31 de julho de 2025

Nordeste e o Trabalho.

Recife e Salvador são onde se encontram mais jovens e mulheres desempregadas; Diversidades e desafios no mercado de trabalho metropolitano são revelados pelo Dieese.

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( Brasília-DF, 19/09/2005) Em 2004, nas seis regiões metropolitanas em que a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) é realizada pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – a população jovem de 16 a 24 anos somava 6,5 milhões de pessoas. Deste contingente, 4,7 milhões estavam engajados no mercado de trabalho local, o que representa mais de um quarto dos trabalhadores com idade igual ou superior aos 16 anos (25,7%).

 

 

A expressiva presença juvenil na força produtiva urbana, entretanto, traz consigo uma gama de novos desafios aos que tentam formular soluções para o mercado de trabalho nacional. Afinal, na população economicamente ativa (PEA) com mais de 16 anos, os jovens são minoria entre os que conseguiram um posto de trabalho (20,8%) e quase metade dos desempregados (46,4%). Esse quadro resulta da alta incidência do desemprego entre a população jovem, que atinge praticamente o dobro dos níveis verificados para o total da PEA metropolitana.

 

 

O estudo realizado pelo DIEESE identifica também grande disparidade na condição de inserção da juventude no mercado de trabalho quando se observam as diferentes regiões do país, o sexo do jovem e a condição socioeconômica de sua família.

 

 

Dentre os jovens economicamente ativos, em torno de 30% se encontravam em situação de desemprego nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre (29,3%), Belo Horizonte (30,3%), São Paulo (32,6%) e Distrito Federal (36,7%). A condição dos jovens era ainda pior em Salvador e Recife, com taxas superiores a 40%. Este indicador evidencia as maiores dificuldades enfrentadas pelos jovens nordestinos na busca de uma oportunidade ocupacional.

 

 

A manutenção das elevadas taxas de desemprego para as mulheres na faixa etária de 16 a 24 anos mostra a incapacidade dos mercados de trabalho metropolitanos em absorver a expansão da oferta da força de trabalho deste segmento populacional. Conforme aponta o cálculo da taxa de desemprego total para as regiões metropolitanas investigadas, o maior nível de desemprego registrado para as mulheres jovens está nas regiões metropolitanas de Recife (48,2%) e de Salvador (47,6%). Em Belo Horizonte, por seu turno, é verificada a menor taxa (33,9%).

 

 

As dificuldades para inserção no mercado de trabalho verificadas para os jovens oriundos de núcleos familiares de menor poder aquisitivo resultam em maior desemprego para este segmento populacional, o que acaba por retroalimentar a situação de pobreza desse segmento familiar. De fato, entre os jovens mais pobres, o percentual de desempregados é o dobro do apurado entre os jovens de renda mais elevada. A taxa de desemprego para os primeiros situava-se entre 67,1%, na Grande Salvador e 58,5%, na Região Metropolitana de São Paulo, em 2004. Já, para os jovens originários das famílias com maior poder aquisitivo, as taxas de desemprego são muito inferiores: Porto Alegre (18,8%), São Paulo (22,1%), Belo Horizonte (26,5%), Recife (31,1%) e a maior também em Salvador (34,4%).

 

 

Entre a escola e o trabalho  -  Outro aspecto analisado neste estudo diz respeito à opção entre a escola e o mercado de trabalho. Neste sentido, cumpre lembrar que a fase compreendida entre os 16 e os 24 anos é uma das mais críticas, pois nesse curto intervalo de vida das pessoas, geralmente, tende a ocorrer a conclusão da formação escolar e o ingresso na vida profissional. Assim, os sucessos escolares e ocupacionais nessa faixa etária têm importância destacada, refletindo-se e/ou determinando o restante da vida do trabalhador. Em 2004, nas Regiões investigadas pelo DIEESE, pode-se observar que, em geral, os jovens de origem mais abastada tendem à permanência na escola, enquanto entre os jovens de famílias mais pobres, verifica-se o oposto.

 

 

Vale destacar que a tentativa de harmonizar a vida estudantil com o desempenho de alguma ocupação mostra-se frustrada para uma parcela expressivamente maior de jovens de famílias pobres. Dois aspectos explicitam esta dificuldade. De um lado, é a maior proporção de jovens pobres entre os que estudam e procuram trabalho. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, 13,4% dos jovens de famílias de menor renda estão nesta situação, enquanto entre os mais ricos, apenas 8,7%.  Por outro lado, o ingresso no mercado de trabalho mediante o abandono da condição de estudante (jovens que só trabalham e/ou procuram trabalho) também é mais freqüente entre os oriundos de famílias de renda mais baixa. Em 2004, este percentual atinge 47,9% dos jovens pobres de São Paulo, contra 45,9% dos jovens mais ricos.

 

 

Ainda mais grave, porém, é a elevada parcela de jovens provenientes das famílias mais pobres que sequer conseguiram manter um dos elementos importantes para a inclusão presente e futura, ou seja, a escola ou o ingresso na força de trabalho. Essa parcela de jovens inativos, em situação de vulnerabilidade, que dedicam seu tempo exclusivamente aos afazeres domésticos e outras atividades, atingiu o patamar mais elevado nas áreas metropolitanas de Recife (25,0%) e Porto Alegre (20,1%), no ano analisado.

 

 ( da redação com informações do Dieese)