhor, porque as mulheres que eram confinadas ao gueto da cozinha, são as protagonistas da história, são a maioria nos bancos escolares, ocupam a magistratura e o analfabetismo é residual, embora há de se denunciar sempre a desqualificação e a precariedade da escola oferecida ao filho do trabalhador brasileiro. O País melhorou. O que aconteceu? O que houve para melhorar de forma exuberante em tão rápido tempo? É evidente que fatos graves aconteceram: o mundo finaceiriza a economia, a equivocada matriz de petróleo, na crença ilusória de que duraria para sempre em preço baixo, explode seus preços.
Mas o dado final é que o Brasil exauriu seu projeto nacional de desenvolvimento por uma convergência dramática de estupidez ideológica das elites que emergiram doravante, com uma condição muito mais hostil de tanger desenvolvimento do que outrora o experimento nacional desenvolvimentista, com muito êxito, embora com grandes contradições, tenha produzido.
Era isso, é isso e será isso que guiará meu mandato, com o privilégio de ter a confiança, o generoso carinho do povo cearense, o jeito cavalheiresco, fraterno, às vezes paterno, dos colegas que me receberam, das amigas do cafezinho, das pacientes taquígrafas e especialmente a distinção e gentileza dos eminentes pares que me acudiram e me protegem na Casa, nesta etapa de vida pública.
O Sr. Rodrigo Rollemberg Deputado Ciro Gomes, V.Exa. me concede um aparte?
O SR. CIRO GOMES Ouço V.Exa., eminente Deputado Rodrigo Rollemberg, estimado Líder.
O Sr. Rodrigo Rollemberg Prezado Deputado Ciro Gomes, feliz é o Estado que tem como seu representante um Deputado como V.Exa. Feliz é o Congresso Nacional que tem entre seus Parlamentares uma pessoa experiente, um homem público dedicado ao País como V.Exa.
Mais feliz e privilegiado éo partido que tem entre seus quadros uma pessoa com a sua competência, experiência e dedicação ao nosso País. Nós, que fazemos parte da bancada do PSB, nos sentimos mais privilegiados ainda de poder conviver com V.Exa. e aproveitar desse seu espírito público e da sua experiência. Ainda mais do que o homem público de grande qualidade. Refiro-me a pessoa de Ciro Gomes. Tive a oportunidade e o privilégio de conhecê-lomelhor ao conviver com V.Exa. na nossa bancada, pela sua simplicidade, generosidade, convivência, solidariedade e por estar sempre colocando para a nossa bancada a necessidade de que sempre o interesse público esteja acima de qualquer interesse particular ou mesmo de qualquer interesse partidário. Tenho convicção de que V.Exa. nesta Casa dará uma grande contribuição ao povo do Ceará. Não apenas a ele, como uma contribuição do povo cearense, V.Exa. dará, como está dando, uma grande contribuição ao Brasil.
O SR. PRESIDENTE (Acélio Casagrande) - Concederei mais 3 minutos de tolerância a V.Exa. para concluir seu discurso, Deputado Ciro Gomes.
O SR. PAES LANDIM - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Acélio Casagrande) - Tem V.Exa. a palavra.
O SR. PAES LANDIM (PTB-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, um discurso como esse merece mais 10 minutos de tolerância.
O SR. PRESIDENTE (Acélio Casagrande) - V.Exa. tem razão.
O Sr. Fernando Ferro - Deputado Ciro Gomes, fiquei constrangido de lhe apartear anteriormente pelo desenvolvimento do raciocínio da vossa fala. Não seria justo interferir na sua oração. Ressalto, Sr. Presidente, que um momento como esse nos Grandes Expedientes desta Casa, deveriam ser um momento em que não tivesse tempo. Deveria ser um momento de uma tribuna. Esta Casa precisa de um debate franco, de uma elevação da qualidade do debate. Não podemos ficar nisso. Para terminar, parabenizo-o. Esta Casa precisa mudar e ter auto-estima. Outro dia um Parlamentar falou que quando sai desta Casa tira esse button de identificação. Faço questão de usá-lo e o faço com orgulho. Sou um dos 513 Deputados escolhidos pelo povo brasileiro. Tenho consciência de como estou aqui. Tenho orgulho de ser Deputado Federal e faço por isso. O pronunciamento de V.Exa. reforça a minha idéia de que desta Casa podem sair coisas positivas que vão engrandecer a política e melhorar o País. Parabéns. Espero que tenhamos outras oportunidades para, não de forma burocrática, mas de forma política, esta Casa exercer o debate com o grauque V.Exa. está oferece nesta tarde.
