Ceará. A Política Real sempre que tem acesso publica discursos de parlamentares nordestinos.
Vice-líder tucano analisa a desertificação que estaria chegando a mais de 1,4 mil municípios nordestinos
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( Brasília-DF, 16/05/2007) A Política Real sempre que tem acesso publica artigos de deputados e senadores nordestinos, especialmente, aqueles que tratam de assuntos de conotação regional, nordestina, mais que só local. Foi encaminhado à redação discurso proferido ontem, 15, pelo deputado Raimundo Gomes de Matos(PSDB-CE), um dos poucos vice-líderes tucanos da região Nordeste. Desta vez ele avaliou e analisou a crise gerado pelo intenso processo de desertificação que aflige o semi-árido e cerrado nordestino. Veja a íntegra da falação:
“ Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, o processo de desertificação atinge, hoje, cerca de 1.488 municípios da Região Nordeste. As áreas mais gravemente afetadas abrangem em torno de 181.000 km², provocando perdas anuais da ordem de 100 milhões de dólares. Estima-se que, em duas décadas, a área afetada pela desertificação, no Nordeste, esteja ocupando o dobro da área atingida atualmente, se não forem tomadas medidas de controle.
A desertificação é um fenômeno que afeta quase um terço da superfície da terra. Em torno de 70 países são afetados pela perda acelerada da fertilidade dos solos. A médio prazo, o processo de desertificação ameaça atingir áreas onde isso parecia impossível. São milhares de hectares que se tornam inférteis, a cada ano, e nos quais já não se pode mais cultivar. Anualmente, cerca de 6 milhões de hectares (60 mil km²) são colocados fora do processo de produção, acarretando perdas anuais da ordem de 4 bilhões de dólares e um custo de recuperação de 10 bilhões de dólares/ano.
A desertificação, definida como um processo de “degradação de regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultantes de fatores climáticos e da ação humana”, avança como uma verdadeira praga em todo o mundo e no Brasil grandes áreas estão se transformando em desertos, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul com efeitos mais devastadores do que a própria seca porque a desertificação implica na perda da capacidade produtiva das terras.
Nas regiões desertificadas, a desolação é total. Nem a chuva consegue fazer a terra brotar. Há um desaparecimento da vegetação nativa acompanhada da infertilidade do solo, com a perda da capacidade de regeneração espontânea.
Nos estudos levados a efeito sobre as consequências do aquecimento global, são unânimes os pesquisadores na avaliação do impacto sobre o Nordeste, identificado como a região mais sensível a este fenômeno.
Ao examinar o problema, os analistas vislumbram a formação no Nordeste do primeiro deserto do país. Segundo eles, com uma elevação da temperatura em 1,5 grau, parte do lençol freático poderá desaparecer e os açudes construídos para abastecer a população podem sumir. E a esse respeito, é pertinente relembrar os resultados dos estudos realizados pela “Fundação Esquel Brasil” que mostra a crescente redução da vazão das fontes de água do Sertão nordestino, ao longo do tempo: “entre 1850 e 1950, as vazões das fontes do Cariri, na Chapada do Araripe, entre Pernambuco, Ceará e Piaui, sofreram uma redução anual de 0,2%. De 1950 a 1970, esta taxa aumentou para 3% e de 1970 até agora, para 6%. Já secaram 200 fontes da parte cearense da Chapada e 70, na pernambucana. Fontes que secaram podem voltar a brotar, desde que o entorno seja reflorestado e área, isolada.
As previsões, portanto, não são nada otimistas. A tendência é que um rastro de destruição se alastre pelo país:
– na Amazônia, as estiagens são cada vez mais frequentes, as chuvas estão ficando entre 30 a 50% abaixo do normal e entre 60 e 70% da floresta de hoje poderá virar uma vegetação com árvores menores e menos diversidade;
– no Semi-Árido, as precipitações pluviais são cada vez menores, os depósitos de água subterrânea poderão secar, as populações sofrerão com a falta de água, as temperaturas poderão aumentar de 2 a 5 graus até o final do século 21, transformando a vegetação cada vez mais árida;
– no Centro-Oeste, a escassez de chuvas poderá prejudicar a produção de grãos, estimando-se em 60% a redução da área plantada de soja;
– o litoral, com o aumento do nível do mar nas próximas décadas, tornar-se-á, cada vez mais, propício à formação de ciclones extratropicais. Erosões na costa litorânea poderão afetar cerca de 42 milhões de pessoas;
– as grandes cidades ficarão cada vez mais quentes e suscetíveis a inundações e enchentes e as doenças causadas pela água contaminada, como a leptospirose, poderão aumentar;
– as doenças infecciosas transmissíveis tendem a aumentar, alastrando-se por todo o país a dengue e a malária;
– a geração de energia ficará sensivelmente comprometida com a falta de chuva em muitas regiões.
Finalmente, é importante destacar um aspecto da maior importância: com a desertificação e a consequente degradação dos solos férteis, a população rural começa a perder a esperança de ver a terra voltar a produzir. Desesperados, principalmente os pequenos produtores rurais, abandonam as suas casas, procurando na cidade a sobrevivência que não consegue mais tirar da terra. Os fluxos migratórios se intensificam e os “refugiados do clima” passam a pressionar os centros urbanos, agravando, ainda mais, os problemas de desemprego, violência e carência de infra-estrutura de educação, saúde e saneamento básico.
