31 de julho de 2025

Nordeste e Operação Navalha. A Política Real teve acesso a defesa midiática do governador Jackson Lago.

Veja a íntegra.

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( Brasília-DF, 28/05/2007) A Política Real teve acesso a um trabalho divulgado pela assessoria de comunicação do Governo do Estado do Maranhão sobre o que foi divulgado e como eles vêm o governador Jackson Lago em tudo isso. É um verdadeiro enredo com avaliação midiática. A Política Real acredita que seja editorialmente interesse editar o trabalho. Veja a íntegra:

“ Esse é o enredo que, com algumas variações, vem sendo divulgado pela imprensa nacional. Vamos ver o que há de verdade, item por item:

Jackson Lago estava sendo investigado pela PF.

A Polícia Federal, quando resolveu deflagrar a “fase ostensiva” da investigação, que envolveria medidas de busca e apreensão e prisões, não incluiu o dr. Jackson Lago como alvo dessas investigações. As denúncias apresentadas baseiam-se em deduções a partir de gravações de terceiros, inexistindo uma única fala do próprio governador, ou testemunho de terceiros que confirme a denúncia apresentada pela autoridade policial. Não há referência nas transcrições das gravações, em nenhuma parte do processo, a qualquer pagamento feito a qualquer título ao governador do Estado do Maranhão.

O Procurador pediu a prisão do governador.

O Ministério Público Federal não pediu a prisão do dr. Jackson Lago, contrariando o que foi amplamente veiculado pela imprensa.

Também não houve contra ele qualquer pedido de bloqueio de bens ou saldos em contas correntes. E a ministra Eliane Calmon não determinou o bloqueio dos bens e dos saldos em contas correntes do governador Jackson Lago, como noticiou a imprensa.

O Ministério Público Federal, acatando representação da Polícia Federal, pediu a prisão de 47 pessoas, medidas de busca e apreensão nos seus endereços residenciais e profissionais e o bloqueio de seus bens e saldos em contas correntes. Nesse rol não está o nome do governador Jackson Lago.

Por certo, quando a ministra afirmou que deixava de decretar a prisão preventiva do governador Jackson Lago, por óbice previsto na Constituição do Estado do Maranhão, deu margem a conjecturas de que houvera pedido nesse sentido. MAS NÃO HOUVE NENHUM PEDIDO DE PRISÃO DO DR. JACKSON LAGO.

O governador estava clandestino em Brasília.

Com documentos, o próprio hotel Kubitscheck Plaza, onde o governador sempre se hospeda, atestou a presença de Jackson Lago com registro normal e pagamento de fatura com cartão de crédito próprio. Acrescente-se que nesse dia o governador cumpriu extensa agenda de encontros, inclusive com o presidente da República, o presidente da Câmara e quatro ministros de Estado, tendo dado entrevista coletiva à imprensa à saída do Palácio da Alvorada, o que desqualifica por absurda a hipótese de estar clandestino na capital federal. Ainda assim o jornal Folha de S. Paulo (e antes O Globo) divulgou imagens obtidas pelas câmeras de segurança do hotel para provar a presença do governador, como se fosse um criminoso sorrateiro. E fez mais, informando tratar-se do mesmo hotel onde seus sobrinhos foram flagrados recebendo propina. Confrontado com os documentos, o jornal publicou um discreto “erramos”, em que afirma não tratar-se do mesmo hotel e informando que o governador “negou” estar clandestino. Ora, o governador comprovou não estar clandestino, com documentos reconhecidos em cartório!

Vale dizer que o governador representou ao ministro da Justiça, solicitando uma investigação na Polícia Federal para apurar crime de responsabilidade da autoridade policial que informou erroneamente sobre a clandestinidade do governador. Nenhum jornal noticiou esse fato.

O governador encontrou-se com seus sobrinhos no hotel.

Apesar de rastreado pelas câmeras de segurança do hotel, não há uma única imagem em que apareça qualquer dos dois sobrinhos acusados com o governador. Em uma “informação policial” redigida por dois agentes da Polícia Federal, atesta-se que desde as 20h30, pelo menos, os sobrinhos do dr. Jackson Lago estavam no Hotel Alvorada (que não é o mesmo Hotel Kubitschek, em que se hospedara o governador). Mesmo ciente dessa informação, a própria Polícia Federal afirma categórica e enfaticamente que, às 20h48, os sobrinhos estavam em companhia do dr. Jackson Lago no Hotel Kubitschek Plaza. O fato, pelo que atestam os próprios agentes da Polícia Federal, não pode ser verdadeiro. Também não há nos autos qualquer indicativo de que o governador seria beneficiário de alguma propina. As conclusões partem de equivocadas premissas feitas em um relatório policial. Para a imprensa, no entanto, são provas contra o governador.