O SR. CIRO GOMES (Bloco/PSB-CE. Sem revisão do orador.) - Eminente Deputado Fernando Ferro, V. Exa. tem todas as razões de, de fato, Ter orgulho de ser Deputado. V. Exa. já demonstrou, pela disciplina e pela coerência com que abraça a causa do povo brasileiro, quaisquer que sejam as circunstâncias nós vivemos algumas, recentemente, juntos e pude provar que V. Exa. vai além do seu talento. Agradeço a V. Exa.
Caminhando para a conclusão e com a tolerância do Sr. Presidente, Deputado Renato Casagrande, aproveito para abraçar fraternalmente os companheiros do PT, com os quais tenho tido orgulho e alegria e muito especial prazer de trabalhar. Temos tido divergências e convergências, mas afinidades absolutas no compromisso nacional e na dedicação da causa do povo, cada um de nós ao modo como podemos e achamos que devemos fazer.
Sr. Presidente, não quero mais abusar da sua tolerância, mas quero apenas dizer, em cima dessa questão do sentido do mandato, que a idéia de desenvolver um país tem conseqüências culturais, institucionalidades as mais várias, mas há ocasiões de se observar, no experimento pacificado da humanidade, 3 elementos que nos faltam ao País e que o Presidente Lula e por isso eu o apoio, compreendendo as suas dificuldades e contradições, mas o apoio sem reservas e medo que, ainda com as dificuldades de uma correlação de forças que obrigam a ziguezagues, a tangentes e a conciliações e estas são lições preciosas que aprendi com o Presidente Lula. Não adianta ter só imaginação e coragem. É preciso ter o tato para manejar as terríveis correlações de forças que, muitas vezes, destroem boas intenções ao mero exercício imprudente dessas mesmas boas intenções.
Sr. Presidente, concluirei, já me desculpando por esse excesso. É um nível alto de poupança interna. É um esforço central localizado na história de cada um dos povos de qualificar, o mais sofisticadamente, o seu povo e é uma ação coordenada. Qualquer que seja a estratégia, a retórica ou a ideologia propagandeada, nunca houve experimento concreto de desenvolvimento sustentável que se praticasse aos moldes da perversão neoliberal que lavou a mente de meia dúzia de protagonistas nesse momento medíocre que o País viveu, da década de 80 à década de 90.
Isto tudo é conseqüência de arranjos institucionais que a política faz ou deixa de fazer. Por isso, é mentira que a política seja uma linguagem desmoralizada. Ela é crescentemente impotente, isto está examinado por filósofos moderníssimos como Hannah Arendt. Mas mesmo percebendo a impotência da política como linguagem diante da avassaladora força das megas corporações que fazem o tal e material mercado, Hannah Arendt diz que a política deve ser emulada, mantida, cevada, estimulada e, acima de tudo, protegida, porque só ela é capaz de produzir milagres.
Eu, Ciro Gomes, Deputado Federal, pelo Estado do Ceará, agradecido a quantos me deram essa oportunidade e a V.Exas. pela atenção e distinção com que me receberam aqui vou dedicar este mandato aproveitando o melhor da inteligência nacional que, já percebi, está aqui reunida, o melhor da decência nacional que aqui está reunida, isso não quer dizer que não haja mazelas; se um padre pratica a pedofilia, isso não quer dizer que a Igreja não mereça respeito; se um jornalista pratica o achaque, isso não quer dizer que a imprensa não mereça respeito como instituição. Isto se impõe menos pela voz e mais pela conduta e pelo exemplo. Construir poupança, qualificar os arranjos institucionais para pegar esse processo que o Presidente Lula iniciou, sistematizá-lo, independentizá-lo de personalidades especiais que não se produzem, assim, àmancheias, como a personalidade do Presidente Lula. Essa é a tarefa de todos nós e a elas me dedicarei.
Obrigado, Excelências, pela atenção de todos. (Palmas prolongadas.)
O SR. PRESIDENTE (Acélio Casagrande) - Muito obrigado, nobre Deputado Ciro Gomes.
A Presidência agradece, também, os Srs. Parlamentares pela compreensão de não terem podido fazer suas manifestações, ao nobre Deputado Ciro Gomes, por seu tempo já estar esgotado.
( da redação com taquigrafia da Câmara Federal)