Maranhão.
Deputada comenta a crise política e destaca sua preocupação com a redução dos investimentos sociais; Deputada Nice Lobão(PFL-MA) sempre foi crítica com o Governo Lula mesmo em seus melhores momentos.
(Brasília-DF,12/07/2005) A Política Real teve acesso a artigo da deputada Nice Lobão(PFL-MA) em que ela comenta a crise política e destaca sua preocupação com a redução dos investimentos sociais. Apesar de tudo, ela acredita que a Câmara Federal vai saber lidar e se purificar.
- O que me preocupa é a redução dos investimentos nas áreas sociais. A aplicação de recursos na educação caiu em 64% no período de 2001 a 2004; em saneamento, reduziu-se 90% e, na saúde, 29% — são dados do SIAFI veiculados pela imprensa. A capacidade de investimentos se reduz ao mínimo.
Confira a íntegra do comentário:
“Relação da Promiscuidade.
Há alguns dias comemoramos o marco de 20 anos de
reconquista do Estado Democrático de Direito. Muitos dos que aqui se encontram
foram construtores do processo de extensão e consolidação institucional da
democracia brasileira.
Na Câmara dos Deputados, nos encontramos como
representantes das mais altas aspirações e expectativas do povo brasileiro.
Porém, parece que chegamos ao fundo do poço. A sociedade assiste estarrecida
ao mar de lama causado pela corrupção protagonizada pelo governo Lula, seu partido e seus aliados.
O desafio continua. A Câmara é uma instituição
poderosa que resguarda e protege a sociedade contra o sombrio
retrocesso na construção de uma democracia sólida. A sociedade
quer o País passado a limpo, a sociedade deseja o fim da
corrupção e a punição dos culpados, aguarda dias melhores,
condições efetivas de oportunidade para todos os brasileiros,
aguarda o resgate da dignidade e da auto-estima.
A eleição de Lula, com 52 milhões de votos, seria a redenção. Enfim, a bandeira da ética havia sido desfraldada pelo PT. Seus membros foram eleitos pela
esperança do povo. O governo do PT, nascido no seio da população,
parecia querer consolidar de uma vez por todas um Estado democrático, o
bem-estar e o ideal da Nação. O povo finalmente chegara ao poder.
Mas o que vimos até aqui é que este governo cedeu aos
poderosos, rendeu-se aos interesses corporativos e, o que é pior, cedeu à
corrupção. Lula e seus aliados não dispõem de projeto de médio e longo
prazos, não possuem um projeto para o Brasil. O povo está pagando pela
grande farsa. O presidente abusou da confiança do eleitor.
Ficamos todos estupefatos ao ver um presidente
hesitante, que demora para tomar as decisões, que relega o povo a
segundo plano e não estimula o bom relacionamento na Câmara. Esta
falta de preparo necessário para governar a Nação envergonha a
todos, frustrando as expectativas de brasileiros de todo o País. O
governo que veio para mudar, e lamentavelmente não mudou!
Com isso, cada vez mais amplia-se a desigualdade e
promove-se o atraso social com a perversa concentração de renda,
reservas, tributos e gastança para sustentar a pesada máquina
pública, impedindo qualquer iniciativa de desenvolvimento.
O que me preocupa é a redução dos investimentos nas áreas sociais. A aplicação
de recursos na educação caiu em 64% no período de 2001 a 2004; em saneamento, reduziu-se 90% e, na saúde, 29% — são dados do SIAFI veiculados pela imprensa. A capacidade de investimentos se reduz ao mínimo.
Qual é o foco do governo? Para onde estamos indo, quais são os planos, as
reformas? Qual é o ideal que move a equipe do governo ?
Governar um país requer competência, seriedade, confiabilidade, alianças e muito
trabalho. O exemplo deve vir de cima. Não se governa para um partido, mas para uma Nação. Em cada estado existem brasileiros com a maior boa vontade de contribuir para o desenvolvimento sustentável da Nação. Só cabe ao governo alterar este quadro de paralisia em que nos encontramos. Se, por um lado, a economia está gerando superávits e a arrecadação batendo recordes a cada mês, por outro, a população está cada vez mais desatendida. A crise política poderá afetar a economia, inibindo e espantando os investimentos produtivos.
Não podemos decepcionar a sociedade. Somente a investigação rigorosa e a
punição exemplar dos envolvidos é que poderá até mesmo livrar o governo do sentimento popular de que seria omisso, conivente, complacente e cúmplice de quadrilhas que praticam a corrupção. O governo deixa no ar a suspeita de que existe uma relação de promiscuidade.”
(da redação com informações do Informativo do PFL, na Câmara Federal)