Nordeste e Eleições.
Eleições de 2006 marcam o ocaso das oligarquias nordestinas; Nem Lula conseguiu salvar a mais antiga de todas, no Maranhão.
( Brasília-DF, 30/10/2006) Quando o Presidente Lula se elegeu em outubro de 2.002, algumas lideranças e analistas nordestinos mais modernos lamentavam que as grandes oligarquias nordestinas, como as do Maranhão, Bahia e Rio Grande do Norte – tendiam a se manter, fortalecidas. O grande mérito do então candidato do PSDB ,a oportunidade, o hoje governador eleito de São Paulo, José Serra, era não ter linha com conversação com os grupos da Bahia e do Maranhão além de ter se estremecido com o grupo dos Alves no Rio Grande do Norte.
O Governo se iniciou e o Presidente Lula evitou fazer acordo com o o PMDB pois naquela oportunidade o senador José Sarney iria ficar de fora do acordo. Lula começou a manter uma intensa articulação com o senador Antônio Carlos Magalhães(PFL-BA), líder do Estado onde ele tinha tido mais votos e contado com um apoio silente. No Rio Grande do Norte, se não fosse a interferência do então todo poderoso José Dirceu, Lula teria feito acordo com os Alves. Bem, para a história vai ficar, sim , é o fim das oligarquias, ou seu ocaso, nesta eleição de 2.006. O Presidente Lula se reelege e enterra as oligarquias nordestinas.
Independente dos acordos que devem tecer a governabilidade e o relacionamento com os governadores eleitos, ou reeleitos, vai ficar para a história o ressurgimento das esquerdas em Pernambuco, o estado mais politizado do Nordeste, a derrota do grupo político dos Sarney, com um nome do altíssimo escalão familiar, depois de 40 anos, assim como o ocaso do grupo de ACM, tido como o gestor de uma oligarquia de boa condução administrativa ou o default do grupo dos Alves, que dirigiam a oligarquia mais venturosa, pois unia prumo democrático com excelente gestão – lembrando que o Rio Grande do Norte tem os melhores índices de desenvolvimento humano do Nordeste.
Não podemos deixar de destacar a derrota da oligarquia empresarial no Ceará ou a derrota de um campeão de votos, o governador João Alves, mesmo tendo levado à frente a bandeira da não-transposição, que tem amplo apoio popular no Sergipe.
O Nordeste, com o que veio das urnas, tem tudo para viver um momento e uma seqüência histórica sem paralelo, talvez semelhante aos idos de Epitácio Pessoa e João Goulart. A modernidade iminente exige aos contemporâneos consciência do momento histórico.
Os grupos mais ricos do País, ao fim do primeiro turno, alegavam que o Presidente Lula dividia o país entre ricos e pobres. Começou a se ressurgir com o argumento eugênico de que os pobres não sabiam escolher – um retrocesso. O Governo têm desvios éticos sérios que foram contaminados, além da cota do historicamente aceitável, face a decisão errada de ocupação em nome da história política em detrimento da competência administrativa, que agora parece suportável pelos mínimos anos de poder. O resultado da eleição aponta que essa divisão não existiu. Os adversários de Lula afirmavam que Lula ganhava como todos os poderosos, nos grotões. Uma falácia, nesta eleição. Lula venceu onde seu Governo deu certo e lá no Nordeste os conservadores foram derrotados.
Enfim, a reeleição de Lula vai entrar para a história em todo o Nordeste por muitos e muitos anos. A História nunca esteve tão viva como neste 29 de outubro de 2.006.
( por Genésio Araújo Junior)