Formulo, na oportunidade um veemente apelo ao Governo Federal no sentido de que sejam tomadas medidas urgentes com vistas ao enfrentamento dos crescentes desafios da degradação ambiental e, no Nordeste, em parceria com os governos estaduais, municipais e com Organizações Não-Governamentais, a urgente implementação de planos de combate à crescente desertificação que ameaça transformar aquela região em áridos desertos de areia, inférteis e de nula capacidade produtiva.
Era o que tínhamos a dizer.”
( da redação com informações de assessoria)
“ Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, o processo de desertificação atinge, hoje, cerca de 1.488 municípios da Região Nordeste. As áreas mais gravemente afetadas abrangem em torno de 181.000 km², provocando perdas anuais da ordem de 100 milhões de dólares. Estima-se que, em duas décadas, a área afetada pela desertificação, no Nordeste, esteja ocupando o dobro da área atingida atualmente, se não forem tomadas medidas de controle.
A desertificação é um fenômeno que afeta quase um terço da superfície da terra. Em torno de 70 países são afetados pela perda acelerada da fertilidade dos solos. A médio prazo, o processo de desertificação ameaça atingir áreas onde isso parecia impossível. São milhares de hectares que se tornam inférteis, a cada ano, e nos quais já não se pode mais cultivar. Anualmente, cerca de 6 milhões de hectares (60 mil km²) são colocados fora do processo de produção, acarretando perdas anuais da ordem de 4 bilhões de dólares e um custo de recuperação de 10 bilhões de dólares/ano.
A desertificação, definida como um processo de “degradação de regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultantes de fatores climáticos e da ação humana”, avança como uma verdadeira praga em todo o mundo e no Brasil grandes áreas estão se transformando em desertos, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul com efeitos mais devastadores do que a própria seca porque a desertificação implica na perda da capacidade produtiva das terras.
Nas regiões desertificadas, a desolação é total. Nem a chuva consegue fazer a terra brotar. Há um desaparecimento da vegetação nativa acompanhada da infertilidade do solo, com a perda da capacidade de regeneração espontânea.
Nos estudos levados a efeito sobre as consequências do aquecimento global, são unânimes os pesquisadores na avaliação do impacto sobre o Nordeste, identificado como a região mais sensível a este fenômeno.
Ao examinar o problema, os analistas vislumbram a formação no Nordeste do primeiro deserto do país. Segundo eles, com uma elevação da temperatura em 1,5 grau, parte do lençol freático poderá desaparecer e os açudes construídos para abastecer a população podem sumir. E a esse respeito, é pertinente relembrar os resultados dos estudos realizados pela “Fundação Esquel Brasil” que mostra a crescente redução da vazão das fontes de água do Sertão nordestino, ao longo do tempo: “entre 1850 e 1950, as vazões das fontes do Cariri, na Chapada do Araripe, entre Pernambuco, Ceará e Piaui, sofreram uma redução anual de 0,2%. De 1950 a 1970, esta taxa aumentou para 3% e de 1970 até agora, para 6%. Já secaram 200 fontes da parte cearense da Chapada e 70, na pernambucana. Fontes que secaram podem voltar a brotar, desde que o entorno seja reflorestado e área, isolada.
As previsões, portanto, não são nada otimistas. A tendência é que um rastro de destruição se alastre pelo país:
– na Amazônia, as estiagens são cada vez mais frequentes, as chuvas estão ficando entre 30 a 50% abaixo do normal e entre 60 e 70% da floresta de hoje poderá virar uma vegetação com árvores menores e menos diversidade;
– no Semi-Árido, as precipitações pluviais são cada vez menores, os depósitos de água subterrânea poderão secar, as populações sofrerão com a falta de água, as temperaturas poderão aumentar de 2 a 5 graus até o final do século 21, transformando a vegetação cada vez mais árida;
– no Centro-Oeste, a escassez de chuvas poderá prejudicar a produção de grãos, estimando-se em 60% a redução da área plantada de soja;
– o litoral, com o aumento do nível do mar nas próximas décadas, tornar-se-á, cada vez mais, propício à formação de ciclones extratropicais. Erosões na costa litorânea poderão afetar cerca de 42 milhões de pessoas;
– as grandes cidades ficarão cada vez mais quentes e suscetíveis a inundações e enchentes e as doenças causadas pela água contaminada, como a leptospirose, poderão aumentar;
– as doenças infecciosas transmissíveis tendem a aumentar, alastrando-se por todo o país a dengue e a malária;
– a geração de energia ficará sensivelmente comprometida com a falta de chuva em muitas regiões.
Finalmente, é importante destacar um aspecto da maior importância: com a desertificação e a consequente degradação dos solos férteis, a população rural começa a perder a esperança de ver a terra voltar a produzir. Desesperados, principalmente os pequenos produtores rurais, abandonam as suas casas, procurando na cidade a sobrevivência que não consegue mais tirar da terra. Os fluxos migratórios se intensificam e os “refugiados do clima” passam a pressionar os centros urbanos, agravando, ainda mais, os problemas de desemprego, violência e carência de infra-estrutura de educação, saúde e saneamento básico.
Formulo, na oportunidade um veemente apelo ao Governo Federal no sentido de que sejam tomadas medidas urgentes com vistas ao enfrentamento dos crescentes desafios da degradação ambiental e, no Nordeste, em parceria com os governos estaduais, municipais e com Organizações Não-Governamentais, a urgente implementação de planos de combate à crescente desertificação que ameaça transformar aquela região em áridos desertos de areia, inférteis e de nula capacidade produtiva.
Era o que tínhamos a dizer.”
( da redação com informações de assessoria)