Bahia.
Deputado Luiz Carreira escreve sobre a crise entre União e Município; A questão se acentuou esses dias face a propalada redução do FPM, mesmo em época de aumento de arrecadação.
( Brasília-DF, 22/09/2005) O deputado Luiz Carreira(PFL-BA), um dos mais presentes parlamentares da Bancada do Nordeste faz, em artigo, uma análise da crise federativa com as disputas entre a União e os Municípios.
Confira o artigo, na íntegra:
Municípios e União – constante descompasso
É extremamente preocupante a maneira com que os municípios
brasileiros vêm sendo tratados pelo governo da União, sobretudo nesses pouco
mais de dois anos e meio do governo Lula.
Há algum tempo não se vêem mais prefeitos andando por
Brasília, pedindo para ser atendidos pelos ministros de Estado, e simplesmente
porque o governo Lula vem caminhando a passos lentos, com operações
praticamente paralisadas, projetos, obras e ações e liberações de recursos
contingenciadas.
Até o momento, para se ter idéia, de um total de R$ 22,0 bilhões previstos para
investimento global, o Executivo pagou apenas R$ 1,3 bilhão, ou seja, pouco menos de 5,8%. Já para a Bahia, de um total de R$ 903 milhões previstos, pagaram apenas míseros R$ 37 milhões, ou seja, pouco mais de 4%. O reflexo é um profundo desânimo por parte das autoridades municipais e até mesmo de todos os governadores dos estados.
Uma boa resposta a esse vilipêndio federal foram os desdobramentos da
Conferência de Fortalecimento do Movimento Municipalista
Brasileiro, ocorrida entre os dias 24 e 26 de agosto último, na
sede da Confederação Nacional dos Municípios do Rio de
Janeiro.
A partir desse evento, os prefeitos baianos,
membros da União dos Municípios da Bahia — UPB, realizaram
um encontro de trabalho em Salvador, com a presença de
deputados integrantes da bancada federal da Bahia, de todos os
partidos, visando exatamente discutir essas questões. Vale
destacar que reuniões semelhantes a essa ocorreram também em outros estados da Federação.
Ressalto que, das discussões e debates
extremamente proveitosos, retirou-se uma pauta mínima que
constará da Carta de Compromissos a ser firmada pela UPB e
pelos parlamentares da bancada baiana na Câmara dos
Deputados, contendo três pontos prioritários: o primeiro é a luta
pela aprovação da reforma tributária, com o aumento de 1% do
FPM e a reintrodução, na PEC nº 285/04, da fixação do limite
de 2% das receitas correntes líquidas, como teto para
pagamento de precatórios judiciais.
O segundo traduz-se na agilização da tramitação dos projetos de lei que tratam
da definição de critérios de distribuição do FPM no que tange especificamente à questão gerada com a aplicação de redutores financeiros, criados para o FPM pela Lei Complementar nº 91, de 1997.
Terceiro ponto, cobrar do governo federal o pronto envio de medida provisória
referente à abertura de prazos para parcelamento especial das dívidas dos municípios com o INSS. Com isso, chamo a atenção para a necessidade premente de retomarmos a
discussão desses temas de relevante interesse para os municípios brasileiros. Independentemente dos trabalhos das CPMIs e da apuração de outras denúncias — como a que recai agora sobre os ombros do presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti —, que devem seguir seu curso normal, é indispensável e urgente recolocar em pauta as já comentadas prioridades dos municípios do Brasil.
É triste e desesperador que os municípios brasileiros estejam sendo asfixiados
pela excessiva centralização financeira nas mãos da União, e não possam esperar mais. É fato que não dispõem dos meios financeiros necessários para poder continuar prestando serviços dequalidade a seus munícipes. Será isso uma política de Estado? Não sei, mas a verdade é que pouco a pouco o Poder Executivo Federal vai sufocando esse importante ente federado.”
( da redação com informações do Informativo do PFL)