O governador beneficiou a Gautama na BR402

O Ministério Público baseou-se na informação policial de que a licitação para as obras federais teriam sido dirigidas para beneficiar a Gautama. Na verdade o edital para essa obra foi lançado em setembro de 2006 e concluído em março deste ano. O edital foi comprado por 62 firmas e 21 empresas participaram. A Gautama foi desclassificada e a vencedora foi a construtora Sucesso, a mesma que construiu o trecho anterior, no governo de Roseana Sarney. Havia ainda a suspeita de que a construtora Queiroz Galvão estaria em conluio com a Gautama para fazer a obra. Ora, a Queiroz Galvão ficou em 17º lugar na concorrência.

O Estado construiu pontes inúteis no meio do mato

Na rodovia BR402, a Gautama construiu as quatro pontes que são o compromisso do Estado para o empreendimento da rodovia, conforme convênio com o Governo Federal, em fase de celebração. Essa rodovia é estratégica para o florescimento do principal roteiro turístico do Maranhão, e por isso foi objeto de protocolo de intenções entre os governadores do Maranhão, Piauí e Ceará.

A construção das pontes antes da rodovia é procedimento normal em obras desse tipo, por razões de custo e logística. Com esse método não há seccionamento no desenvolvimento da terraplenagem. Mas a TV Mirante, de propriedade da família Sarney, pautou matéria na TV Globo que teve ampla veiculação nacional. É estranho que uma emissora com a responsabilidade da TV Globo permita que uma emissora afiliada, comprometida politicamente, possa divulgar matéria sem ao menos ouvir o outro lado e as razões técnicas envolvidas.

O que a TV Mirante omite na matéria é que a única obra no Maranhão da Gautama, que está paralisada é a duplicação da adutora Italuís, contratada por 300 milhões durante o governo Roseana Sarney.

Segredo de justiça?

Quando foi deflagrada a operação navalha o governador cumpria agenda oficial em Brasília e viajaria para um congresso de governadores em Tucuman, na Argentina. Antes de embarcar, seus advogados tentaram obter acesso aos autos da investigação. Sem êxito, porque efetivamente o dr. Jackson Lago não consta formalmente como indiciado, nem houvera contra si qualquer medida restritiva de liberdade ou patrimonial. Ao voltar da Argentina, viu-se o governador alvo das mais sérias acusações pela imprensa, sem ter acesso aos autos que correm em segredo de justiça. Ao receber jornalista de O Estado de S. Paulo, para prestar esclarecimentos, este apresentou-lhe documentos que não estavam disponíveis para o público. E confirmou que o jornal dispunha dos três volumes dos autos em sua intranet. Ou seja: o acusado, governador Jackson Lago, não tinha acesso aos autos que o incriminavam e que a essa altura já eram de domínio da imprensa!

Imprensa ou juiz?

Durante três dias o governador Jackson Lago permaneceu em Brasília à disposição de todos os órgãos de imprensa. Nesse período deu várias entrevistas, apresentou documentos, não fugiu de nenhuma pergunta. O resultado foi uma ampliação das acusações, a reiteração da versão da polícia e o desconhecimento de qualquer contraponto, mesmo quando documentado.

Jackson Lago, em mais de 30 anos de vida pública, construiu imagem de homem sério, integro, decente. É político de convicções, sendo fundador histórico do PDT, nunca tendo mudado de partido. Em um estado onde políticos acumulam patrimônio, constroem impérios de comunicação, tornam-se sócios de grupos estrangeiros, o dr. Jackson Lago, tendo sido eleito três vezes prefeito de São Luís, acumula patrimônio de um apartamento, onde mora com a mulher, igualmente médica. É homem de bem, que nada tem a esconder, e está desejoso de que se sejam apuradas as responsabilidades de quem eventualmente tenha cometido algum ilícito, sejam funcionários públicos ou parentes. Registra, porém, a preocupação com os excessos cometidos pelos órgãos públicos contra os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. Em um Estado Democrático de Direito deve-se garantir a todos, sem distinção, o direito de defesa, esclarecendo aos acusados exatamente do que são acusados.”

( da redação com informações de assessoria)